LUIZ GERALDO MAZZA
Mais turbulência
Não bastassem as sucessivas nomeações e quedas de delegados na Segurança (aliás, há quem diga que mais um ou dois aparecem na lista da semana) agora temos mais gasolina na fogueira: o ex-deputado Joni Paulo Varisco entra, outra vez, em cena para provocar Roberto Requião sobre o caso Teixeirinha. Varisco que, em muitos aspectos, lembra o próprio adversário, embora menos sutil e bem mais rústico, mandou um expediente, registrado em cartório, ao atual secretário de Segurança, lembrando que ele e o governador são a mesma pessoa apontada, em testemunho do missivista, como o desencadeador da morte de Bento Diniz da Silva nas ocorrências de Campo Bonito em 1993.
As semelhanças de estilo, pelo sentido da provocação, dão um toque mais hilário do que sério à denúncia, tantas vezes repetida, pelo empresário e político do Oeste. Alegando que o processo foi reaberto e dependendo de ações periciais da polícia, sugere que o secretário, por uma questão de suspeição, solicite ao Poder Judiciário que o inquérito passe à alçada federal. Como isso não tem o menor sentido, pois jurisdição e competência não se fixam por decisões pessoais, percebe-se que fica essencialmente o sentido da provocação.
O ofício, registrado em cartório (o do Taboão) no dia 26 deste mês, virou peça na Internet e no jornal ''A Cidade'', de Cascavel, do qual Varisco é sócio. Em função dessa denúncia, tantas vezes repetida, Roberto Requião processou inúmeras vezes, civel e criminalmente, Joni Varisco, algumas delas com decisão de primeiro grau. Na campanha eleitoral, o comitê de Alvaro Dias também fez essa denúncia, lembrando que esse evento foi condenado pela área de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), em função de ação da Pastoral da Terra (advogado Darci Frigo), premiada por essa atuação. Por causa dessas declarações, o senador Alvaro Dias também é processado.
BIZARRICE Agora há uma loteria para ver qual o próximo delegado a cair na Segurança. Garantido mesmo só o secretário, como se sabe.
AXIOMA Requião está, em muitos aspectos, lembrando o Maneco Facão (Manoel Ribas), que dava incertas para ver se as repartições funcionavam, e cortava vantagens de servidores. Só que naquele tempo era uma ditadura e hoje essas questões, de qualquer forma, drenam para o Judiciário.
GLOSA Sílvio Sebastiani tem o hábito de arquivar promessas e está com um dossiê das feitas pelo deputado Hermas Brandão aos funcionários. Segundo ele, se a escala for mantida com mais duas legislaturas dá uma lista telefônica.
EPIGRAMA Paraná Previdência aceitou o registro de dupla homossexual. É melhor um avanço assim de caráter social a um no dinheiro público.
FOLCLORE Como Requião anda imitando o Maneco Facão dá para lembrar daquela visita à Lapa em que o interventor não encontrou ninguém nos postos: nem o delegado de polícia, nem o diretor do colégio e muito menos o coletor e o diretor da saúde. Irritado, disse: ''Berço de heróis, terra de vagabundos''.
Se Requião for à Lapa na certa vai criticar o Paulo Furiatti, o prefeito, por ter pedido a adoção do pedágio na Rodovia do Xisto.
CROMO Há flores pálidas e as rubras que se forem provocadas viram fogo. E há a Rosana, uma das derradeiras que enrubescem como ficção de José de Alencar.
AFORÍSTICO O autoritarismo fascistóide de programadores do Fome Zero faz tanta exigência burocrática (notas fiscais por exemplo) com medo de que os excluídos em lugar de comida se fartem de iugurte e chiclete de bola. Dona Zilda Arns dá a lição: entreguem a grana para as esposas sem intermediários. Ela sabe o que diz pela experiência capilar da Pastoral da Criança que mais funciona do que promete, o que afinal garante resultados.
SCAPS O pior é quando as promessas se transformam em promissórias.
VINHETA O Canal da Música dá som: o das inúmeras goteiras.
OPS Dá para esperar. Afinal Lerner ficou oito anos sem tomar posse.





