Fome Zero e o Paraná


Nada como uma pesquisa bem feita para desmontar fantasias do ''marketing''. Mais uma vez, a despeito da algaravia oficial, fica demonstrado aquilo a que tanto me refiro e há vários governos: levamos um ''banho'' no Sul do País, de Santa Catarina e Rio Grande, nos indicadores sociais. Para justificar o empuxe industrial, que jamais pode ter como motor o parque automotivo pelo fato de não empregar e pagar salários médios baixos, os ditirambos oficiais sugeriam que estávamos deixando os gaúchos para trás em renda interna. Pois agora com a publicação do ''Atlas da Exclusão Social no Brasil'' fica demonstrado que o Paraná, embora integrante do Sul Maravilha, concentra 80,6% das cidades da região com os piores índices, menor que O,4.

De 36 cidades do Brasil meridional que apresentam o pior índice, nada menos de 29 se situam no Paraná, enquanto Santa Catarina aparece com duas e o Rio Grande do Sul com cinco. Está aí um dos focos que podem ser abordados no curso do Fome Zero de Lula aqui no Paraná. Afinal, por que razão temos indicadores tão alarmantes de desajustes sociais num Estado sabidamente rico em termos nacionais?

Além disso o Paraná se revela, proporcionalmente, o de maior porcentagem em municípios com grande exclusão social medida pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que cruza referências sociais e econômicas como se juntasse os vetores do Fórum de Porto Alegre ao de Davos (Suíça). 7,3% dos 399 municípios paranaenses apresentam Índice de Exclusão Social menor que O,4. No Rio Grande do Sul, com seus 497 municípios, apenas 1% estão nesse patamar e Santa Catarina registra apenas 0,7% nos seus 293 municípios.

Essas três unidades federativas têm características muito parecidas em termos de equilíbrio intersetorial da economia com alguma vantagem ao Paraná na parte de serviços (comércio, transportes, intermediários financeiros) e agricultura. Mas Santa Catarina é disparadamente mais harmônica não apenas quanto ao modo de processar-se a nucleação municipal como também no ajuste urbano-industrial, sendo muito comum a proximidade entre a indústria e a agricultura. Lerner fez tanta onda, como é do seu estilo, em torno daquilo que chamou de rurbana quando Santa Catarina, nesse particular, ganha dos seus vizinhos.

Os governos tutelam instituições como o Ipardes que poderia estar dando à população a visão desses processos como rotina. Se Requião não o usasse como ferramenta ideológica e publicitária seria um grande avanço, pois a secretária Eleonora Fruet, do Planejamento, tem formação aberta para tanto.


BIZARRICE Audácia de urbanistas, em seus sofismas, é o de referir-se aos fundos de vale da capital quando o centro o é com os rios Ivo e Belém.


AXIOMA Se o compromisso das três (ou cinco) refeições diárias está em pé, o governo Lula já está devendo essa cota, por 29 dias, a 24 milhões ou 54 milhões de brasileiros. É só consultar o débito na máquina de calcular. Aqui a espera é em relação à energia e ao leite custo zero.


GLOSA Na hipótese de o leite talhar dá para distribuir requeijão ou coalhada. Aí dá para concluir: ''Talha, mas não falha''.


EPIGRAMA A derrubada das cercas do Centro Cívico, prioridade do governo, poderia lembrar a queda das muralhas de Jericó pelas trombetas. Se for a trombeta oratorial de político é melhor chamar o Ratinho, mais competente.


VINHETA Mal assumem, os delegados caem. Já o secretário de Segurança não corre qualquer risco por causa daquele cúmulo da acumulação.


FOLCLORE As águas do Nhundiaquara em Morretes só não levaram o projetor do cinema inaugurado por Lerner porque ele nunca existiu.


CROMO De seu corpo de rosa a oferta é a dos espinhos.


AFORÍSTICO Essência, existência: Sartre caiu de um caminhão de mudança e anda em Curitiba à procura de Simone de Beauvoir, ambos sem carteira de identidade.


SCAPS Depois, se a ''banda podre'' rir ainda a chamam de debochada.

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