LUIZ GERALDO MAZZA
A batalha de Curitiba
Cansados de seguidas derrotas para o grupo lernerista por quatro vezes, embora a façanha de Vanhoni ter se aproximado tanto de Cassio Taniguchi na mais recente, ''comandos'' do situacionismo se reuniram ontem para acumular energias que derivariam dos governos estadual e federal. Olha-se a listagem dos líderes dessas ações e percebe-se como na própria administração estadual não haver um só sinal de renovação: ideadores do feito antiurbano da célebre Ferrovila lá estão prometendo uma presença forte na área dos excluídos e o também o concorrente do ''joão de barro'', Luiz Claudio Romanelli, anuncia, por sua pasta, um vigoroso trabalho nas favelas da capital e Região Metropolitana.
Curitiba, uma vez mais, será palco de atritos político-administrativos e não de uma desejável emulação que resultaria em favor da comunidade. A euforia da recente vitória no governo faz aumentar o ressentimento da derrota na capital em 2000 claramente expresso na farta exploração que se fez em torno do Caixa 2 que teria beneficiado Cassio Taniguchi. Esse grupo tem, de fato, proposta para o Paraná que não seja o café requentado do discurso moralista e clichês do tipo ''Panela Cheia''? Até agora o único aspecto positivo da gestão de Requião é a sinalização da revisão de contratos, inclusive o mais recente da anulação do ato que permitiu a transferência de R$ 58 milhões em favor do fundo de pensão dos funcionários do Badep que sempre se constituíram em cidadãos de primeira classe em termos de privilégios.
Hoje o mais habilitado candidato a prefeito da capital é Ângelo Vanhoni, apto a acumular energias que venham do desempenho federal e estadual, até aqui uma inquietante incógnita. Corre riscos se permanecer como líder do governo na hipótese de este não deslanchar, o que é bem possível, com as amarras deixadas por Lerner sem falar no ''garrote vil'' da Lei de Responsabilidade Fiscal.
No lado da prefeitura há um só candidato em condições de enfrentar um rolo compressor: Jaime Lerner, que detém aqui mitologia semelhante à de Maria Bueno, mártir e ''santa'' popular e que foi assassinada, nos fins da Revolução Federalista de 1894, nas proximidades dizem da casa em que reside a família Requião.
BIZARRICE Quem sustenta a mística de um partido é sempre o seu setor radical. Os mencheviques não teriam sido golpeados pelos bolcheviques se assim não fosse na Revolução Russa. A tentativa de isolar os radicais no PT em nome de uma pasteurização vai dar pano pra manga e deter o ímpeto da mudança.
AXIOMA Que referências existem na capital da passagem de oposicionistas pelo governo municipal (Maurício Fruet e Requião)? A Ferrovila não vale. Como também as manilhas enterradas, assunto para arqueólogos. Derradeira referência é o vale-transporte com assinatura de Requião e o gerenciamento pela URBS.
GLOSA Esposas de PMs treinam para o panelaço. O reajuste em três parcelas está sendo empurrado com a barriga. Como também o da Polícia Civil. Será que o PMDB e o PT e seus respectivos deputados vão apoiar manifestações ou coibí-las?
EPIGRAMA Nada mais conservador e reacionário do que radical no governo. A viabilidade da revolução permanente (Trotski, Mao) é uma quimera.
FOLCLORE Pimentel quer que a embaixada represente a Copel na entrega de prêmio em Nova York com méritos a governos anteriores. Se Lerner fosse o governador faria questão de botar a mão na taça a pretexto de visitar a filha e o neto. Copel alega política de austeridade. Pra dar luz de graça urge a sombra.
CROMO Em tudo que cintila e palpita, da estrela ao mar, vejo Helena Kolody.
AFORÍSTICO O pior é perceber-se que a polícia está algemada e o crime livre.
SCAPS Folhas suplementares da PM e Polícia Civil não foram fechadas, pois o governo avalia o impacto na despesa do pessoal. Tucanaram o embargo de gaveta.
VINHETA Depois das cercas no Palácio só falta a ponte levadiça.





