LUIZ GERALDO MAZZA
Ubiquidade e ambiguidade
Sabidamente o governador não tem o dom da onipresença, mas a insistência em acumular o seu posto com os encargos da Segurança soa mais humanizada, no entanto inútil, quanto o totem de Lerner. Cinco latrocínios em menos de três dias só na Região Metropolitana de Curitiba é indicador que não pode ser desprezado. Não se tenta insinuar que a situação fosse melhor com alguém ocupando a secretaria, mas sabidamente haveria a quem o governador dirigir-se para cobrar resultados ou ao menos saber o que se pretendia fazer.
A intenção de colocar a Segurança sob comando do sujeito oculto da oração, o governador, pode até ter efeitos psicológicos bons no que concerne à ''banda podre'' como forma de dissuadí-la ou de contê-la, mas como não se pode esperar ações ousadas do governo atingindo os maus policiais até pela circunstância de que deve processá-los com extremo cuidado gera um quadro de inércia, que é melhor para a bandidagem do que para o conjunto da administração.
A ubiquidade estar em todos os lugares ao mesmo tempo acaba gerando, na verdade, a ambiguidade, a incerteza, a insegurança, a indecisão.
Não bastasse a onda criminosa teremos um cronograma reivindicatório claramente previsto: o aumento parcelado da PM (aquele provocado pelas esposas dos milicianos, aliás com apoio do PMDB e PT que agora são governo e não as encararão como infratoras da Lei de Segurança Nacional) que eclode nesses dias e a questão da readequação na Polícia Civil. A ida do Bordenowski, presidente do Sinclapol, para a Ouvidoria, estabelece outro caso de ambiguidade: como ser fiel às lutas da categoria e acomodar-se num posto de direção do governo. Em tudo isso quem não é ambíguo, apesar da aparência, é a ''banda podre'', camuflada com distintivos e as armas da lei, e agindo em comum acordo com o crime organizado.
BIZARRICE Até o dia 20, tempo de confecção das folhas de pagamento, é que se saberá se o governo paga o acerto com a PM e a Polícia Civil. Seguem-se as cenas de cerco aos quartéis se os compromissos não forem respeitados. Nada como um estilingue que se transforma em vidraça para aula de moral política.
AXIOMA Se houvesse a Lei da Mordaça, o presidente do STF não poderia expor o seu ponto de vista sobre a Previdência?
GLOSA Militares e magistrados, alegando a especificidade de suas funções, recusam-se a entrar no regime único da Previdência. Quando FHC pretendeu fazê-lo havia esses focos de resistência olhados com simpatia pelo PT.
EPIGRAMA O secretário da Fazenda, Heron Arzua, em entrevista à CBN Curitiba, disse que a dívida em precatórios de mais de R$ 7 bi é impagável. Não ficou claro se esse ''impagável'' tem o sentido de engraçado.
FOLCLORE O livro biográfico sobre Rubem Braga conta coisas interessantes. Num dia o Bloch, do Grupo Manchete, ao apresentar o escritor ao presidente JK fez badalação: ''Esse é o maior cronista do Brasil''. Rubem Braga arrematou: ''Diga agora pra ele quanto você me paga''. Foi demitido no dia seguinte. Outra bem no estilo foi sobre Antonio Olinto, que casou com sua ex-mulher, Zora Seljan: ''Pode ser que o marido seja melhor, menos o estilo''.
CROMO Na cabeça da estátua viva, tinta metálica sobre o corpo, um pardal curioso monta um ninho nos cabelos do artista popular.
AFORÍSTICO Vem em sequência: IPTU, IPVA, ISS. PQP!
OPS Nem sempre o secretário de Segurança está de acordo com o governador.
VINHETA Governo que se diz social não pode desmontar o Parque da Ciência para restabelecer o das feiras pecuárias. Além de o sistema de esgoto não ter meios de processar frequências massivas de 15 dias e ameaçar a Represa do Iraí, a área seria usada uma vez ao ano em duas semanas enquanto que a benfeitoria atual serviria o ano inteiro para excursões estudantis.





