Laranjice desmedida


A Assembléia Legislativa tem se transformado, ao longo dos anos, e isso não é de hoje, em apêndice do Executivo, câmara ratificadora, num exemplo de submissão vergonhosa. Tanto que a cada solicitação, de um simples requerimento de informações a uma CPI, o bloco situacionista negava. No caso das CPIs a laranjice era de uma sordidez exemplar com o empenho dos deputados em saturar a pauta com comissões mais geladas que pinguim. Pois agora querem nada menos de cinco (Copel, Pedágio, Jogos da Safadeza, Banestado e Paranacidade), o que é nova laranjice para que não funcionem e engessem a Casa.
Altamente suspeito, antes de tudo, o rolo compressor da maioria e que tornou possível a acomodação das forças na eleição da mesa executiva. Gente envolvida por ação e omissão no governo Lerner, e circunstancialmente rompida, está aí, como se tivesse se depurado nas abluções do processo eleitoral com Requião, a deitar e rolar.
Ainda que tomados pela onda persecutória e inquisitorial, os parlamentares acabaram fazendo um jogo que interessa ao outro lado, pois CPI, além de ter uma história de inutilidade manifesta, não pode operar com a abrangência ora reclamada pelas cinco que pretendem instalar. Laranjice oblíqua.
DESTINO DA GRANA Se há algo que é preciso esclarecer nesse episódio da Olvepar é o da destinação daquele dinheiro. Investigação semelhante é necessária no caso da compra das ações da Sercomtel pela Copel. Até o fato de o celebérrimo Banco FonteCindan ter recebido diretamente um dinheiro inflacionado, que o prefeito Nedson Micheleti contesta em seus valores, sem passar pela Prefeitura de Londrina mostra uma operação triangular merecedora de exame detalhado. E como pode, após um ingresso de recursos superiores a R$ 100 milhões, o Município estar em situação financeiramente delicada?
Muitos desses eventos se deram em cima do segundo turno das eleições em Londrina e que garantiram mais um mandato, mais tarde cassado, para Antonio Belinati. O andamento das apurações dos desvios de rotina, graças à pressão da sociedade organizada, mostra a dificuldade de conhecer tudo em sua extensão e profundidade. Ainda agora estão pingando resultados judiciais em Londrina e em Maringá e neles aparece, com invulgar desenvoltura, o doleiro Youssef.
Outro itinerário de ''grana'' a apurar é o dos desvios da Leasing Banestado e da Corretora, bem como na área de câmbio e aquela história dos R$ 500 milhões despendidos em propaganda nos primeiros quatro anos de Lerner. Afinal Abdo Kudri, do sindicato dos jornais, negou que a mídia impressa tenha levado algo desse porte. E ainda por cima interpelou publicamente o governador.
BIZARRICE Afinal por que se empenharam tanto em privatizar a Copel quando, volta e meia, ela dá provas de que serve demais a interesses privados?
AXIOMA O Brasil (e o Paraná, é claro) vai ser um país sério no dia em que muitos dos que aparecem em cadeia de televisão e rádio ficarem só na cadeia.
E também sem rádio, sem televisão e, especialmente, sem celular.
GLOSA Diante do que se vê aplica-se à Copel aquilo que o líder do PPS, Roberto Freire, afirmava sobre o Estado brasileiro e a necessidade de desprivatizá-lo.
EPIGRAMA Cá entre nós a maioria silenciosa perde sempre da minoria licenciosa.
FOLCLORE Rafael Greca acha que já deu para Requião saber quem é da banda limpa e da ''podre'' na Segurança e nomear logo um secretário, antes que seja atingido por uma bala perdida. Ou um carro desgovernado.
CROMO Todas as multicores foram mantidas, reluzentes e sedosas, mas permanece a borboleta presa ao alfinete no mostruário de veludo e cristal.
AFORÍSTICO Como sugeria Hamlet haveria método nessa loucura de criar cinco CPIs para que efetivamente não apurassem coisa alguma.
SCAPS Hermas Brandão acha um abuso a prisão preventiva do Ingo. Vai ter uma discussão em família, pois uma de suas filhas é procuradora de Justiça.

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