LUIZ GERALDO MAZZA
Hora da desmistificação
Com a devassa feita pelo governo Requião na gestão anterior e a consequente ruptura de contratos e anulação de R$ 100 milhões em restos a pagar por uma infringência direta à Lei de Responsabilidade Fiscal percebe-se, uma vez mais, a inutilidade das operações de ''marketing'' para mascarar a realidade. Além das fraudes e escândalos, como esse que ganha o Brasil e o mundo na Agência do Banestado de Nova York, e que pegará várias gestões, tivemos a obviedade de que o que mais cresceu na economia paranaense não foi a ''modernidade'' das montadoras e das unidades de ponta e respectivas cadeias produtivas, mas as áreas tradicionais da agroindústria do Interior.
Segundo estudo do Dieese, deve-se o nível de recuperação de emprego no Paraná justamente ao Interior e aos campos de nossa vocação tradicional: a oferta de vagas ali foi de 5,60%, enquanto na Região Metropolitana de Curitiba ficou em apenas 2,21%. Não é o primeiro estudo que desmonta a fantasia, inclusive aquela basbaquice, jamais comprovada dos 900 mil empregos, uma vez que o Dieese já vinha, há muito tempo, colocando em questão a matraca oficial. A manipulação dos dados virou imposição ideológica, o que certamente ocorrerá com Requião, afetando a seriedade de instituições como o Ipardes. Tenho certeza que se depender de Eleonora Fruet, do Planejamento, isso não ocorrerá por sua formação rigorosa, mas os marqueteiros tentarão fazê-lo.
Uma das distorções, febrilmente buscada pelo governo Lerner, foi mostrar o lado da moeda que interessava: por exemplo o aparecimento das montadoras na lista dos exportadores ocultava o fato de que elas eram responsáveis também por um apreciável contingente da importação, um feito mal compensado por seu lado oneroso e indesejável, em vista de baixo índice de nacionalização. Da mesma forma que não se pode admitir que o Dieese, por ser um organismo ligado à defesa do trabalho, face à sua vinculação intersindical, se transforme num ente engajado e faccioso não se deve aceitar que o Ipardes, instituição com compromissos e raízes na área científica e acadêmica, se transforme num fator operacional de proselitismo oficialesco.
A febre da tirania tem que ser controlada pelo termômetro cívico de uma sociedade participante e isso se faz pelo debate e o contraditório. E para Tanto é preciso um máximo de liberdade e um mínimo de abusos como o praticado no caso da demissão do jornalista Pedro Ribeiro por ordem palaciana.
BIZARRICE Quando Requião disputou o pleito com Lerner se disse disposto a fazer um choque de capitalismo na mídia, isso é obrigá-la a competir e a não depender tanto do governo, o que, aliás, já ocorre por imposição da Lei de Responsabilidade Fiscal. Pedir à direção de um jornal, cujo dono foi um dos maiores colaboradores financeiros da campanha, para que demitisse um dos seus funcionários pode ter muito de capitalismo de Estado, pouco de mercado.
AXIOMA A solução dada ao caso da Sanepar, tirando o poder extremo do grupo francês dentro da empresa, é a recuperação da dimensão pública do órgão e tudo feito com diplomacia. Que se adote igual postura nos demais casos como o do pedágio, o da ''banda podre'', os de revisão contratual.
GLOSA Além das ''incertas'', decalcadas do governo de Maneco Facão, Requião vai caçar ''fantasmas''. Uma das classes visadas é a dos advogados, ante os quais a Procuradoria Geral do Estado tem histórica divergência.
EPIGRAMA O Paraná emplaca um ministro no STF? A Associação dos Magistrados promove amanhã, 11h30, no Palácio da Justiça (auditório), para fixar uma linha estratégica para que a reivindicação seja alcançada. Fator de emperramento: a absoluta falta de prestígio do Paraná no cenário nacional, fermento básico.
FOLCLORE O anarco-jurista Elísio Marques (ex-juiz, ex-oficial PM, advogado) diz que o 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, é o Dia Internacional da Ponta de Costela, forma irônico-bíblica de dissimular machismo.
CROMO Se há algo que sobra em começos de governo é a mosca azul, a ambição tomando conta de muitos. Morfologicamente é a varejeira.





