Um novo Contestado


No primeiro Contestado em litígios com Santa Catarina levamos a pior e não apenas na batalha jurídica e política. Perdemos fragorosamente na questão cultural: os catarinenses nos dão um ''baile'' em bibliografia de ensaios históricos, artísticos e sociológicos sobre o tema. Tanto que contam com uma Universidade do Contestado, regida pelo mestre Nilson Thomé, talvez o mais dedicado estudioso de todo o manancial de implicações, cuja apreciação tem raízes antigas no processo da Revolução Federalista.
Se o primeiro Contestado versou sobre o continente, o de agora abrange área mais complexa: a do mar territorial para apurar a eventualidade de direitos na exploração da bacia petrolífera de Santos. Tínhamos um parecer do IBGE a nosso favor, mas uma ação dos catarinenses na Justiça obteve ganho de causa. A luta não é de hoje, todavia surpreende o fato de não haver mobilizado com a devida intensidade os nossos meios políticos e acadêmicos. Não se entra numa batalha dessas sem forte respaldo de ciência e tecnologia (áreas multidisciplinares) como no caso da geodésia e cartografia, das quais temos centro de excelência.
Somos extremamente desatentos em relação aos nossos interesses e perdemo-nos em preocupações menores como se viu nos precários ganhos que tivemos com terras inundadas para hidrelétricas, entre elas a de Itaipu, da qual recebemos ''royalties'' mais concretos do que os visados pela exploração petrolífera em nosso mar territorial. Santa Catarina está levando mais essa e a Procuradoria Geral do Estado propõe a isonomia entre estados na questão dos limites marítimos, tese que o deputado Gustavo Fruet vai transformar em projeto de lei. Por enquanto corremos contra o relógio, o que é lamentável.
BIZARRICE Italianos do norte, quando o vulcão entra em erupção, escrevem nas paredes ''Forza, Etna!''. Bronca diante dos ''meridionales'' é como a de torcedor de futebol. Palmeirenses diziam ontem que o Corinthians perdeu porque a sua concentração principal (Carandiru) havia sido implodida.
AXIOMA É simples segurar Robinho e Diego: uma cimitarra bem afiada resolve.
Se não dá para cortar as jogadas, corta-se, a um só tempo, os dois.
GLOSA Deputados não acreditam na independência da Assembléia, mas não desconfiam que essa consciência implica também numa questão de caráter.
EPIGRAMA Se fizerem nova e derradeira votação sobre a lei da Copel dá para perceber que as ''vaquinhas de presépio'' mugirão a favor do novo governo. Como o escorpião que picou o sapo que o ajudou a atravessar o rio e justificou que se tratava da ''sua natureza'' assim também a Assembléia Legislativa.
FOLCLORE A estética do feio é uma fixação dos basistas. Vide a lona preta dos assentamentos, a arte da Ferrovila. Algo nessa direção é pensado quase todos os dias pelos diluidores culturais do governo que entra. Já se pensou em fazer do NovoMuseu, aproveitando o ''olho'', o setor de Oftalmologia do Ipe que Requião deseja reabrir; aproveitá-lo para a mostra documental do Caixa 2 da eleição de Taniguchi ou ainda para exibir (arte conceitual) as 70 mil crianças que o governo Lerner diz ter retirado das ruas com as outras dezenas de milhares ficando na parte de fora aguardando a vez. ''Happening'' irretocável.
CROMO As estações de Boticelli, figuradas em rostos femininos, vagam por nosso meio e às vezes nem as captamos, a despeito de tanta luz.
AFORÍSTICO Dia 1º de janeiro de 2003, tapinhas nas costas no Palácio Iguaçu; dois dias depois o libelo acusatório das caixas pretas, o apocalipse.
FILIGRANA Lula e FHC nos Esteites: este para ser premiado pela ONU, aquele para ser premido pelo Bush.
SCAPS Olhe bem para quem está sorrindo. Talvez seja sequela de um derrame.

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