Vítima do próprio veneno


É óbvio que as transnacionais, que injetam bilhões na economia brasileira, olham com restrições a figura de Lula. Isso até poderia constituir-se num fator chave de alavancagem de sua candidatura, mas que o colocaria no nível de figuras como Chávez, da Venezuela, populista delirante e nacionaleiro. Aliás fazendo agrados a Fidel e a Chávez, como paradigmas, Lula marca pontos na ala da esquerda festiva, mas cria dificuldades a setores modernos do PT que sabem que fanfarronada e bravata nada resolvem.
O esforço para tornar-se palatável é compreensível, todavia incorre em exageros como esse das férias em Búzios na casa de um amigo ricaço e que reproduz aquela situação quando desfrutava do domicílio de um compadre que prestava consultoria a prefeituras do PT em São Paulo. Vítima do próprio veneno, o do ‘‘marketing’’ primário do moralismo udenista, algo inaceitável num partido de esquerda, e o melhor de que dispomos, Lula amarga hoje uma situação paradoxal: a de estar com os maiores índices de rejeição nos pólos em que o partido foi vitorioso, como em São Paulo e Rio Grande do Sul.
Esse pendularismo entre uma postura pragmática, tal como a aconselhada pelos marqueteiros e assistentes da área econômica, e o eticismo radical coloca sob risco o projeto de um governo alternativo, aliás não bem definido e confuso.
Mitrídates, o monarca da Grécia, costumava beber doses pequenas de veneno para vacinar-se contra os envenenadores da corte. Contra o moralismo não há vacina porque todo engajamento nessa direção é falso porque dá choque anafilático.
BIZARRICE Reforma administrativa de Lerner é o cupincha e amigo acima do arco partidário que o sustenta. Por isso só pode ser meia-sola.
AXIOMA Requião diz ter produzido 40 mil exemplares dos registros do caixa 2. Na época do Ferreirinha disse o mesmo sobre o número de vídeos que montara quando a Justiça os bloqueou. O repeteco é algo que cansa, exaure.
GLOSA Apesar de bombardeado pelo dossiê das Ilhas Jersey, Maluf lidera a lista de intenção de votos para governador em São Paulo. A razão é menos por ser vítima do que pelo fato de aparecer como antípoda do PT.
EPIGRAMA Coonestar e contestar podem ser alternativas da imprensa?
FOLCLORE Nepotismo esclarecido é esse: colocar como delegado do atentado contra Dalledone, genro de Quintana, Miguel Stadler, cunhado do deputado.

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