LUIZ GERALDO MAZZA
A mídia e o governo
Não há dignidade na mídia que depende do governo. Mas a recíproca também é verdadeira: nada mais intolerável e antidemocrático, fascista, do que um governo que depende da mídia. A dependência a que aludimos é a absoluta porque numa certa medida um governo inexiste sem a mídia e esta, principalmente no caso paradigmático do Paraná, precisa do governo até por uma espécie de dependência cultural e que de certa forma explica a proliferação de veículos em escala irracional e também de agências de publicidade por aqui.
Há muito o governador Roberto Requião promete um choque de capitalismo para o setor. É que o sistema de subvenção enraizado habituou os dois lados a uma troca de favores como se emissoras de rádio e tevê e jornais e revistas devessem ter no poder público o seu cliente principal, em certos casos absoluto.
O que seria esse choque de capitalismo se não a concorrência e a habilitação pela qualificação? Aí, porém, teríamos o primeiro conflito, já que isso imporia a necessidade da mídia técnica, isto é, a apurada pelo peso específico dos públicos alcançados e não a subjetividade das decisões políticas nas quais o dado afetivo pesa.
Relações na área são tão viciosas que o sindicato patronal de jornais e revistas chegou a indicar um nome para a Secretaria de Comunicação. Só essa exposição pública de fragilidade e apego a um tipo de convívio vicioso dá uma idéia do quanto precisam ser reavaliadas no plano técnico e moral as relações entre governo e mídia. Isso não significa que o governo esteja com toda a razão, pois não consta que Requião, quando prefeito e governador, tenha feito um mínimo esforço para mudar esse quadro e ao contrário foi dos que mais abusaram inclusive com sua presença pessoal no rádio e na televisão mais de uma vez por semana, sem falar nos artigos que escrevia nos jornais.
Ele agiu bem ao nem responder a demanda patronal, apesar das reconhecidas qualificações do jornalista preferido pela maioria dos meios de comunicação. Deu para perceber, mais recentemente, que as relações na área serão de aberto conflito com a anulação dos contratos publicitários de Lerner que vigorariam até maio. De 2000 a 2002, conforme relatos oficiais, dispêndios com a área saltaram de R$ 27,2 milhões para R$ 157,8 milhões enquanto eram sacrificados créditos da área social. Aduza-se a tudo isso o feito do primeiro quadriênio quando o governo ''queimou'' R$ 500 milhões. Essa fortuna foi aplicada em ralos até hoje não identificados com o cartel da mídia impressa estranhando tais números e pedindo publicamente as explicações, já que não viu, nem de longe, a ''cor'' dessa grana substanciosa.
BIZARRICE 17 assassinatos neste mês em Londrina, em Curitiba 12 latrocínios. E há ainda quem se preocupe com o Iraque e a Venezuela.
AXIOMA Os delegados Fauze e Valéria, designados para o Plantão, podem voltar a dirigir a Adepol e o Sindicato, mas deverão obrigatoriamente liberar delegados que se encontram à disposição das entidades. Ocorre que os dois não chiavam porque estavam em delegacias importantes. É o jogo de xadrez do Adauto Abreu de Oliveira. Manobra dele, não do Requião.
GLOSA Saem essas agências de propaganda, que tiveram contratos anulados. E se forem substituídas por outras, também de amigos do rei, como ficamos?
EPIGRAMA Ora, como diz o sábio, ''antes amigo do rei do que amigo do réu''.
FOLCLORE Voltou a discussão sobre o carnaval curitibano. Sugestão do Cândido Gomes Chagas: ''Tragam pra Curitiba a Banda de Guaratuba que aquece aqui e com isso melhora o ambiente da praia. E também o Nelson Justus, que só faz isso pelo litoral como animador de festa''.
CROMO No mar opala, a medusa espreita com o seu veneno urticante.
AFORÍSTICO Lula cantou no Fórum Social e pode chorar em Davos.
SCAPS Nada mudou, tudo na mesma. E nós com o ar de trouxas de sempre.





