Luiz Geraldo Mazza
Pedágio, primeiro teste
Mais do que as já batidas ameaças do governador Roberto Requião ao sistema de pedágio, adotado como ''modelo'' nacional, a maior beneficiária do Anel de Integração, a Ecovia, estará sendo submetida ao primeiro teste para valer com as enxurradas, os deslizamentos nas encostas e provavelmente, como já se deu antes, fissuras e comprometimento da própria pista de rolamento. É que o custo das obras de correção (especialmente quando há comprometimento nas encostas) é elevadíssimo, com um reforço equivalendo a uma obra de arte, a um viaduto. Como se viu em toda a extensão da BR-116, com a abrupta mudança do regime de águas ocorrido na região da Barra do Azeite e que obrigou à construção de numerosas pontas com a saída do pequeno rio do seu curso.
O estado calamitoso de todo o Litoral, nos dois últimos dias, vai testar em profundidade a competência técnica e a capacidade de mobilização da empresa. O isolamento do Litoral tanto Morretes, onde a tragédia alcançou maior força, com milhares de famílias desabrigadas, como as praias, especialmente a de Guaratuba com o bloqueio da ligação com Garuva checa a eficiência operacional da saída encontrada por Lerner para o nosso parque rodoviário.
Até agora, fora a praça de pedágio, o viaduto para acertar a ligação com a Avenida Rui Barbosa em São José dos Pinhais e mais as passarelas, não houve grandes investimentos no trecho face ao volume de recursos auferidos por um dos tráfegos de caminhões e carros de passeio mais densos de todo o Paraná. No passado tivemos casos de ruptura do pavimento, tanto na BR-277, imediações das nascentes do Rio Sagrado, como na estrada das praias, em que houve bloqueio por quase dois dias em função do rompimento da pista com uma cratera de dois metros e na qual mergulhou um automóvel.
Se a Ecovia assumir esses riscos dissipará toda a dúvida lançada em torno do pedágio e estimulada pelo governador na campanha política e demonstrará que é uma saída para o Estado brasileiro quebrado e sem condições de investir.
BIZARRICE Fica para fevereiro o compromisso de pagar a primeira prestação do aumento da PM e da readequação da Polícia Civil. Alguns procedimentos prévios estão sendo impostos pela Secretaria da Administração. Se demorar, o chio de agora se transforma em apito, musicalmente melhor que o panelaço.
AXIOMA Fome Zero para o mundo. Está aí uma utopia de bom marketing, mas sem nenhum compromisso com a realidade. Davos não era lugar para purgação de culpas do capitalismo, mas sim para readequá-lo à sua verdadeira natureza, que sempre foi o darwinismo social, e por estar sob uma de suas crises cíclicas com os sintomas visíveis da recessão agravados pela ameaça de guerra.
GLOSA Requião anuncia ter descoberto coisas incríveis na Copel e no Porto de Paranaguá e que as levará ao Ministério Público. Se não o fizer será mistério público.
EPIGRAMA Em Londrina, como a polícia é insuficiente para dobrar o criminoso ela o consegue na estatística: neste janeiro tivemos o dobro de mortes de 2002.
FOLCLORE Nos anos 70, o saudoso repórter José Brandão desta ''Folha'' fez uma série de reportagens sobre Morretes em função de cheias do Nhundiaquara. Lembro que coloquei como ''teaser'' da série a frase ''Morretes, Morreste?'' A provocação, que visava justamente levantar os brios da comunidade, foi vista por muitos como uma variável do haicai e trocadilho, mania literária da moda.
CROMO Se você está aí, nua e luminosa, me tire essa dúvida: o que estou fazendo aqui se não sou pintor ou escultor e você não leva jeito de modelo?
AFORÍSTICO Filósofos são as maiores carências de políticos: nem Requião e muito menos Taniguchi os têm. Como cuidam de premissas são esnobados, já que se prefere os que tratem de promessas.





