Não é apenas o caixa dois da campanha de Cassio Taniguchi que deixa claro o uso de uma alquimia por parte dos políticos para formar fundos eleitorais e que de tão generosos se prestam a fraudes internas, como se alega ter havido em eleição recente. Se houve essa liberalidade da Copel, como os fatos o estão demonstrando, no caso da habilitação em créditos de ICMS, é porque não se constitui em ato atípico e deve ter, presume-se, ocorrido mais vezes.
Houve um tempo em que uma simples eleição para a mesa diretora da Assembléia Legislativa levava o governo ao pânico na busca de atendimento às demandas resultantes dos conchavos. Houve fase em que se resolvia o problema com a picaretagem das terras e em outras foi preciso fazer milagres para aparecer a ''bufunfa''. O governo Lerner viveu especialmente esse drama no parlamento e é difícil saber em que lugar se encontrava essa cornucópia inesgotável porque um dos instrumentos desse tipo de safadeza, o Banestado, foi privatizado e deixou de ser usado nessas sortidas. Chunchos da Leasing e da Corretora se prestaram a esse fim e os entes ''novos'' as organizações sociais autônomas bem como certas fundações operaram à vontade. A maioria parlamentar, a acomodação dos meios de comunicação e da oposição - tudo contribuía para o silêncio.
Na lista de contribuintes de campanhas eleitorais aparecem notórios prestadores de serviços como empreiteiras, terceirizadas (essas que arrendam veículos ao poder público), da clientela que gravita em torno do poder. Ora é visível que se trata de uma reciprocidade, cada vez mais dificultada seja pela diminuição do Estado e agentes financeiros ou pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Haja superfaturamento e aditivos contratuais para alimentar essas cobranças. Nos escândalos de desvios de Londrina e Maringá se percebe como se produz ''receita'' na área pública para atender a demanda inesgotável.
Empresários estão se retraindo não só porque ficam expostos (vide o caso paradigmático do caixa dois de Taniguchi), mas ainda porque as promessas de retorno acabam não cumpridas. Dificuldades dessa ordem operam como ''justiça poética''. É o que se dá, graças a Deus, à democracia e à crise, com o fim da subvenção aos meios de comunicação e sua subordinação ao governo.
BIZARRICE No pós 64, os militares, especialmente, viviam a sugerir ligações de subversivos com a China e a União Soviética. Dá para imaginar aquela turma encarando o MST, pacífico, e o narcotráfico, belicoso, dos dias de hoje.
AXIOMA Nesse caso da Copel dá para ver ao menos uma luz no fim do túnel.
GLOSA Esperava-se com a eleição de Lula (e isso ocorreu com Jânio) um novo momento ético no Brasil. O aumento da verba de gabinete dos deputados federais de R$ 25,8 mil para R$ 35 mil é um exemplo forte do embotamento parlamentar.
EPIGRAMA Em 64, os que trabalhavam no jornal ''Última Hora'' como eu foram enquadrados em subversão. O maior crime da imprensa é o de subvenção, inclusive no caso dos festejado UH.
FOLCLORE Em fase adiantada do processo dos jornalistas, Cândido Gomes Chagas, testemunha de Edésio Passos, o melhor secretário que o sindicato da categoria teve em toda história, estranhou, na Auditoria de Guerra, que a maioria dos acusados fosse de trabalhadores de UH. E ato contínuo perguntou: quem financia o jornal? E mostrou a cópia de um cheque da campanha dos incêndios assinado por Flávio Suplicy de Lacerda, naquele momento, ministro do regime. O governo Ney Braga sustentava o jornal. E como Chefe de Redação eu tinha a ordem de preservar o governador e sua imagem pessoal e sobretudo os três órgãos financiadores a Copel, o Banestado e o Badep. Para o resto pau puro.
CROMO Lucy, a melhor parte de mim, esposa e namorada, faz aniversário e é como se a celebração fosse minha.
AFORÍSTICO O narcotráfico usando argumentos sociais para justificar-se é de uma sordidez exemplar. Pior ainda a postura dos intelectuais que a acolhem como se fossem uma representação do mundo ''underground''.

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