LUIZ GERALDO MAZZA
Baixa ou acaba
Virou palavra de ordem no governo a expressão ''baixa ou acaba'' para sugerir que Requião mantém aquele compromisso relativo ao pedágio. Pois até agora e isso não se dará tão cedo nem baixou e muito menos acabou. Ao contrário, a insistência da promessa de difícil cumprimento, por tratar-se de um modelo nacional e que a maioria das unidades federativas adota, começa a irritar.
Mas há coisas que podem baixar ou acabar: o número de secretarias, que foi mantido no patamar anterior, poderia ser reduzido a um terço e com ganhos óbvios de qualidade, racionalidade e eficiência operacional. Como a Arca de Noé das alianças eleitorais exige espaços o caso fica para as calendas. Houve, no entanto, uma providência razoável de Requião na redução drástica (e isso ainda vamos conferir) dos cargos em comissão. Aí há duas vantagens: reduz as expectativas daquele pessoal que está na fila atrás de uma ''boca'' e dá um certo aceno da austeridade.
Quanto às promessas mais contundentes da campanha energia e leite a custo zero para os pobres, redução drástica do pedágio ou sua extinção (isso teria complicadores jurídicos previsíveis) e combate à ''banda podre'' da polícia nada há de novo, além da designação do delegado Fauze Salmen para o Plantão. Só que o delegado tem um ''munus'', a condição de dirigente associativo, bem assegurada no artigo 37, parágrafo segundo da Constituição Estadual.
SPRAY No Porto de Paranaguá, uma guerra de dossiês em torno de prestadoras de serviços com denúncias cabeludas. - A Promotoria de Investigações Criminais pode constituir-se na alavanca do ''Mãos Limpas'' em ação conjunta com o Poder Judiciário. O caso Bento Chimelli, prefeito afastado de Rio Branco do Sul, é uma amostra com o pedido de prisão preventiva. - Se Cassio Taniguchi é adepto da volta de Lerner à prefeitura, já fez gols contra de enterrar o time com o IPTU e agora o aumento da tarifa de ônibus para R$ 1,70. - O arquiteto Elgson Gomes tem proposta reunindo num só espaço desde a rótula diante da sede da prefeitura até o Olho de Niemeyer e o Bosque do Papa com resgate do trabalho do paisagista Burle Marx. Difícil emplacar porque por aqui só dá certo aquilo que rende negócio e agrega grupos. Fora do mercado não há salvação. - Afinal o alambrado do Centro Cívico, tal qual o pedágio, acaba ou não?
BIZARRICE Lula saiu do Canal da Música para o Devos (Fórum Social) para após ir a Davos. A turma do Taniguchi fica por aqui no Devons.
AXIOMA Polícia imobilizada, violência liberada. A oscilação estatística do crime no Paraná é bem maior do que a cambial.
GLOSA Qual a diferença, de perfume e roupa, entre o pessoal que foi à posse do Samek na Itaipu e aquele que comparecia aos atos dos governos anteriores?
EPIGRAMA A teoria do governo Lula é diferente de FHC. A praxis, a mesma. Vide, ontem, a elevação da taxa de juros a pretexto do pânico de sempre.
VINHETA E se esse pessoal das pedagiadas começar a ganhar concorrências que forem abertas no governo atual, não vai ser fácil a explicação.
FOLCLORE O pior que pode ter acontecido para os hoje situacionistas é haver elogios dos visitantes para o Canal da Música na base do ''é quase tão bonito como o NovoMuseu, o Jardim Botânico, o Ópera de Arame''. Essa é de rasgar, por ser difícil ter referências simbólicas dos outros.
CROMO Fernanda, minha única neta, fez 16 anos ontem e quem se sentiu como debutante, fora de estação, fui eu.
AFORÍSTICO O Nó Górdio, esclareça-se, não é uma frase de Seu Creisson.
SCAPS Esta ''Folha'' sugeriu que Lula fará ponte entre Porto Alegre e Davos. Bastou o referencial para que os empreiteiros se assanhassem como o fariam se dissessem que o Papa tem missão pontifical por unir a terra ao céu. Estariam de olho na concorrência e, se possível, para fraudá-la.





