LUIZ GERALDO MAZZA
Procura-se Requião
A ansiedade está próxima da paranóia: o assédio ao governador eleito está assumindo características de filme de perseguição do Chaplin e Jacques Tati.
E o senador ou está se divertindo muito ou faz o maior mistério em torno do seu domicílio. Procurá-lo na residência não pega bem, mas ir atrás daquela casa em cenário bucólico que Jaime Lerner teria lhe cedido no antigo Parque Castelo Branco é inútil porque ele não se encontra no local.
Como se houvesse uma espécie de caça ao tesouro, no estilo daquelas bem urdidas gincanas do Clube Curitibano, há expedições um fantasiado de Indiana Jones à frente devastando todos os pontos possíveis da Grã Curitiba. São os legionários da batalha destemida atrás de espaços nos vários escalões. Para ampliar o mistério e criar aquele folguedo do está quente e está frio dos meninos de antigamente sugerem que o governador eleito estaria muito perto do lugar em que Maria Bueno foi assassinada na véspera da invasão dos maragatos na capital paranaense em 1894.
Dada a indicação, haja corrida ao Museu Paranaense que infelizmente está fechado e em transição para o Palácio São Francisco, consulta ao Instituto Histórico e Geográfico, aos mestres de história, enfim verdadeira maratona cultural. Infelizmente para os interessados aquela linha vermelha do Rafael Greca que indicava pontos históricos não alcança a área desejada. A busca é intensa como se visasse o nó gordio, a pedra da roseta ou a espada de Dâmocles sustentada por crina de cavalo num tempo que não havia nylon.
Antes oculto do que solto por aí sofrendo prensa a três por dois, Requião está, como muitos dos seus adeptos nos anos de chumbo, dentre eles Marés de Souza e o Vitório Sorotiuk, num aparelho, provavelmente no centro da cidade. Pode até ser tudo muito sério, mas que é divertido é.
BIZARRICE As praias do Paraná estão para os governantes assim como alguns políticos estão para o Carnaval litorâneo: só aparecem maquiados e fantasiados de solução. De Luis Alberto de Freitas para a Rádio CBN, ontem.
AXIOMA Lerner prometeu engordamento da praia, mas só o fez para si.
GLOSA Requião prepara mostra ilustrada das 29 parcerias da Copel no NovoMuseu.
EPIGRAMA Se o delegado Adauto Abreu de Oliveira for nomeado para a diretoria geral da Polícia Civil fica bem claro o que Requião pretende da área. Para bom entendedor a designação do atual corregedor mostra que há confiança, sim, em pelo menos parte dos quadros e de um estilo comportamental.
FOLCLORE Éramos da Câmara de Expansão Econômica, que precedeu a Secretaria de Comunicação e estávamos eu e o Newton Stadler de Souza, já falecido, ex-presidente da Federação Nacional dos Jornalistas, em manifestação na frente do Palácio São Francisco por causa da prisão de colegas num auê contra o aumento da carne. Fomos fotografados e filmados, não imaginando que se tratasse de algo para o governo federal. Mais tarde o comissário policial Ascânio de Abreu, amigo pessoal de todos, foi revelar filmes e fotos em nossa repartição e tirou o maior sarro da entrega documental minha e do Newton e de tantos outros. Riu esportivamente, mas profissionalmente mandou o material para a frente. Estávamos nos anos 50, a Guerra Fria chocava o agito. Mais registros na ficha da DOPS, já na democracia getuliana.
CROMO A pomba da paz (poderia ser também o Espírito Santo) sangra nas penas alvas atingida por estilingue.
AFORÍSTICO Daniel Pisa, crítico de arte, pichou bem o NovoMuseu, lembrando que em certos aspectos esbarra no kitsch como tantas obras lernerianas. Disse que Niemeyer expressa o futurismo retrô e o Memorial da América Latina, de um solene mau gosto, em São Paulo, é um dromedário branco.





