Além de acompanhar o itinenário de dinheiros desviados, como esses alegados no caso da Copel, é indispensável um outro tipo de levantamento: quais são as eminências pardas dos governos, tanto dos que entram como dos que saem. Talvez identificando-os se tenha finalmente o fio da meada de tudo o que ocorre.
O fato mais traumático, e que derrubou os dois principais secretários do governo Richa, Belmiro Valverde e Erasmo Garanhão, da história recente do Paraná se esgotou nos seus efeitos políticos. Valverde denunciou, por estar com pleno domínio do assunto, tantos foram os convênios internacionais que ajudou a celebrar no exterior no governo Canet, que era inaceitável o pagamento de comissões em dólares a agências que teriam mediado um empréstimo. O caráter retumbante dos efeitos políticos (Pimentel estava momenteanamente na oposição e colocou o Canal 4 para cobrir todos os lances daquele conflito em sessão legislativa) foi predominante e não se viu ninguém preocupado em recuperar esse dinheiro ou saber para que fim se prestara. Sempre suspeitei, já que não houve qualquer esclarecimento e muito menos busca, que se tratava de um tipo de ''alquimia'' para atender despesas eleitorais. Há quem interprete que o mais recente caso da Olvepar também se insira nessa linha.
Getúlio Vargas caiu em 54, levado ao suicídio, por sua guarda pessoal, chefiada pelo ''anjo'' Gregório que bolou o atentado a Carlos Lacerda. Era de uma fidelidade canina ao patriarca, daí a exploração da UDN para sugerir que o presidente teria sido o mandante do ato que acabou sacrificando o major Rubens Vaz, da Aeronáutica. Dá para perceber que esse tipo de ''eminência parda'' não se confunde com aqueles que operam na área dos negócios como se dava com PC Farias junto a Collor e deve ter ocorrido com mais de um na gestão Lerner.
Quem tinha poder de nomeação e veto e quem dava as tintas no jogo sinuoso da administração? Até nos governos petistas, tão protegidos, já deu para, entre outros, identificar, em São Paulo, um compadre de Lula que dava assessoria nos municípios tocados pelo partido. Da mesma forma com FHC foram indicados mais de um auxiliar encarregado de negociar facilidades, posto que isso jamais ficasse claramente comprovado.
Está aí uma gincana interessante, já que se deu tanta prioridade no governo Requião ao denuncismo e à postura inquisitorial. Vamos a ela. E depois, para o bem da democracia e em favor da transparência, chegará a vez dele.
BIZARRICE O Estado se deixou terceirizar tanto que desapareceu.
AXIOMA Patologias do governo Lerner, que foram muitas já na primeira gestão, vão ser usadas como argumento contra a reeleição na corrupção consolidada.
GLOSA Chega a ser ridículo haver tanta preocupação relativa ao Iraque quando o Rio presencia a vitória do crime organizado nas batalhas de rua, diariamente.
EPIGRAMA Se Alvaro Dias tivesse ganho a eleição, iríamos ter exatamente o que Requião está fazendo. Se endureceu com Richa, antecessor e correligionário, dá para calcular o que faria. Detalhe: ambos perderam de Lerner num só turno.
VINHETA Nessa hora de cerco ao pessoal da Copel convém lembrar de Candinho, ex-secretário de Segurança, levado ao pelourinho pela CPI nacional e depois inocentado, com todas as letras, pelo Judiciário. No governo Ney Braga houve o mesmo contra Lupion (quase três anos de linchamento) que depois o Judiciário acabou absolvendo. São dois casos de reparação impossível.
FOLCLORE Como tinha negócio no governo anterior. Até o ócio, como os Jogos da Natureza, dava tanta grana que era protegido por uma ''caixa preta''.
CROMO A imobilidade da garça é que a faz tão fotogênica.
AFORÍSTICO Pelo que se vê havia mais negócios do que governo. Mas todo ato de governo, seja qual for, implica num negócio e num beneficiário.
SCAPS Mais uma chacina com cinco mortes em Curitiba. Cerca de 40 roubos de carros por dia e Requião insiste em acumular um setor que não cuida.

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