E os alambrados?
Tudo em política e administração tem seu tempo: Lula já explicou que o ''Fome Zero'' deslancha quando for possível; Requião aguarda o momento certo, conforme prometeu, para baixar o pedágio, remover os alambrados do Centro Cívico, dar leite e energia de graça aos pobres. Se até Deus ao criar o Mundo precisou também de uma pausa para descanso, os pobres mortais dirigentes merecem essa oportunidade de montar um cronograma para as promessas.
O governo disse que removeria ontem, segundo a Rádio CBN, as polêmicas e desajeitadas cercas de ferro do Centro Cívico, mas ainda não o fez. O gesto teria maior impacto se procedido no dia da posse, embora estivesse longe de significar algo como a Queda do Muro de Berlim ou, ainda com maior força simbólica, a da Bastilha na Revolução Francesa.
A afixação do aparato foi uma violência à memória histórica e artística de uma área obviamente tombada pelo seu significado e pela circunstância de ter precedido até a construção de Brasília. Tanto que antes de tocar o Plano da Capital Federal o arquiteto Lúcio Costa veio conhecer a praça cívica. Mas aqui há uma espécie de ditadura em matéria urbanística, o que se dá, especialmente, no Centro Cívico, haja vista para a acomodação de estilos incompatíveis com a linha leve da arquitetura dominante e na qual o trambolho máximo é o prédio do Fórum, já não fosse suficientemente chocante o seu estado de abandono, prova da prodigalidade e da irresponsabilidade pública.
Evidência clara de que inexiste Plano Diretor no Centro Cívico é a derradeira aberração lá construída, jamais prevista em qualquer programa de ocupação, que é o tal do NovoMuseu, em que pese a badalação feita em torno da obra, mais uma das costumeiras esculturas do Niemeyer, ótimas de ver, ruins de usar, como o ''dromedário branco'' de São Paulo, o Memorial da América Latina. Como tem espaços ociosos de sobra, Requião pretende colocar lá a Secretaria de Cultura, o que acaba tendo um sentido de redundância, já que em ordens democráticas não deveria existir um aparato indutor, monitorador ou até mesmo financiador desse ''do-in antropológico'', tal qual se refere o ministro Gilberto Gil.
Das promessas enfáticas de Requião essa é a mais fácil e mais imediata de cumprir. Pode, no entanto, ter complicadores com um promotor público ligado à área patrimonial contestando a inutilidade e o custo abusivo da operação.
BIZARRICE A novela da venda e da compra de jogadores lembra episódio ocorrido com o goleiro Picasso em sua vinda para o Atlético Paranaense. O campeão das manchetes da ''Tribuna do Paraná'' era o saudoso Albenir Amatuzzi. Como a indecisão levava a títulos como ''Picasso no Furacão'', ''Tudo certo com Picasso'', ''Picasso vem aí'' e a coisa já estava ficando meio chata quando Amatuzzi tascou a manchete derradeira, depois de duas semanas de recuos, é claro, sem desmentidos ''Palavra de honra: Picasso chegou!''.
AXIOMA Prefeito de Guaratuba afastado, o de Matinhos com cartão vermelho do Tribunal de Contas, o de Pontal expulso do PPS e às turras com o seu vice que despacha na rua. E depois há quem pergunte por que vão mal as nossas praias. A política é pior do que as condições de saneamento básico, outra cloaca.
GLOSA Se a iluminação da barragem de Itaipu custou R$ 14 milhões, o NovoMuseu afinal não foi tão caro assim. Assim mesmo é mais justificável.
EPIGRAMA Pensando bem, as cercas junto ao Palácio Iguaçu até que protegem o governador do assédio daqueles que estão de olho numa ''boquinha''.
FOLCLORE ''Requião: me chama que eu vou!'' saque genial do Jamil Snege da campanha eleitoral foi interpretado de forma literal, e no cotidiano do governo e nas solenidades de posse a multidão de clientes cada vez aumenta mais.

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