Para se ter sarna é só começar a coçar. Mais ou menos isso se dá com a onda de ruptura de contratos, denúncias em cima do governo anterior por parte do atual. Interessante, válido, pedagógico até, para revelar a omissão dos meios de comunicação e da classe política que tudo permitiram com a sua indiferença e o seu silêncio conveniente e, às vezes, conivente.
Até agora, porém, afora a dosagem forte de emoções, o governo está no maior imobilismo: a polícia, setor tão especial que Requião resolveu empalmá-lo com acumulação de cargos e funções para fins psicológicos de intimidar, está aos frangalhos e só neste ano já tivemos mais de 1.600 veículos roubados só na capital; não se observa o mínimo sinal de que o crime organizado estaria retraído e a ''banda podre'' deve animar, dentro em pouco, o Carnaval.
Surpreende o silêncio do governo passado. Isso em parte porque muitos que o integravam e dele obtinham vantagens hoje estão engajadíssimos com Requião. A alegação de que só respondem em juízo não cria indulgências plenárias, pois o ex-presidente da Copel e ex-secretário da Fazenda Ingo Hubert acaba de ser condenado numa das parcerias com a empresa DM, do já célebre Darci Fantin, e que precederam os arranjos que visavam à privatização da estatal.
É um cenário oposto ao que se observa em nível nacional, onde apenas alguns resmungos não muito claros sugerem que as dificuldades atuais teriam sido herdadas. O pior é que no caso regional os atacados não se defendem e muito menos a oposição o faz em seu nome com o que ficamos com uma versão despojada de contraponto, típica das ordens totalitárias. Não há a presunção mínima do chamado benefício da dúvida e a ausência de caráter dos beneficiários da gestão anterior, e que hoje se aninham no situacionismo, apenas confirma o sentimento generalizado de horror e asco que o público devota à política.
BIZARRICE Psicanalistas que atendem o pessoal do governo anterior não podem mais usar a expressão ''self'' (o próprio indivíduo) que já desequilibram os clientes por lembrarem do doleiro Youssef. Se o doleiro agia mesmo em função do governo, como tudo dá a entender, poderia ser chamado de ''Yourself''.
AXIOMA Requião obteve a moratória das contas do governo e Hermas Brandão vai fazer o mesmo com o Carnaval, já que promete que depois da festa é que se iniciam as CPIs. Nada mais apropriadamente carnavalesco com lerneristas de carteirinha de ontem posando de requianistas de agora. Um baile de máscaras.
GLOSA Prefeitos de Maringá e Londrina foram cassados e nas operações que deram causa ao problema aparecia o doleiro Youssef. O único preso é ainda Luis Antonio Paolicchi, ex-secretário da Fazenda de Maringá.
EPIGRAMA O crime contra o Donha, de Almirante Tamandaré, era político, segundo o PPS, o que o governo Lerner contestava. E agora o do atentado contra o presidente da Câmara de Foz do Iguaçu é o que: mera coincidência por atingir um adversário do comando político municipal e do PMDB? Gente de Foz e do PSB quer a Polícia Federal no caso.
FOLCLORE Um jornal da terra sugere que se o Deonilson Roldo não estivesse na área de Comunicação Social da Prefeitura a imagem de Taniguchi seria melhor. Dá a impressão que seguraria notícias negativas, o que não é a sua função. O choque de capitalismo na mídia, prometido por Requião, precisa vir urgente.
CROMO Na ''Coroa de Cristo'', planta, a seiva leitosa é corrosiva.
AFORÍSTICO Primeiro o deputado Tiago de Novaes Amorim assassinado em Cascavel; agora o atentado contra o presidente da Câmara de Foz do Iguaçu. Se tudo persistir assim, o vigoroso Oeste logo será o nosso faroeste.
VINHETA Senador Osmar Dias (PDT) acusa a moratória de Requião como causa de fracasso anunciado na produção do milho safrinha.
SCAPS Na prefeitura, Lerner fez as ''Parcerias Impossíveis'' no Teatro Paiol e no governo aprontou as ''parcerias impagáveis'' que não devem ser pagas, ainda que nada tenham de engraçadas como essas da Copel e Sanepar.