LUIZ GERALDO MAZZA
À imagem e semelhança
Pela composição dos quadros do futuro governo dá para perceber que terá um tom mais político do que técnico. Enquanto na gestão de Lerner havia claro equilíbrio entre os dois vetores, cuja dicotomia (a separação rígida como se não se submetessem à alguma interação) me parece discutível, percebe-se, já nas primeiras declarações, algumas retumbantes, do governador eleito que a sua via será a das ''atitudes'', tal como se dava com Alvaro Dias. Este respondeu pela maior parte da Hidrelétrica de Segredo, mas cresceu desmedidamente tanto na denúncia da formação de cartel pelas barrageiras como no andamento de todas as fases da demanda judicial. Só que no fim, o governo ''dançou'', já que Lerner, sob o fundamento de que perderia a batalha para a CR Almeida, fez um acordo ''módico'' de R$ 90 milhões com a empreiteira.
Como o governo que sai está em plena euforia com numerosas inaugurações, ainda que de obras inconclusas, o que lhe dá características de alta e não de declínio e melancolia, aos que entram só resta marcar posição. E ontem Requião anunciou que reunifica a Copel, vai pedir à agência reguladora (Aneel) que reveja as concessões, tanto as parcerias feitas em função do modelo nacional privatizante como os contratos de fornecimento de gás do exterior e também o de Araucária. Enfim, barulho. Se vai dar eco é que não se sabe, tanto nesse caso quanto no do pedágio e mais ainda o da ''limpa'' na Segurança.
De um modo geral há situações animadoras no quadro secretarial como a presença da economista Eleonora Fruet no Planejamento, Aldair Rizzi na Ciência e Tecnologia, Heron Arzua na Fazenda e o possível aproveitamento de Reinhold Stephanes, expert em administração e previdência. Enquanto a turma da ''banda de música'' é mais permeável ao agito e ao estilo belicoso do governador os mais qualificados servirão como fator de contenção e equilíbrio.
BIZARRICE Hoje é sexta-feira, 13. Não há por que se preocupar, pois ficar pior do que está é claramente impossível.
AXIOMA O governo de Lula pode ser tudo menos um FHC sem ginásio.
GLOSA Palocci está tão parecido com o Malan que lembra ventriloquia. É Malan saído de uma sauna. Vide a escolha no Banco Central.
EPIGRAMA O hábito das terceirizações na gestão Taniguchi está de tal forma generalizado que os catadores de lixo, responsáveis por 70% da coleta, querem reconhecimento e participação na bufunfa. Assunto por demais prolixo. Gente pobre, como sabeis, não ganha concorrência e nem financia eleições.
FOLCLORE Todo mundo achava que o Gerson Guelmann tinha dado uma ''bicicleta'' no governo Lerner e eis que ele aparece, enxuto, pedalando num parque e usando um ''kipá'' sobre a cabeça no último anúncio oficial, aquele em que o Jaime surge como um Jeová do Velho Testamento, logo na abertura.
CROMO Matinal e fresca, orvalhada e luminosa, como você haverá de ser à noite? Talvez como a flor ''a dama da noite'' que se transmuda no escuro.
AFORÍSTICO Um médico para a Fazenda como antes havia um economista na Saúde. E no setor de Obras no Paraná alguém ligado em ''pontes'' e ''restaurações''.
VINHETA Se o Lula, que tem uma raiz operária forte, pode convocar um empresário como o seu vice José Alencar por que não poderia o Requião trazer o executivo da Andrade Gutierrez, Caio Brandão, para a Sanepar?
SCAPS Dar água, leite e luz de graça - promessas do Requião candidato - pode ser mais complicado do que o ''Fome Zero'' do Lula, proporcionalmente, mas tem tudo para se transformar numa ''Fama Dez'' para o governante, se o fizer.
ASTERISCO Se o governo federal retomar as concessões do Anel de Integração feitas por Jaime Lerner pode-se dizer que vão se os anéis mas ainda permanecem os dedos no bolsos dos usuários na hora de pagar o pedágio.





