LUIZ GERALDO MAZZA
Processos contra executivos
Há uma represa de processos contra o senador Roberto Requião, alguns do tempo da Prefeitura de Curitiba como o decorrente de ação popular por ter recebido o 13º salário. O STF não lhe concedeu habeas corpus em processo movido por Lerner na campanha de 1998 sob a acusação de haver lhe ofendido a honra e muito menos o consequente pedido de arquivamento, que foi negado.
Agora o advogado criminalista contratado por Cassio Taniguchi quer recorrer a um habeas corpus, para trancamento de processo, no pedido aceito pelo TJ contra ele e a Risotolândia, recurso parecido com esse que visava beneficiar Requião.
O STF entendeu que a imunidade se restringe a declarações e votos dados na condição de congressista no caso do governador eleito e cabe agora apenas ao Ministério Público avaliar se houve ou não crime eleitoral e, aceita a denúncia, o processo correria pelo STJ, foro a que recorrerá também Taniguchi para tentar trancar o procedimento.
Nem sempre essas ações são julgadas rapidamente. A de Maluf sobre a doação de carros aos campeões da Copa de 70 só agora foi decidida, 32 anos depois.
BIZARRICE Requião vai localizar as 70 mil crianças que o governo Lerner tirou das ruas e exibí-las num espetáculo de ''arte conceitual'' no NovoMuseu como prova de que não tem má vontade com o antecessor.
AXIOMA Curitiba não é apenas a melhor cidade do Brasil para investir. É seguramente a primeira do mundo: quem dá à Renault toda a infra-estrutura de mão beijada e ainda por cima o governo entra com 40% do capital inicial?
GLOSA O prefeito de Foz do Iguaçu, Sâmis da Silva, quer que a CNN, rede de notícias norte americana, pague os prejuízos à cidade pela divulgação de que há terroristas na região. O filho de Jango, João Vicente Goulart, que andou por Curitiba nos últimos dias, contratou advogado, em nome da mãe e irmã, para processar o ex-embaixador no Brasil dos States, Lincoln Gordon, por afirmações consideradas difamatórias ao ex-presidente em livro. E depois, meus amigos, ainda há quem se espante com o fato de crianças acreditarem em Papai Noel.
EPIGRAMA PMDB reconhece que tem pobreza de quadros, mas nem por isso admitirá que tais quadros fiquem ricos no exercício do poder.
VINHETA Avanço em certos governos não passa de nome de um desodorante.
FOLCLORE Um governo essencialmente lúdico, o de Lerner: cria o pedágio que leva o usuário em cada guichê a levantar os braços como se ouvisse um ''mãos ao alto''; inventa o museu, uma festa de desperdício embora um pouco menos obscura do que a dos Jogos da Safadeza, e agora ainda lança o play-ground da ciência. Nabucodonosor ficaria com complexo de inferioridade.
CROMO A repórter da CBN na creche pergunta a um menino de seis anos o que ele desejaria no Natal. Com olhos cintilando como enfeite de árvore natalina a resposta direta: ''um emprego para o meu pai''.
AFORISTICO Quando a esperança é tão intensa, como agora em relação a Lula, o risco da frustração é maior e mais rápido. Políticos insistem em não entender que o ''possível'' nem sempre é dimensionado pelo ''desejável''.
ASTERISCO Que tal se Requião pedisse ao seu leal escudeiro Caíto Quintana que segurasse na Assembléia o trem-da-alegria dos cartórios? Por alguns momentos Caíto, que também é cartorário como o Hermas Brandão, com o Projeto de Organização Judiciária nas mãos, em lugar da caveira de Yurik, posaria de Hamlet declamando o ''ser ou não ser'' com sotaque gaúcho.
OPS Não haverá nenhuma novidade se não houver oposição na futura Assembléia Legislativa mesmo considerando as eleições municipais de 2.004.
APELIDO Não é só Paranaguá que dá apelidos. Em Maringá uma pessoa que tem pernas curtas é chamada de ''Mentirinha''.





