Luiz Geraldo Mazza
Quem está mais forte: o governo ou a oposição? Apesar da greve universitária, um dos mais agudos exemplos de intolerância da história paranaense, e das ações em preparo na polícia civil para uma parede, a oposição continua fornecendo nutrientes ao situacionismo. Lerner retorna à ofensiva publicitária com o que tenta sinalizar a recuperação do tempo perdido e se empenha em pasteurizar a imagem, ora agredida, a lembrar reboco de igreja velha.
O festival de personalismo está mais na oposição, onde Alvaro Dias e Rubens Bueno, criador e criatura, querem a aliança PDT-PPS, desde, porém, que ambos sejam os escolhidos. Requião está na retranca, dependendo do cenário que irá predominar no PMDB, provavelmente governista, daí a sua cautela.
Único fator de desagregação no situacionismo é Rafael Greca que se tivesse o poder de Requião no PMDB, com quem é tão parecido na prepotência, já teria liquidado a fatura. Como o próprio PFL nacional teria o deputado federal como solução secundária, as coisas não parecem facilitadas. Apesar dos desgastes que Taniguchi (caixa 2, IPTU) e Greca (passagem no Ministério e os desastres dos 500 anos, incluindo o da Nau Capitânea) acumulam, a oposição não está forte como se imaginava e não consegue a hegemonia imaginada.
O plano de saúde gratuito dos servidores estaduais, ontem anunciado, é um sinal da ofensiva lerneriana e que conflita com o proclamado empenho de evitar lesões à Lei de Responsabilidade Fiscal, seu escudo contra greves e aumentos. Se funcionar, é uma forma de salário indireto e um gol de placa.
BIZARRICE E agora, depois das mortes dos prefeitos de Campinas e Santo André, o PT e a Igreja vão pedir a extradição dos sequestradores, como fizeram no caso dos bandidos, tidos como românticos, que constrangeram Abílio Diniz?
AXIOMA Saúde do funcionalismo de graça: se a turma resistiu até agora com salário arrochado e sem assistência é porque não há o que a derrube. Isso pelo menos em relação aos que milagrosamente sobraram.
GLOSA ALL, como Taniguchi, precisa de descarrego urgente: além do incêndio nos tanques de óleo diesel em Paranaguá houve descarrilamentos ao norte. Nesse caso, sempre alega falha humana, nunca o mau estado da via permanente.
EPIGRAMA Carnaval para valer foi esse do IIº Fórum Social em Porto Alegre.
FOLCLORE Sequestrador se passar por guerrilheiro, para obter empatia e tolerância pela origem política do crime, poderia ser também adotada pelos terroristas, o que é de uma sordidez sem tamanho. Da mesma forma que atribuir à tortura política uma relevância maior do que a feita contra o pé de chinelo.
CROMO Ninho de passarinhos no chapéu de palha do espantalho: lira na lavoura.





