LUIZ GERALDO MAZZA
Campanha acidentada
Claro que nenhuma das campanhas é tão acidentada quanto a do ex-presidente Lula. Mas assim mesmo ela anda, ainda que esteja preso. Outros não sabem se sairão ou não para a disputa, o Delcídio do Amaral, que absolvido se acha no domínio dos seus direitos, e na lista está o Aécio Neves às voltas com denúncias renovadas.
Beto Richa não se safou daquele processo da 48ª etapa da Lava Jato e que Sergio Moro, contra a vontade do Ministério Público, transferiu para outra vara federal. Pode ser convocado a qualquer momento, tudo dependendo do que foi dito na delação do ex-diretor do DER e um incidente de menor porte, que não passou desapercebido pelo Ministério Público, aquele do pit stop em Paris, cujo julgamento foi adiado várias vezes, se consumará no fim deste mês, no qual ele e a ex-primeira dama, Fernanda, estão enquadrados.
Tudo isso decorre do Brasil novo, das mudanças comportamentais surgidas do mensalão para cá e aprofundadas severamente com o petrolão, no qual o ex-governador também aparece na lida com rodovias pedagiadas em favor da Odebrecht.
No curso da campanha as referências a processos judiciais serão inevitáveis, especialmente nas eleições majoritárias do governo e Senado. Além das dificuldades que precedem a convenção do PSDB e as alianças cogitadas, Alckmin ouvirá referências a ele e a José Serra tanto no caso dos trens e metrôs quanto no do Rodoanel, e Beto Richa viverá sob o impacto de processos como os da "Publicano", que apanhou parte da hierarquia fiscal metendo a mão no jarro, e da "Quadro Negro", da roubalheira dos desvios em construções escolares.
Feito policial
Ainda ontem tivemos mais explosões, em número de três, de caixas eletrônicos, mas para equilibrar o jogo a polícia prendeu em São José dos Pinhais pela manhã três suspeitos que pelo equipamento que dispunham como explosivos, radiocomunicadores, colete à prova de bala atuavam tanto no assalto a carro forte como a caixas eletrônicos. Compensou pelo menos o feito dessa prisão, já que a cada ataque a caixa eletrônico a sensação que fica é a de impotência e neste caso há o sinal evidente de uma resposta. Pelo menos isso para restabelecer o perdido sentimento de segurança da população.
Pereirinha
O advogado paranaense Luiz Fernando Pereira se recusa a alimentar qualquer especulação em torno de possíveis divergências com o ex-ministro Eugênio Aragão e relata que desenvolveu a sua tese em cima de uma ação do MBL contra o ex-presidente, de quem recebeu procuração específica para agir. Recusa-se, portanto, a adensar o festival de egos na passarela da fama. É uma pessoa discreta em que pese os inegáveis talentos.
O fato é que já escalaram uma equipe de bombeiros para aplacar essa disputa e a outra, muito mais séria, entre Cristiano Zanin e o ex-presidente do STF, Sepúlveda Pertence. Mediadores sugerem, neste caso, que Sepúlveda atue nos tribunais superiores e Zanin na primeira e segunda instâncias.
Centrão
Com a aproximação, ao menos dos últimos dias, do "centrão" com Ciro Gomes, do PDT, tenta-se desqualificar o candidato como de esquerda no alarido das conversações. Se isso acontecer reduz-se consideravelmente a hipótese de o lulopetismo a ele vincular-se mesmo em hipotético segundo turno. Como sempre as lembranças do golpe contra Dilma Roousselff dos aliados de conveniência.
Médicos no ataque
Ainda inconformados com os atos de Rafael Greca na entrega de serviços médicos a Oscips e a qualquer forma de terceirização, foram à Justiça do Trabalho e obtiveram liminar que proíbe o tipo de relação assentado para gerir a Unidade de Pronto Atendimento, UPA, da Cidade Industrial, que está fechada há dois anos. A prefeitura vai recorrer porque a orientação é centrada na dura realidade fiscal e na baixa de custos operacionais.
Acordo branco
Ratinho Júnior teria firmado um acordo branco com Beto Richa, após haver tentado aproximação com Alvaro Dias com a supressão de Osmar Dias. Por essa manobra, Fernando Francischini deixaria de disputar o Senado. Era o que fluía nos bastidores ontem e o isolamento de Ricardo Barros com sua candidatura presidencial facilitou a manobra. A fase é de se agarrar em fio desencapado.
Fica, Tite
Tentativa de atenuar o "marinês", a linguagem um tanto rebuscada da ex-senadora e ex-ministra Marina Silva, vai marcar daqui para a frente o estilo da candidata presidencial e ela deu demonstração disso fazendo metáfora com o futebol: "Na política eu sou contra reeleição, mas no futebol, fica, Tite!"
Folclore
O ex-ministro do Trabalho, Helton Yomura, afastado por suspeita de envolvimento nos esquemas de fraude e desvios, decidiu colaborar com a Operação Registro Espúrio, muito próximo de Roberto Jefferson e da filha dele, deputada Cristiane Brasil. Jefferson está agora na defensiva, mas no mensalão acabou, tortuosamente, no ataque numa emulação de Egos com o operador mor, Zé Dirceu.





