Não é apenas o Denorex como produto químico que tem jeito e cheiro de remédio e não é remédio. Os chamados produtos –e hoje os personagens gostam de ser assim tratados pelos marqueteiros– da política paranaense padecem justamente dessa falta de identidade: uns, a maioria, são café requentado e os postos como novos parecem velhos precoces. Caso típico do Beto Richa.
Percebe-se por aí que o exercício da política, essa que exclui o povo das suas decisões, é também um cartório que ninguém praticava com a argúcia de Aníbal Khury e agora Hermas Brandão, aprendiz menor, quer adotar. Essa minoria tirânica se reúne em conciliábulos e decide ‘‘criar’’ um candidato. Em alguns casos, como nos de Alvaro e Requião, nem se trata de um grupo, mas tão somente deles, os interessados, que acabam se impondo. No de Greca, também.
Beto não é o primeiro político paranaense que depende de um ventríloquo ou de um dublador. Isso, porém, nem sempre soa como fator restritivo: Cyrano de Bergerac, narigudo, para dirigir-se à sua Roxana utilizava um homem tão bonito e jovem quanto o proclamado candidato do PSDB. Quem falava, porém, era Bergerac, um poeta na obra imortal de Edmond Rostand. No teatro moderno nem há lugar para o ‘‘ponto’’ que cochichava no palco da abertura em que ficava.
Quem falará pelo Beto Richa, eis a questão. E à moda de Hamlet poderá reproduzir à exaustão o ‘‘ser ou não ser’’ como um Denorex com fala.
BIZARRICE Carnaval para valer foi ontem na Argentina com o câmbio liberado.
AXIOMA Estão no disparo novas medidas beneficiando setores do funcionalismo estadual. Pelo jeito Lerner é candidato a presidente da ASPP.
GLOSA O PT no Paraná sempre agiu a reboque de Requião. Só que agora o PMDB pode intervir no Diretório Regional contra apoio indireto a Lula.
EPIGRAMA Foi contestada a escolaridade superior de José Serra. E aqui também vai ser criada a mesma contestação em relação a um candidato.
VINHETA E, cá entre nós, se um candidato a governador e outro a senador dependerem de dublagem e, ainda por cima, ganharem a eleição, imaginaram?
FOLCLORE Carlos Lacerda em debate. Seu aparteante diz: ‘‘Vossa Excelência é um purgante’’ ao que o ‘‘Corvo’’ respondeu: ‘‘E Vossa Excelência é o efeito!’’.
CROMO Quanto mais me afasto no tempo de sua imagem mais difícil se torna recompô-la: às vezes nem o retrato em sépia a reconstrói. Há algo de mistério e imprecisão nesse reencontro.
AFORÍSTICO E agora, com o retorno do governador do exterior, espera-se que finalmente tome posse e dê um sinal para o fim da greve intolerável.

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