LUIZ GERALDO MAZZA
A farsa permanente
Deputados que estavam na base governista anterior mudam de sigla para figurar como aliados do novo governo. Essa banalização do oportunismo já não choca mais ninguém, é como o respirar da política brasileira.
Um recente divisor de águas em nossa história foi o da votação do projeto de iniciativa popular que impedia a venda da Copel. Muitos dos que na hora de votar a autorização ficaram de lado do governo se encheram de artificiosa indignação para mudar de orientação no momento de ratificar ou retificar o que haviam aprovado anteriormente. Nosso Legislativo, tanto o nacional como o local, transformou-se quase num apêndice do Executivo, tal sua subserviência.
Se isso se dá na província como exemplo negativo para a democracia, temos no plano nacional a estória do deputado Pinheiro Landim, que renuncia para evitar a cassação, o que lhe garante o retorno à nova legislatura. No Brasil, só ações políticas mais do que jurídicas funcionam nesses casos como se viu na renúncia de Collor, dos anões do Orçamento e dos burladores do painel do Senado.
BIZARRICE Queixas mil sobre o excesso de ratos e baratas no Setor Histórico de Curitiba. Ir lá hoje é, sem dúvida, uma ''rata'' ou um ''barato''.
AXIOMA Pelo menos são menores as dúvidas hoje de que possa existir algum conflito de opiniões no Paraná entre o governador e o secretário de Segurança.
GLOSA Imaginem se depois das trombadas do governo Lula com a questão da Previdência, especialmente com o Exército e o Judiciário, ainda tivéssemos uma oposição igual aquela que o PT fazia a FHC. A analogia é pedagógica.
EPIGRAMA Primeiro houve a pilha de currículos de postulantes a cargos junto ao governo Requião. Agora é a vez dos projetos que governos anteriores, e por alegada perseguição ''ideológica'', não aceitaram para credenciar agora seus pretendentes.
VINHETA Se Requião tivesse tantos adeptos, como os que ora se apresentam, teria por certo vencido a eleição no primeiro turno. Isso aí lembra o número de vítimas de 64 que, se fossem tantas, como se sugere, ganhariam estatisticamente das forças regulares do sistema, incluindo as Armadas.
FOLCLORE Com a denúncia dos ratos tomando conta da cidade deu para lembrar de uma ocorrência do fim dos anos 50: os roedores assustavam, por seu tamanho, os frequentadores do Cine Luz, na Praça Zacarias. Um dia uma pessoa, indignada, reclamou ao gerente e ouviu a resposta: ''Você queria por acaso, em lugar disso, uma corrida de touros?'' Só faltava cobrar ''couvert artístico''.
CROMO Falar de rosa poeticamente é moleza, ainda que com o risco da repetição. Quero ver se produzir algo como a ''Ode à Cebola'' de Pablo Neruda. A poesia não política é sempre melhor do que a outra, induzida e forçada.
AFORÍSTICO Dar copo de leite, a flor, aos pobres é delicado, mas insuficiente.
SPRAY Cada um dos 12 membros do Conselho Penitenciário tem que dar parecer a cerca de 15 pedidos de indulto, em função do decreto de FHC que pode liberar um assassino com o cumprimento de um terço da pena. - Medida desse porte é menos de política criminal do que para esvaziar presídios. No Paraná há muitos, recém-inaugurados, com alta capacidade ociosa. - Para que a Polícia Civil entre nos trilhos, conforme parâmetros da ONU, são necessários 400 delegados, 1.200 escrivães e 2.400 investigadores. Não bastasse isso temos ainda a ''banda podre'' que Requião promete erradicar. Os da área riem. - A atribuição de maior raio de competência às delegacias distritais, reduzindo a onipotência das especializadas, era velha tese do delegado Silvan Pereira.
OPS Aí o governante se queixou da falta de quadros e o assessor puxa-saco apresentou-lhe uma lista da pinacoteca.
SCAPS Que bem se desse para devassar o que murmuravam e pensavam Requião e Lerner quando se encontraram no Tribunal de Contas.





