Queda na Lava Jato?
Mais um golpe no ciclo punitivo: o juiz federal de Brasília, Ricardo Leite, absolveu Lula, José Carlos Bumlai e o ex senador Delcídio do Amaral e outros em caso de obstrução da justiça no episódio Nestor Cerveró, com fundamento na inexistência de provas, além da mera delação, fator que recentemente foi reconhecido em favor da senadora Gleisi Hoffmann e por unanimidade na segunda turma do STF. Pelo jeito, está havendo maior rigor na análise da questão probatória na primeira instância em função também da perda de densidade da Lava Jato e das suas contradições internas. Favoráveis, porém, ao fluxo punitivo as intervenções da Procuradora Geral da República, Raquel Dodge, ao pedir no STJ o enquadramento do desembargador Rogerio Favreto pelo crime de prevaricação, agindo na liberação de Lula por interesse essencialmente pessoal, e também da presidente do STJ, ministra Laurita Vaz, condenando a manobra do plantonista e negando 143 habeas corpus em favor do ex-presidente. Também a providência da juíza Carolina Lebbos, responsável pela execução da pena do ex-presidente, foi nesse sentido ao vetar entrevistas e gravação de vídeos para a campanha. Negou, ainda, como decorrência dos mesmos motivos, o comparecimento de Lula presencialmente à convenção nacional do partido.
Aliás, em termos de economia processual bastaria um pronunciamento do Judiciário sobre a aplicação da Lei da Ficha Limpa e o auê se extinguiria sem discussão sobre a sexualidade dos anjos.

Vice é problema
Nas referências a problemas com vice governador tivemos o racha entre Requião e Orlando Pessutti, no segundo mandato tudo bem, no terceiro, o choque. Tivemos ainda o caso Alvaro Dias, que tinha como vice Ari Queiroz e que junto com Aníbal Curi defendia José rixa, e ao governador restou abrir mão da candidatura fácil ao Senado e ficar no posto defendendo o candidato Requião, ainda por cima beneficiado pelo estelionato Ferreirinha para detonar José Carlos Martinez. E antes de derrotar Martinez houve a campanha massificada contra a pensão de José Richa, comandada entre outros pelo Luis Claudio Romanelli, que o excluiu do segundo turno. Um vice que ajudou foi Mario Pereira, comandando ao lado de Osmar Dias, secretário da Agricultura, as reações contra a cassação por unanimidade pelo Tribunal Regional Eleitoral do mandato de Roberto Requião.

A onça e a criança
Enquanto Cascavel faz de tudo, inclusive armadilhas, para capturar a onça preta que andava por suas avenidas, como as gravações o demonstraram, a polícia do Paraná, em Curitiba, encontrava nas ruas desamparada uma criança de três anos de idade que se desgarrara dos pais.

Pendular
Virou mania agora cobrar estatística dos efeitos econômicos e sociais do caminhonaço e nas perdas industriais o Paraná aparece com queda de 18,4%, em segundo lugar, logo atrás de Mato Grosso, com 24,1%. Houve queda em 14 dos 15 estados pesquisados, mas no cômputo geral de janeiro a maio houve um ganho de 2%. O impacto é muito grande com sequelas na inflação e no PIB, mas segundo a Fecomércio no varejo houve alta de 1,59% no Paraná, entre abril e maio, e de 4,65% em Curitiba. O pior é que deram uma anistia aos caminhoneiros no Congresso Nacional das multas a que estariam obrigados ao mesmo tempo em que levavam a melhor no tabelamento do frete. Bobeou e o populismo calhorda faz o mesmo com os delinquentes da Lava Jato, colocando-os a salvo de qualquer punição. Afinal estamos no Brasil.

Reajuste pós eleitoral
Apesar de toda energia despendida, a batalha do reajuste do funcionalismo terá algo mais do que o recesso parlamentar pela frente, já que só será pautado depois das eleições, o que não evitará a sua discussão e o papel desempenhado pela governadora e pelos deputados que queriam dar 2,76% pra todo mundo. Quem levará a melhor: a austeridade ou o desbloqueio do padecimento dos barnabés?

Folclore
Diz o refrão brasileiro que um é pouco, dois é bom, três é demais. Pois pelo jeito corremos o risco de dois postulantes presidenciais do Paraná: o senador Alvaro Dias, que é persuadido a ser o vice de Geraldo Alckmin e reage negativamente, e agora o deputado federal Ricardo Barros, que colocou a sua postulação no seu partido, o PP. Pelo jeito, o Paraná já está esnobando: mostrou com a Lava Jato ter perdido a histórica timidez figurando dos dois lados, na acusação e entre os indiciados, e agora essa de fazer da campanha presidencial um Atletiba provincial. Já haverá aqueles que interpretarão o gesto de Ricardo Barros como mais uma evidência de nossa compulsão pela autofagia, outro arquétipo constantemente suscitado em rodas acadêmicas e nas de botequim.

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