Exílio no Plantão


Até agora a atmosfera de intimidação que poderia ter sido criada contra a chamada ''banda podre'', não identificada por motivos óbvios, com o ato do governador Requião acumulando a pasta de Segurança não funcionou nem como medida dissuasória. Anteontem, porém, cogitava-se, oficiosamente, da transferência para o Plantão (área mais tensa da polícia com o pior dos varejos para cuidar de bêbados e arruaceiros) de dois delegados da hierarquia superior, Fauze Salmen, que dirige a Associação dos Delegados de Polícia (Adepol), e Valéria Padovani, que preside o sindicato da categoria. Pagam os dirigentes associativos por um erro sério, que à época registrei, o de terem colocado as duas entidades engajadas na candidatura de Alvaro Dias. Todavia a atitude do governador vai render a primeira pendência jurídica, uma vez que dirigentes sindicais gozam de imunidades relativas, alguns deles, inclusive, como é da tradição, com a dispensa do expediente.

Claro que teremos, na sequência, a batalha dos boletins e jornais sindicais, o que não excluirá a adoção de medidas judiciais com o advogado Figueiredo Bastos, patrono também da maior liderança da área, o delegado Ricardo Keppes de Noronha. Checar-se-á o poder de mobilização da Adepol e do sindicato, que não é lá essas coisas por haver tomado uma atitude facciosa e parcial, sem qualquer consulta à categoria, no caso do alinhamento com Alvaro e que na verdade levou Requião às suas costumeiras explosões com as denúncias veementes contra o que chamava genericamente de ''banda podre''.

Se a atitude de Requião tem o lado bom de ver até onde vai o poder gregário das entidades, que será diluído certamente pela maioria silenciosa, de outro infringe regras de relacionamento com o claro propósito de constranger. Resta saber se isso marca ponto na questão do isolamento e erradicação da alegada ''banda podre'' que obviamente por ser funcionalmente encapuzada não está até agora, pelo menos em termos concretos e periciais, identificada.
Enquanto isso bateremos um recorde em janeiro: ontem tivemos o 11º latrocínio na Grande Curitiba.


UMA CARTA O leitor de Londrina, Jairo Nobre, escreve para dizer que acha dispensável, até por economia processual, um secretário de Segurança, crendo que este ficaria à mercê da classe política. Ora se assim fosse, o exemplo caberia em todas as demais secretarias. Aliás, preocupação com economia e racionalidade não houve, já que foi mantida a elefantíase das 30 pastas dos tempos de Lerner, via também adotada nacionalmente por Lula.

Se o não preenchimento da pasta da Segurança foi usado para mostrar o grau de preocupação com a área não resultou em melhora alguma e muito menos serve para intimidar os setores policiais que fazem do desvio de conduta uma rotina.


BIZARRICE Entre as bombas-relógio de Lerner está a dos telefones do Palácio, em conta de R$ 5 milhões, ainda não pagos. A privatizada é dura com os privados e extremamente mole com os entes públicos. É reciprocidade, já que o poder público só lhes facilita as tarefas, inclusive não as fiscalizando.


AXIOMA Sugere-se a volta de Lerner como candidato a prefeito da capital em 2004. Se assim for, depois de ser presidente da entidade mundial dos seus colegas arquitetos, o ex-governador poder encerrar a carreira como presidente do Combate Barreirinha onde fez aquele famoso gol de ''peixinho''.


GLOSA Alambrados do Centro Cívico, queda do pedágio, fim da ''banda podre'', devassa dos protocolos das montadoras: tudo fica para depois.


EPIGRAMA Pelo menos no Paraná há harmonia entre o governador e o xerife.


FOLCLORE Num vendaval, bombeiros foram chamados para atender uma queda de árvore no Batel sobre um veículo: chegaram lá e o problema maior foi convencer o casal que transava no interior do veículo que estava em posição incômoda. A árvore gigantesca quase trepou nos amantes e eles nem perceberam.


CROMO Verão: além do umbigo exposto, o festival de bicos de seio ameaçando transpor as blusas com sua agudeza pérfuro-cortante.

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