Malazarte e Belazarte
Pedro Malazarte é um personagem mítico do anedotário brasileiro, Belazarte era uma referência em críticas literárias e antropológicas de Mario de Andrade, líder da semana de arte moderna. Para o lulopetismo, de um modo geral, o plantonista do TRF-4, Rogério Favreto, tem tudo de um Malazarte como expressão-síntese de anedota, mas é olhado como um herói no saque do último domingo ao admitir a liberdade de Lula pelo fato novo de ser postulante à cadeira presidencial, como se esse suposto estatuto superasse o de condenado.
Capta-se aí como o mundo jurídico com todas cautelas é vulnerável ao mais baixo e vil rumo das rabulices. O pior é que tão expressa a impropriedade dos meios adotados tentou-se farta teorização acadêmica em cima do tema, abstraída a sua inocuidade de jogada circense. Foi o caso mais agudo até agora de politização judicial e o mais incrível é que esteja fundamentando representações no Conselho Nacional de Justiça contra juízes e desembargadores, quando deveria focar apenas a intervenção maliciosa do plantonista como ficou claro na negativa (mais uma) de habeas corpus a Luiz Inácio Lula da Silva da presidente do STJ, ministra Laurita Vaz, que chamou aquela intervenção, desastrosa e caricata, de teratológica.

A questão do vice
Hosken de Novaes, quando levado a vice de Ney Braga em seu retorno ao governo pela via do Colégio Eleitoral, costumava dizer sobre o seu papel que era o de recolher-se à própria insignificância, num gesto de humildade. Mas vice é sempre um problema: vide o caso mais recente de Michel Temer ou no passado distante o de Café Filho na substituição de Vargas, meio parecida com a que se seguiu à queda de Dilma Rousseff.
Osmar Dias carregou uma cruz com o vice, Derli Donin, que tinha sido prefeito de Toledo e dotado de uma ficha respeitável de fatos negativos. Osmar, como se fosse o personagem do faroeste italiano, o Django, a carregar um caixão mortuário não com uma metralhadora mas com o tal companheiro de chapa que o fez afundar na eleição, sujeito aos ataques de um desses laranjas de micropartidos que podem decidir eleições, tanto como as fake news.
Notícias negativas sobre o presidente licenciado da Fiep, Celso Companholo, divulgadas ontem pela "Veja", que poderia ser o vice de Ratinho Júnior, criaram um impacto no meio político e obrigaram ao raciocínio sobre o papel desse substituto do titular. Aqui no Paraná a tradição tem sido a de compor ajuste geopolítico intrarregionais: governador metropolitano, vice de Londrina como no caso de Lerner-Emília Belinati ou de Cascavel com o Mario Pereira compondo com Roberto Requião ou o derradeiro Beto Richa-Cida Borghetti, a primeira vez em que a dupla era do setentrião, mas com o toque curitibano nas duas eleições do londrinense como prefeito da capital. Normalmente não há divergências como no plano federal (Getúlio-Café Filho, Janio-Jango e Dilma-Temer, às vezes até configurando "golpe"), mas pequenos, mínimos atritos, como os de agora entre Cida e Beto alimentam a ideia de conspiração.
Nem a eleição direta do vice, como se deu com Jango em relação a Jânio, é suficiente para afastar tais temores. Se prevalecesse o mecanismo atual, Milton Campos, vice de Jânio, não ensejaria a reação militar e talvez nem tivéssemos a quartelada de 1964.

Estradas
Houve uma queda tanto em número de acidentes nas estradas federais como em termos de mortalidade. No primeiro semestre do ano passado tivemos 335 mortos em acidentes, e neste ano, segundo relatório da Polícia Rodoviária Federal, 228, isso é 32% menor.

Transporte
A comissão encarregada de opinar sobre a concessão do transporte coletivo em Londrina optou por nova licitação. Repete-se o ocorrido em Curitiba e com as empresas se mantendo no serviço como de resto se dá com o sistema de transportes interestaduais ou intermunicipais com fatores locacionais beneficiando os permissionários. Se contam com frotas de ônibus, garagens, oficinas de manutenção e às vezes a sofisticação da central de compras, levam de cara esses fatores de permanência. Joga-se muito com aparências, como quando ameaçam, como se fosse uma revolução, a licitação das linhas e a realidade é que as coisas não mudam. No caso de Curitiba é visível que o oligopólio tem características de cartel em que pese a diferença de porte das coligadas. Já foi levada ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica, Cade, a consulta sobre se há ou não cartelização e até hoje não houve resposta. O cartel, cada vez que se vê ameaçado, entra na Justiça e tanto que dispensou as empresas de renovação de frota alegando desequilíbrio financeiro. Na capital houve um fato gravíssimo, que acentua o caráter pactual dessas relações no fato de que durante quase cinco anos, sob Beto Richa, não ter havido reajuste tarifário. Um dia tinha que estourar e houve no último reajuste que fez da tarifa de Curitiba uma das maiores do país.

Folclore
Além da força de Ney Braga, o fato de Paulo Pimentel ter colocado em 1965 o engenheiro e ex-deputado federal Plínio Costa como seu vice foi fundamental na vitória contra Munhoz da Rocha. Nem é preciso que o vice tenha viço, mas que a composição leve em conta fatores geopolíticos. O vice de Pimentel tinha sido na eleição anterior o terceiro lugar para o governo. Ney Braga à frente de Nelson Maculan, isso em 1960.

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