LUIZ GERALDO MAZZA
O mal menor
Constantemente me refiro à doutrina do ''mal menor'' de Santo Tomás como a saída possível entre opções eleitorais. Do segundo turno havido no Paraná qual dos dois Requião e Alvaro Dias encarnariam o ''mal menor''? Está aí uma equação para gênios matemáticos e da epistemologia. Tanto que dos pleitos levados ao segundo turno foi um dos poucos em que os polarizadores, somados os seus votos no primeiro turno, não superariam 45% dos escrutíneos válidos.
Defrontamo-nos no momento com o realismo do governo Lula dando prioridade à manutenção de uma aliança que permita a aprovação das reformas tributária e da previdência e nesse contexto o caso dos ''grampos'' (o governador do Paraná na Bahia defendeu o sistema como válido, desconsiderando que é indispensável a autorização judicial, o que foi driblado pela baixa política) que envolve ACM e sua legião de senhores feudais às voltas com suseranos passa a ser esquecido e derrubando a fantasia do eticismo, volta e meia acionada pelo PT. Aliás, isso ficou visível também no aumento dos parlamentares e da disponibilidade de suas verbas em mais de 50%. Nem os monges da vida frugal do PT se manifestaram, quando se acreditava, sinceramente, que a simples eleição de Lula criaria um novo clima para as questões de natureza deontológica, face ao predomímio do primado da moral.
Pois o presidente do Senado, José Sarney, também eleito para manter essa base política, negou o envio da representação contra o babalaô na Comissão Ética. A despeito da gravidade dos fatos elencados e que atingem adversários de ACM, submetidos à escuta ilegal, busca-se reduzir a carga de atritos para que o valor mais alto das reformas se imponha. Até que ponto é válida a reflexão que subordina valores morais incontornáveis à conveniência da manutenção de alianças e de proclamados intentos de mudança institucional?
E se as reformas de agora como as de ''base'' de Jango no pré 64 não passarem de discurso doutrinário e supostamente generoso para justificar o ''arreglo'' de forças heterogêneas em nome dessa outra pilhéria chamada governabilidade como encará-las? Felizmente há instituições operando como o Ministério Público federal que acabou de enquadrar os participantes da fraude no painel do Senado e que pretenderam escapar à responsabilidade com a farsa da renúncia.
BIZARRICE Desfazer não é fazer, mas quem sabe faz a hora não espera acontecer. Esse o cantochão que anima o governo estadual, embora muito do que aconteceu seja de difícil e, em alguns casos até, de impossível reparação.
AXIOMA De quarta da semana passada a anteontem 30 assassinatos na Grã Curitiba. E a dificuldade maior é o entrosamento entre o governador e o secretário de Segurança, posto que sejam uma única pessoa.
GLOSA A Copel teria feito algum estudo econométrico para justificar a energia a custo zero para os pobres?
EPIGRAMA Quando um deputado aceita privilégios no aumento de suas verbas de gabinete e na remuneração se coloca na mesma posição dos aristocratas da fase que precedeu à Queda da Bastilha: povo é cidadão de segunda classe. Talvez, esteja aí um dos argumentos a favor da manutenção das cercas.
FOLCLORE Práticas de chacinas de extermínio boladas no interior das prisões e ainda costumamos aceitar a história de que nossas penitenciárias são seguras.
Só os prisioneiros têm o direito de ir e vir, sair para assaltar e matar, e o povo, que paga impostos, fica preso em casa. Uma obra de arte.
CROMO Gema no horizonte do mar, o sol inaugurou a manhã, antes do galo.
AFORÍSTICO O primeiro inimigo do idoso é a sua própria família, empenhada em mantê-lo à distância em asilos para reduzir incomodos e economizar cômodos.
VINHETA O idoso, inconveniente para a família, não seria o Gregório Samsa, de Kafka, que desperta vendo-se transformar numa barata repulsiva?
SCAPS O exame das lavagens de dólares no Banestado pega o time por atacado. É uma aliança tão sólida como a que os governos fazem na base aliada.





