Cautelas indispensáveis
Mais uma vez é evidenciada a vulnerabilidade da Copel a operações ruinosas, desta vez com a sua subsidiária Uega (Usina de Eletricidade e Gás de Araucária), aquela que Requião dizia que iria explodir. Pagou uma pequena fortuna da ordem de R$ 11,8 milhões a escritórios de advocacia e de investigação para descobrir o destino de R$ 160 milhões que fazem parte do lucro da Uega, patologia descoberta apenas em outubro do ano passado no fechamento das contas. Soma-se isso a tantos episódios anteriores como o, só agora julgado, daquela operação de recuperação de créditos Copel-Olvepar e daquele absurdo que era o presidente da elétrica acumular o posto de secretário da Fazenda. Há necessidade de órgãos de controle internos para monitorar procedimentos e evitar aventuras que nada têm com as finalidades da estatal, como a desastrosa participação numa licitação de estradas pedagiadas no governo Requião.
Não é um acidente o fato de as estatais, notadamente a Petrobras, estarem no olho do furacão da Lava Jato. Especialmente vale para as nossas duas, Copel e Sanepar, área de cabide de empregos como se viu na demissão de "executivos estratégicos" recebendo fortunas como compensação política e demitidos pela governadora Cida Borghetti depois de denúncia do Ministério Público que atingiu trinta comissionados.
Uma das tradições, mesmo no tempo em que o Paraná tinha governo operoso, era colocar o conjunto de estatais Copel-Banestado-Badep a serviço da ação política.

Saúde zero
Em oito anos o Sistema Único de Saúde, SUS, perdeu no Brasil nada menos de 34 mil leitos, muitos deles em áreas dramáticas da pediatria e psiquiatria. Essa perda só na capital foi de 23%, chegando a 1.671 unidades. Como se já não bastasse a condição dos postinhos e UPAs, Unidades de Pronto Atendimento, e falhas gritantes como as visíveis agora, em escala nacional, do programa de vacinações, área da profilaxia. Em nosso caso há a acrescentar a crise do Evangélico, à véspera de venda, que é um dos que mais atende o SUS.
Com todas essas deficiências, o ex-ministro da área, Ricardo Barros, propõe o seu nome ao PP como candidato presidencial, prova de confiança na sua atuação.

Dúvida
A surpreendente resposta dos encontros políticos em Santa Catarina entusiasmaram de tal maneira o senador Alvaro Dias que viu aí um argumento a mais para reagir ao cerco dos que desejam fazê-lo vice de Geraldo Alckmin. Alvaro tem condições de liderar a disputa no Paraná e ter bom desempenho em todo o sul. Se aderir a vice de Alckmin reduz significativamente o baixo astral da campanha do ex-governador paulista.

Riquixá
A longa e novelesca operação "Riquixá", deflagrada pelo Gaeco, voltada ao exame de fraudes em licitação de transporte coletivo não apenas no Paraná (Curitiba, Maringá, Foz do Iguaçu, Guarapuava) como em outros pontos do país está chegando nos finalmente, como dizia o coronel Paraguaçu e na capital enquadrou figuras do primeiro time, pelo menos catorze delas, das empresas e órgãos mediadores como a Urbs. O sistema de Curitiba é fortemente pactual, daí a sincronia de ações entre empresas, sindicato de trabalhadores (muitas vezes as greves não passam de locaute) e poder concedente. Houve uma época, lá atrás, de 1955 a 1960, em que conflitos chegaram ao ponto de as permissionárias esconderem os ônibus da cidade, tanto sob Ney Braga quanto por seu sucessor general Iberê de Mattos. Aos poucos se ajustaram e de tal forma que o pacto absorveu inclusive cinco anos de congelamento tarifário com Beto Richa que ainda criou a tal domingueira, a liberação dos ônibus no fim de semana a R$1 e só se obteve o reequilíbrio financeiro numa das tarifas mais elevadas de todo o Brasil, de R$ 4,25. Também a derradeira licitação, que consolidou os mesmos operadores, foi muito discutida, mas não devassada e parece que agora tudo tende a esclarecer-se. Se isso acontecer a mais célebre caixa preta municipal se abre e quem sabe, como a bolsa de Pandora, traga ainda mais inquietação.

Tempos novos
Executivos financeiros de campanha eleitoral aparecem entre os atingidos pela "Riquixá" e até a ex-primeira dama Fernanda Richa teve que dar explicações ao Ministério Público por causa das relações intrafamiliares com o casal Maurício Fanini, figura-chave da operação do Gaeco "Quadro Negro", que tratava dos desvios nas construções escolares e agora é examinada também na justiça federal.

Absolvição
A absolvição de Lula, do ex-senador Delcidio do Amaral, de José Carlos Bumlai e do banqueiro André Esteves por falta de provas convincentes revela de um lado os descuidos de investigação tanto da polícia como do Ministério Público e ainda a imparcialidade dos julgamentos como se deu também no da senadora Gleisi Hoffmann, beneficiada por unanimidade na segunda turma do STF pelo mesmo argumento: ausência de matéria comprobatória para respaldar delações premiadas.

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