Jornalistas no alvo
A primeira vítima na imprensa do governo atual é o jornalista Pedro Ribeiro, colunista de ''O Estado do Paraná'' e cujo dono, no momento afastado, Paulo Pimentel, vinha sofrendo pressões bem como seus editores para que ele fosse afastado pelas notícias que desagradavam o Palácio Iguaçu. Como o jornal é do presidente da Copel, o que não o impede de ter o privilégio de dar anúncios da estatal, dá para entender o nível de constrangimento criado.
Requião não gosta de quem o critica. Já em seu primeiro governo tentou pedir a cabeça do jornalista José Wille quando editava o ''Bom Dia, Paraná'' da Globo regional, o que só não aconteceu porque Francisco da Cunha Pereira resistiu, bem como houve barragem da parte do sindicato profissional, do qual, à época, eu era vice presidente. Teve atritos com jornalistas nacionais e locais, inclusive em demandas judiciais.
Havia a expectativa de que com o convívio entre ''pais da Pátria'', pater conscripti, na Câmara Alta, mudasse o estilo e isso, de certa forma, foi sugerido no andamento da campanha eleitoral. A imagem ''pasteurizada'' da transição, marcada por rapapés e jogos florais, abruptamente mudou com o início do governo e que está contando com plena cobertura dos meios de comunicação até pelo tom gravíssimo das denúncias.
Não há motivos aparentes para desagrado com a mídia de um modo geral. As rupturas contratuais contam com ampla cobertura e servem até para uma espécie de purgação de culpas do sistema por ter sido conivente, omisso e não ter procedido um mínimo de investigações. As críticas são mínimas, pontuais e mesmo a grave crise da Segurança com uma escalada nunca vista de chacinas em Curitiba e Londrina é quase olhada com banalidade como se a área não fosse um dos espaços preferidos do governador para intimidar o que chama de ''banda podre'' e que, passados dois meses, permanece na moita.
Se com toda a maré favorável da cobertura, áulicos se atiram contra um profissional como Pedro Ribeiro, que está longe de ser um provocador e ao contrário é muito criterioso nas informações, dá para imaginar o que ainda está por vir.
BIZARRICE O institucional sobre o ICMS, apesar da boa intenção de enaltecer a iniciativa do governo em favor da micro e pequena empresa, é obra-prima de contrasenso ao identificar cobrança de tributo com tunga, afano. E o Conar?
AXIOMA Tem a história do transporte coletivo em Curitiba e tem, também, a histeria dos que sempre pretenderam destruí-lo.
GLOSA O Jacir Bergman II, Chefe do Cerimomial, estava presente no encontro entre Requião e Caetano Veloso na Bahia e nega a versão da Mônica Bergamo.
Entre Bergman e Bergamo, com quem ficamos?
EPIGRAMA Requião defendeu o grampo na Bahia. O jornal ''A Cidade'' reproduziu ontem a íntegra da entrevista ao ''Correio da Bahia''. O grampo é bom quando a nosso favor como também o nepotismo que só se torna abominável nos outros.
FOLCLORE Em 64 as denúncias eram tantas que dava a impressão que Curitiba tinha um sistema de autogestão que dispensaria órgãos de inteligência. Mas no meio havia, é claro, muita especulação. Tal como se diz haver agora entre as empresas que pegaram a grana da Olvepar várias de gente da terra e de olho nessas operações e nas de títulos podres, por exemplo.
CROMO Um dourado na represa do Capivari é a prova do fim da autoctonia em tudo. Desde que importaram pardal para expulsar o tico tico, tudo é possível e de repente se explica o monstro do lago Loch Ness.
AFORÍSTICO Depois da batalha da integração do transporte urbano com a Comec sabotando o sistema (isso já se deu antes quando Lerner era prefeito e Requião governador) é possível que haja um novo conflito na designação do Aterro Sanitário entre a prefeitura e a administração estadual.
VINHETA Vendo o que se dá em Curitiba percebe-se por que o Paraná não existe em termos nacionais.
SCAPS Entra governo, sai governo e a fila da soja permanece.

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