LUIZ GERALDO MAZZA
Não espantará o fato de que o Legislativo estadual, em sua tradição servil de mero apêndice do Executivo, venha a aprovar CPIs como a dos Jogos da Safadeza, da compra das ações da Sercomtel pela Copel e dos contratos de pedágio. Trata-se de uma velha burla institucional praticada com unção quase religiosa. Já nos debates do Projeto de Iniciativa Popular para derrubar o leilão da Copel se percebeu que muitos do que o assinaram se transformaram, por uma questão de contingência política, em defensores da estatal, jogando como sempre naquilo que tem sido fundamental aos políticos: a confiança na amnésia do povo.
A ida de Requião ontem à Assembléia mostrou que tipo de convivência teremos entre os dois poderes, ainda mais agora com a base governista vitaminada pela adesão dos ex-lerneristas e hoje requianistas fanáticos desde criancinhas. Ao estilo do nosso governador, um populista compulsivo, teremos um quadro de denuncismo frequente e fora de qualquer controle porque os denunciados calam e os que deveriam cumprir o seu papel de oposição não mostram vitalidade para o embate. Quando Richa governou, dois deputados do PDS (Airton Cordeiro e Luis Alberto Martins de Oliveira) foram destemidos ao ponto de provocarem uma crise que derrubou os dois principais secretários de Estado, Belmiro Valverde, do Planejamento, e Erasmo Garanhão, da Fazenda.
Será verdadeira a cifra de R$ 20 bilhões da dívida pública anunciada ou estaremos diante de sofismas que só a matemágica explicita? O fato é que Requião foi eleito pela oposição (a primeira vez em sua carreira) e dele se espera um tipo de atitude que justifique as suas posições de combate. Sua preocupação com os contratos de publicidade (o gigantismo fundamenta-o tanto quanto a ausência de licitação, hábito que dentro em pouco o governo estadual acabará adotando), os de informática e, mais recentemente, os relativos ao Museu Oscar Niemeyer e mais a mexida na estrutura da Sanepar e ainda a idéia fixa contra os contratos de pedágio são válidas desde que não venham, por falta de cautelas jurídicas, acarretar prejuízos futuros ao Estado.
O estilo é o homem. Mas se o populismo requentado, que não traz uma só idéia nova, na insistência de denúncias em que só a versão oficial prevalece, sair de parâmetros mínimos de equilíbrio, teremos estresse e zero em credibilidade.
BIZARRICE Servidor público também no atual governo recebe com atraso o terço de férias. Nem rezando o terço (o do rosário) a grana sai.
AXIOMA ''Lex, dura lex sed lex''. A lei é dura, mas é lei, mesmo para o Alex e a estrutura de informática do Museu Oscar Niemeyer.
GLOSA Se prevalecer o informe pessoal do candidato ao vestiba sobre sua origem étnica vai ser confirmado aquilo que a genética indica: a de que todos aqui do Brasil têm uma cota de afrodescendência.
EPIGRAMA Quando Ney governava, um Requião, o jurista Rubens, uma das maiores autoridades do Brasil em Direito Falimentar, fez o papel do denunciador contra Lupion. Feitos incríveis como o de que Lupion cedera praça em Paranaguá como terra devoluta e se apropriara de dinheiro dos hansesianos foram divulgados à exaustão. No fim, Lupion foi absolvido de todas as acusações. É bem possível que a história se repita. Cautela e serenidade não tiram força das denúncias.
FOLCLORE O saber popular repete o científico: em ''Os 18 Brumário de Luís Bonaparte'', Marx, corrigindo Hegel, frisa que a história se dá como tragédia e se repete como farsa. No Brasil, tenho dito e repetido, temos tido mais farsa do que história, tal a repetição. O pior é que nem sempre ''vale a pena ver de novo''. Nem no virtual da Globo, nem no pouco virtuoso painel do cotidiano.
CROMO Os olhos das crianças urbanas brilham mais que os vagalumes nas noites escuras da Estância de Dorizon.
AFORÍSTICO Político que se apropria de idéias e criações de antecessores, segundo Fábio Campana, não deixa de ser uma Vilma atenuada, aquela que afana crianças de maternidade.
SCAPS Por falar em Vilma, nem Shakespeare a imaginaria na sua galeria de tipos duros. Perto dela, segundo muitos, Madame Macbeth pareceria uma normalista.





