O ufanismo balofo


Volta e meia, ''pinçando'' alguns indicadores positivos, que aliás sempre tivemos, o governante de plantão vem com uma ofensiva triunfalista. Agora é a posição que o Paraná teria, conforme pesquisa da Simonsen & Associados, em termos de competitividade: já teria ultrapassado os gaúchos, o que não se deu ainda com o PIB, e estaria, em quarto lugar, a aproximar-se do Rio e de Minas Gerais que é o segundo.
Quando Paulo Pimentel foi governador um desses saques foi usado à exaustão com o ''teaser'' eufórico ''Paraná, segundo estado do Brasil''. Afinal se já era o segundo por que não o primeiro? Em IDH, Indice de Desenvolvimento Humano, perdemos, 36 anos depois, no sul, para Santa Catarina e Rio Grande. Esse tipo de onda contaminou até a área técnica e estratégica, talvez por imposição marqueteira, tanto que a Copel, aliás, botando o nariz em lugar que não lhe dizia respeito, fez uma previsão para o Censo Demográfico de 1980 de que teríamos 10 milhões de habitantes, referência até hoje não alcançada, e que ficou, conforme o IBGE (reconheça-se que o Ipardes não entrou no oba oba), em 7 milhões 650 mil.
Os mais recentes levantamentos de conjuntura mostram que o núcleo dinâmico da economia paranaense é o tradicional, o agroindustrial, que responde inclusive por mais de 50% da exportação e bate recordes de oferta de empregos. Já a ''menina dos olhos'' de Lerner, a indústria automotiva, acumula decepções que vão bem além da fuga da Chrysler: apesar de representar 8,4% da produção nacional, a oferta interna de componentes caiu de 14% (2001) para 8% (2002) e a necessidade de importados subiu de 35% para 37% e de aquisições em outras unidades federativas se elevou de 25% para 28%. O sonhado raio de autonomia, por esse nó desnacionalizante, ''dançou''.
Mas temos o maior museu da América Latina para manter o astral em alta.
GREVE Como outro dia, conforme pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes, CNT, o Paraná foi apontado como o estado com as rodovias em melhor situação do Brasil, o que causa espanto aos que viajam, novamente o governo se acreditou com ''indulgências plenárias'' suficientes para dar o aumento de 11% nas tarifas do pedágio, o que corta um pouco mais o embalo requianista de manter o clima de ameaça sobre os contratos, como fez na campanha eleitoral. Até uma greve estaria no ''disparo'' para os primeiros dias de dezembro com as mesmas características das anteriores.
BIZARRICE Performances vão ser uma das marcas do NovoMuseu e como na região não há segurança será possível assistir a uma perseguição de policiais contra sequestradores e tida como normal. Na entrada a polícia vai atrás, na saída corre da gangue que está muito mais bem armada. O turista inglês vai achar genial e lembrar que o ''happening'' é chapliniano.
AXIOMA O que impressiona é a renovação da equipe de Requião de 94 para cá.
GLOSA Mato Grosso do Sul para pagar o funcionalismo em novembro e dezembro mais o 13º vai levar os próprios barnabés a tomarem dinheiro emprestado em banco. Lá o governo é PT. Imaginem se houvesse isso com Lerner o escândalo que os petistas fariam. O Dutra, do RGS, também PT, quer rever o acordo com a União porque lhe falta caixa para o 13º. Façam o que eu digo...
EPIGRAMA Das 14 mil obras de Lerner nem 3% foram inauguradas. Como não vai dar tempo, o ato ficaria por conta dos novos governantes.
FOLCLORE Éramos centenas de estudantes protestando diante do então Palácio São Francisco por causa de prisões num tumulto em função do aumento da carne. Isso foi em 1951 ou 1952. O chefe da Casa Civil, Milton Carneiro, sugeriu que Bento Munhoz da Rocha fosse aos jardins do Palácio conversar com uma comissão. Bento teria feito uma ''banana'' para o seu amigo e auxiliar. A oposição disse, no dia seguinte, que o governador teria feito uma ''banana'' aos manifestantes.

mockup