LUIZ GERALDO MAZZA
O embalo do sesquicentenário
Esta aí uma oportunidade para redescobrir o caminho do Paraná no contexto brasileiro: as celebrações de hoje dos 149 anos de emancipação se constituem numa arrancada do sesquicentário a ser comemorado ano que vem. Não é animador, no tocante a idéias, o quadro de reflexão a respeito do nosso amanhã pelo menos em função do vexame, em termos intelectuais, que foi a recente campanha sucessória. Caberia aí a velha e irônica observação: falou-se muito em coisas novas e verdadeiras, mas as novas não eram verdadeiras e as verdadeiras não eram novas.
Também as primeiras especulações quanto ao futuro - e que até aqui se limitam à montagem da equipe - nada têm de animadoras. Ao contrário, percebe-se nos atos do futuro governo a compulsão pelo desafio de corporações, seja a das polícias civil e militar, seja a das empresariais como no caso dos protocolos aos poucos devassados das montadoras ou de revelações sobre o esoterismo das planilhas do pedágio. Requião é o mesmo: quando prefeito fez com o transporte coletivo um trabalho de pressão em nome da devassa de planilhas que acabou na justiça e com a derrota de suas pretensões, evidenciadas na tarifa deprimida.
Com um orçamento engessado, sem o concurso de um orgão financeiro que pudesse abrir alguma perspectiva, seria demasiado exigente pretender que houvesse alguma idéia efetivamente criadora. Vamos ter uma endemia de conflitos tanto dentro como fora do quadro institucional: o bloqueio da praça de pedágio em São Luis do Purunã foi um sinal claro da confiança na barricada populista como forma eficiente de pressão, recurso que às vezes oculta a impotência.
Não vai ser possível, apesar das qualidades de orador de Roberto Requião, esperar que faça algo como Munhoz da Rocha empreendeu nos anos 50 como pregação cívica e doutrinária. E isso apesar de o Paraná continuar mantendo, como é de sua tradição, uma posição de relevo no quadro nacional e cada vez mais próximo de desbancar os gaúchos no ''ranking''. Não temos idéia-força, mas corremos o risco de pelas artes do marketing (que tanto serviu ao ciclo lerneriano) chegarmos a uma idéia farsa pelo pensamento árido. Uma revisão no triunfalismo ainda vigente já seria um primeiro passo.
BIZARRICE Das mil e uma utilidades da Bombril essa da sua participação nos rolos de lavagem de dinheiro, ora denunciada, era inteiramente desconhecida.
AXIOMA Gilberto Gil, ministro da Cultura. Dá para compará-lo com antecessores como Francisco Wefort, o atual, e o economista Celso Furtado. É mais um sinal de vassalagem à sociedade do espetáculo.
GLOSA O cerco à Renault do governo Requião pode implicar numa tentativa para afetar a imagem de Lerner na França, onde dirige a UIA. Só que os franceses devem achar ótimo a sua empresa ser melhor tratada do que as brasileiras.
EPIGRAMA Em Curitiba da Caixa 2 dezenas de milhares de multas foram enviadas em duplicata, segundo os jornais. É a multa 2.
FOLCLORE Faleceu, semana passada, o cartorário José Nociti. Ele foi autor de cenas inesquecíveis. No Country Club, em clima de bebedeira, aproximou-se de um senador e apelou-lhe ao ouvido que não o frustrasse pois o maior anseio de sua vida era urinar nas calças de um pai da pátria. E discretamente o fez, acentuando ''e de um deputado também!'' e dirigiu o xixi para a perna do parlamentar estadual, assustadíssimo e dando pulinhos para escapar ao jato.
CROMO Drummond de Andrade foi chefe de gabinete, Gilberto Gil ministro.
AFORÍSTICO Um atlas da cirurgia está no livro ''Medicina, Magia e Arte'' sobre Egas Penteado Izique. Lançamento hoje no Hospital de Clínicas, 17 horas. Os desenhos apuradíssimos de Egas mostram procedimentos tácteis das operações, um tesouro em técnica e arte.
SCAPS Administrar por conflitos é botar junto com um secretário um diretor geral que lhe é hostil. As coisas estão pintando por aí.
ASTERISCO Revelações do secretariado de Requião são mais contrainformação do que informação. Vide a estória de botar coronel do exército na PM.





