O gol contra de Lula


Lula se deu muito mal nos States: uma piada de mau gosto, e de péssima qualidade, botou a perder todo um esforço de reconstrução da confiança no País que vinha sendo feito pelo atual governo e por seus colegas da transição, em especial, o Antonio Palocci. Ao dizer que indicava um médico para a Fazenda porque afinal o País se encontra numa UTI fez mais mal do que se exercesse algum tipo de bravata autonomista diante do caubói presidente, como esperavam muitos dos integrantes da fauna mais radical do PT.

Foi um gol contra feito com requinte porque ele se achou muito seguro e em condições de fazer uma ''piadinha'' desastrosa. Adequadamente o jornalista Franklin Martins, que tem um histórico de esquerda tão ou mais relevante do que o de Lula, desancou, na Rede Globo, a imprudência e revelando os seus desdobramentos que podem até ser catastróficos, mediata ou imediatamente.

Se FHC, que é culturalmente sofisticado, deu mancadas como aquela de chamar aposentados de ''vagabundos'', com o que se autoflagelou, era preciso criar salvaguardas em torno do futuro presidente para que a língua solta não o acabe comprometendo em novas tiradas como aquelas que o identificavam com o jurássico Bovê a respeito da defesa do mercado de produtos agrícolas ainda subsidiados, afinal em direção oposta aos nossos interesses.

PERSONALISMO Não há identificação entre Lerner e Stalin, embora num campo isso se torne visível demais: o culto à personalidade. Ora o uso da imagem do governador é constitucionalmente proibido como propaganda, mas os gênios do ''marketing'' se acham acima do bem e do mal e colocaram, num dos últimos reclames da gestão agonizante, o rosto olhos em especial, talvez para a metáfora daquele outro do Niemeyer em primeiríssimo plano de Sua Excelência. Algo assim como a mensagem derradeira do ''transformador da realidade''. E o é substituindo-a pela fantasia, seja a do museu, seja a da mudança do perfil da economia que, de fato, se alterou, mas para ratificar que a nossa vocação originária no agronegócio é mais forte do que a badalação das montadoras, tão protegidas como criança prematura em incubadora de UTI pediátrica, como afinal os números da conjuntura o demonstram. O rosto de Lerner como se fosse aurora boreal é tirar qualquer limite da bajulação. Nem o Rei Sol o ousaria.

BIZARRICE O governador inaugurou cinemas no interior, como o São Carlos, de Andirá, sem o projetor. Ele está mais preocupado com a sua projeção.

AXIOMA Jamais teremos identidade como povo porque vivemos a badalar os adventícios. Faz-se um oba oba em torno do museu de Niemeyer e há verdadeira conspiração para ocultar o maior dos nossos arquitetos, Vilanova Artigas. Não se preocuparam com isso nem nas chamadas unidades de preservação. Felizmente Londrina tem a estação rodoviária antiga de sua autoria e em Curitiba há ainda o Hospital São Lucas. Os jogos das finais do Brasileirão são em obra dele, o Morumbi, um dos maiores estádios particulares do mundo.

GLOSA Há políticos que só serão serenos quando definitivamente mortos.
EPIGRAMA Pelo jeito Requião vai ter problemas de novo com o Judiciário e em especial se o trem da alegria dos cartórios for aprovado. Estoura de saída qualquer perspectiva de orçamento sob controle. Só em Curitiba a amostra de mais 24 varas cíveis sem previsão de quadros funcionais para atendê-las.

FOLCLORE Semana passada saiu um livro sobre a vida do Coronel Paula Soares, político da UDN, secretário da Fazenda, diretor do IBC, esportista ligado ao Britânia e que deu nome ao último estádio do clube na Fazendinha. Apelidado de ''coronel Botinha'', mestre na área médica da Universidade Federal, costumava tirar sarro de sua prole numerosa de onze rebentos, sugerindo que em sua casa um cacho de banana seria consumido num dia e que para ir à praia o ideal teria de viajar em microônibus com toda família.

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