LUIZ GERALDO MAZZA
Museu e ''mea culpa''
Está aí o lado melhor dessa obra faraônica, a última de Lerner e que por isso mesmo tem tudo do ''Baile da Ilha Fiscal'', o oba oba que precedeu o fim da farra da Monarquia: o NovoMuseu é a consolidação em concreto da omissão dos meios de comunicação e dos agentes políticos de oposição. Nesse ponto é pedagógico para mostrar como a sociedade se deixa tutelar e a própria mecânica do poder institucional se omite em suas responsabilidades.
Nem tudo que é belo é bom e muito menos como funcionalidade. Decidida de inopino, sem qualquer respeito aos planos de ocupação do Centro Cívico, a beleza e imponência da obra ofende por ter sido decidida como um édito real (até no regime militar havia mais cuidados com a opinião pública no esconder e revelar), ausente de qualquer previsão, tenta dar brilho ao fim melancólico de um ciclo de governo. Ela é essencialmente a expressão da prodigalidade e da subversão das prioridades, mas tenta se ajustar ao caráter publicitário dos feitos lernerianos: na hora do declínio, da saída, o fulgor da apoteose.
É, no entanto, pedagógica porque mostra a submissão da sociedade, o seu atraso (admite a invasão do Centro Cívico pelo circo dos sem-terra durante meio ano, aceita a agressão dos alambrados que dão ao local a expressão de um zôo gigantesco em torno dos poderes de Estado, omite-se diante do escândalo do mostrengo do Fórum degradado) em relação à tão decantada democracia participativa. Quando contemplarmos o ''olho'' do Niemeyer estaremos diante do espelho, flagrados como omissos, e se quisermos ir ao fórum para reclamar não poderemos fazê-lo porque é menos importante que o museu, está abandonado e corroído pelo tempo e a irresponsabilidade.
BIZARRICE Há quem diga que aquilo não é um olho, mas o umbigo do governante.
AXIOMA Depois da eleição do Derosso pela quarta vez só falta lembrar à oposição o lema do vereador Paulo Salamuni: ''sempre alerta''.
GLOSA Fala-se tanto em cultura, mas nenhum setor detém tantos espaços em Curitiba como se vê na dispersão das inúmeras unidades da Fundação Cultural, a maioria com programação fraca e com burocracia imensa.
EPIGRAMA Alex Beltrão, um dos agentes das mudanças que vieram com o neysmo, é também o que fecha o ciclo com o NovoMuseu, o que soa irônico, pois o roteiro se iniciou com rigor (planejamento, infra-estrutura econômica com estradas e energia nas prioridades) e se encerra com o voluptuário, o luxo.
FOLCLORE Se Caíto Quintana não emplacar na Casa Civil não há problema. Jamais se dirá que ficou na planície mesmo se, hipoteticamente, voltar ao Planalto.
CROMO Transição bonita, a da natureza: o botão que se faz flor, a ninfa que, depois de ter sido larva, sai ao espaço como borboleta.
AFORÍSTICO Transição feia e sem graça é a do Paraná: bravatas de lado a lado e muita dissimulação para enganar o pouco respeitado público.
VINHETA Em que sentido se pode dar o caráter estratégico ao museu? Da mesma forma que foram assim consideradas as pirâmides do Egito. Só que aquelas tinham um acervo, aliás dos mais bem conservados.
EFABULÁRIO Rubinho Ferreira, lá de Guaratuba, diz que o NovoMuseu vai ser transformado no setor de oftalmologia do IPE, na volta de Requião.
SCAPS Se a transição tivesse o ritmo da construção do museu todos os temas estariam pautados e criticados. Não há data para o reencontro porque os dois lados estão imaginando as mentiras que vão dizer. E isso é trabalhoso.
ASTERISCO Agora na fatura do telefone veio mais um presente: o seguro (há o alerta de que é opcional) de R$ 3,99. A maioria não presta atenção e acaba dançando. A BrasilTelecom agradece e o Procom nem se liga.





