LUIZ GERALDO MAZZA
Chega de fantasia
O simulacro de transição negociada e civilizada está chegando ao fim. Ontem, finalmente, a rapaziada entrou pela primeira vez no ''jogo da verdade'' e o armistício acabou suspenso. Uma coisa é decidida no interior da comissão e outra sai divulgada na mídia. Na sala o grupo que entra faz mesuras para o grupo que sai, só que a versão levada ao noticiário é outra, dando a nítida impressão de que quem governa não é quem está no poder, ainda que em trânsito, mas a oposição que chegou lá e ainda não assumiu.
Na ''diplomacia'' de conveniência o grupo comandado por Orlando Pessuti até parece haver cursado o Itamarati, o que não acontece fora da sala quando tudo lembra ambiente de sinuca com a arrogância desejando colocar o adversário em ''pacau de bico''. A propósito Aníbal Khury (é impossível falar em política e em sinuca sem lembrá-lo) era campeão do taco desde garoto quando saiu das cidades geminadas de Porto União-União da Vitória para São Paulo. Narrou, em suas memórias publicadas por Milton Ivan Heller, uma lição de humildade que recebeu ao enfrentar um maneta no bilhar. O homem pegou o taco e, sem acentuar as dificuldades de ter um só braço, limpou a mesa. ''Até hoje sinto nos tímpanos as tacadas certeiras do adversário, um arraso'' confessava o guru.
Quem está com a jogada no caso da transição é um mistério. Pelos jornais a impressão é de que o governo legal está em retirada, aparentando mais medo de si mesmo do que do time que ganhou e pensa já ter levado.
Como os que entram entendem que o governo atual está minando o terreno e aprontando armadilhas, o que seus integrantes afirmam com a maior convicção, embora não tenham provas inquestionáveis para dizê-lo, é visível que inexiste clima a não ser para o blefe. Blefar é preciso; ser verdadeiro, não.
BIZARRICE Repete-se com o Novo Museu o que houve com o de Arte, montado, às pressas, no governo de João Elísio: tiraram na marra acervos do Colégio Estadual do Paraná, do Instituto de Educação e outras dependências sem qualquer respeito aos doadores e proprietários para encher as salas do Palácio São Francisco. Só que agora houve resistência de agentes culturais do Estado e da Prefeitura de Curitiba que não se curvaram à vontade do governador.
AXIOMA Uma situação pirandelliana está armada: um museu, obra escultural, sem acervo. Um museu com elefantíase em busca de um acervo. Pressa dá nisso.
GLOSA O governo paranaense tem mais servo do que acervo.
EPIGRAMA O ''olho'' do museu de Niemayer é um símbolo: nas obras e ações deste governo faltam o olho atento e fiscalizador do povo. Pedagógico.
FOLCLORE A oposição municipal de Curitiba é incrível: não lê Diário Oficial e nem o e-mail dos vereadores e só descobriu tarde que hoje tem eleições na Câmara Municipal e que o time do Derosso leva outra vez.
CROMO Um museu lindo e sem obras pode lembrar a Bíblia e o túmulo caiado.
AFORÍSTICO A Ferroeste, como o museu, quando concluída, não tinha trens.
SCAPS Crítica de arquiteto sobre Niemayer: suas obras são para serem vistas e não utilizadas. É a dicotomia do estético-funcional.
VINHETA O encontro Requião-Lula é importante, mas não pode, como se sugeriu, ter ligação com disputas do PMDB. A fronteira da subserviência é tênue.
ASTERISCO Até na luta de box os pugilistas se cumprimentam no toque das luvas com muita elegância antes das pancadas. Tal qual a comissão de transição.
SILOGISMO No Brasil a esquerda, especialmente, sempre foi sinistrosa. Carrega no dado negativo a pretexto de conscientizar, o que é demagogia e populismo.





