O tripé da PM

Quando governador, Requião teve que voltar atrás ao nomear como comandante do Corpo de Bombeiros um oficial de menor graduação do que tenente-coronel ou coronel. A corporação, como não poderia deixar de ser, chiou em nome da preservação da hierarquia .
Pois agora está anunciando para a Chefia da Casa Militar a designação de um capitão, de nome Anselmo, com o que vai renovar fricções e atritos em cima de fundamentos institucionais. Afinal, pelo menos reza a praxe corporativa, a Polícia Militar repousa sob um tripé direcional: o comando, a Chefia do Estado Maior e a Casa Militar, essa inclusive com funções na área de inteligência.
Os governantes que romperam esse equilíbrio se deram mal: Alvaro Dias, com poucos dias de governo, foi obrigado a dispensar o comandante e o Chefe do Estado Maior, este, à época, um oficial da reserva. Jaime Lerner trouxe para a Casa Militar o coronel Vieira que fazia as denúncias, como encarregado da área de orçamento, de irregularidades na gestão de Requião como a das aquisições de rádios-transceptores, calçados e das prestações de contas de uma grana informal que recebiam de agências do Banco do Brasil em troca de policiamento. A impressão que deu é que essas denúncias habilitaram o oficial ao posto e ele sobreviveu a crise como a do afastamento do coronel Bortolini, do Policiamento do Interior, e que teve a solidariedade do comandante Mainguê que se exonerou. A PM está minada em seus fundamentos e isso ficou visível nas manifestações das esposas de milicianos em atos de sublevação encarados com um ''fair play'' de altíssimo risco. Ao designar um oficial da hierarquia intermediária para um posto relevante o governador eleito homenageia alguém de sua confiança (esse capitão o ajudou como coordenador de sua segurança), mas mexe com tradições e fundamentalismos da corporação.
BIZARRICE O NovoMuseu é o símbolo mais adequado do governo Jaime Lerner: muita forma e pouquíssimo, quase nenhum, conteúdo.
AXIOMA É radicalismo demais chamar o Museu de sepulcro-caiado. Convenhamos, porém, que em qualquer sepulcro há pelo menos alguma coisa reverencial.
GLOSA Com um orçamento superior a R$ 10 bilhões, resta ao estado para investir pouco mais de R$ 300 milhões. É a máquina autofágica que produz receita, de forma voraz, para ela própria consumir. Um Moloch concreto.
EPIGRAMA Abriram procedimento contra um ministro do STJ sob acusação de ajudar o narcotráfico na concessão de ''habeas corpus.'' Assim mesmo seria ideal o ''controle externo''.
FOLCLORE Lula nem começou a governar e já chorou na hora da diplomação. Já o Fernando Henrique ri o tempo todo. Inclusive na despedida. E sabe por que.
CROMO Namorar à traição, sem que a amada o saiba, não é novidade. Edmond Rostand em ''Cyrano de Bergerac'' chegou à apoteóse do amor à sorrelfa ao substituir o narigudo apaixonado por alguém bonito. A fala e os versos ficavam ocultos na sombra: a timidez pode estar próxima da sublimidade. Todos os que amam às escondidas encontram no raconto poético uma compensação.
AFORÍSTICO Gestos ou cirurgia heróica tiram o Brasil da taquicardia cambial.
SCAPS Há um setor do PMDB que deseja ver Roberto Requião, logo de saída, virando a mesa ou nela dando um soco. A raiva é mais impaciente do que a fome: tem muita pressa, pressa demais.
ASTERISCO Governo Lerner faz festa com o fato de ter um Ibope com 5 de ótimo e 24 de bom, o que não é lá essas coisas. Aí os malandros somam os 49 de regular e dizem que ele tem 78 por cento de aprovação. Somar ótimo/bom com regular é coisa de garçom de boate que tasca o CPF, RG, placa de automóvel na conta do cliente, valendo-se da escuridão. Mais uma fraude apenas.
VINHETA Para marcar o Robinho só escalando o Rambo ou o 007. E olhe lá.

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