Um balanço pendular

É tempo de fazer balanços, ainda mais com a aura do terceiro milênio. O Paraná, diz o governo, se saiu melhor do que o Brasil com a expansão do seu Produto Interno Bruto. Em inúmeros indicadores o Paraná se sai melhor do que o conjunto do País nas médias. Só que politicamente o presidente FHC apresenta, até pela complexidade dos seus encargos, melhor desempenho do que o do nosso governador em termos políticos sob o aspecto da recuperação, pois já esteve praticamente no fundo do poço.
Assim, pois, se há motivos de ordem econômica, mais, é claro, do que os de natureza social, para colocar a gestão num patamar elevado, é surpreendente a incapacidade oficial para deter a onda de baixa credibilidade que o atinge. Não se trata apenas da deficiência de comunicação, na qual as ações anteriores de Lerner se mostraram insuperáveis tanto como prefeito da Capital quanto nos primeiros anos da sua administração, em primeiro turno. Na verdade há uma continuidade entre os períodos nos ganhos, mas a deterioração se iniciou logo no primeiro ano da reeleição. Vieram os efeitos da rapinagem no Banestado e as loucuras subsequentes dos Jogos da Safadeza e, na continuidade, o preparo da privatização da Copel, aprovada antes, com maioria folgada, diante de uma oposição dorminhoca e oportunista que despertou pouco antes do leilão.
Além da comunicação, que perdeu embalo porque escassearam os recursos (só no primeiro período foram R$ 500 milhões em quatro anos, o que levou o jornalista Abdo Aref Kudri, presidente do sindicato de jornais, a fazer uma interpelação pública ao governo porque os veículos não teriam visto nem o dízimo dessa grana) houve uma espécie de tédio do poder e que parece ter contagiado sua equipe. Hoje, convenhamos, parece mais embalado, com maior elan, como costuma dizer o ex-secretário Tato Taborda. O tempo é curto para a recuperação. Mas não é impossível. E não há alternativa: é preciso tentar.
BIZARRICE A arma usada contra o deputado Tiago Amorim exige presença da Polícia Federal, o que nada tem a ver com o desejo político de Caíto Quintana nessa intervenção. E o governo tem que entender essa circunstância.
AXIOMA A crise argentina espanta o turismo das praias catarinenses? O fato é que a ''dolarização'' praticada também lá (aluguel de casas, diárias em hotéis e pousadas) estava atingindo dimensões intoleráveis. Pode amainar.
CROMO A borboleta amarela (Rubem Braga) e a azul (Daudet) à minha frente.


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