Apenas uma provocação
Provocação faz parte do espetáculo: pode ser numa defesa de tese acadêmica ou num debate cultural. Pode ser sutil ou grosseira, casca grossa, como essa do desembargador de plantão que viveu seus momentos de glória no domingo ao conceder liberdade ao ex-presidente no TRF4. A despeito do absurdo da decisão, o desembargador Rogério Favreto manteve suspense que nos foi negado no meio da semana na Copa do Mundo.
A despeito de a matéria ter sido ratificada tanto pelo tribunal revisor como pelo STF e STJ, ela investiu contra a hierarquia do sistema e chegou ao extremo em politização do Judiciário, adensando o acampamento lulista até mesmo depois da inevitável confirmação da manutenção do cárcere. Entre as joias dos argumentos, a de que o ex-presidente é candidato e detém o pleno exercício de sua postulação. Aquilo que era metáfora nos balões críticos e tinha sentido alegórico, o pixuleco, de uniforme presidiário, é a nova tese do Luz Fernando Pereira, que a defende como um Ulpiano envergando as Pandectas nos braços.
Por mais talentosa que seja a teoria, até mesmo inovadora, ela não resiste à Lei da Ficha Limpa, aquela que o próprio Lula assinou, o que porém se recusou a fazê-lo, juntamente com a bancada do partido, relativamente à Constituição. Mais uma vez o juiz Sergio Moro, por excesso de zelo, como já havia errado no caso da tornozeleira em Zé Dirceu, interveio desastradamente na questão, o que será usado contra ele na versão costumeira de que é um perseguidor do anjo barroco misto de padim Ciço, e pior do que o inspetor Javert no encalço de Jean Valjean por haver roubado um pão em "Os Miseráveis" de Victor Hugo.
O fato é que o impulso do plantonista tem origem em atos praticados, e de forma constante, no próprio STF, principalmente na 2ª turma, nos quais é visível que os ministros tomam partido nas demandas como se estivessem alinhados a uma causa e levando para o augusto plenário um pouco da emulação que divide o povo brasileiro. O que não tem mais sentido é a impessoalidade porque mesmo quando o divisor de águas é a condenação pós decisão de segunda instância não se trata em si do tema mas do próximo e beneficiário Lula.
Não há o menor brilho no embate sobre a prisão de Luiz Inácio Lula da Silva e as situações criadas ganham conotação de teatro mambembe e de circo.

Matemática
Ficou demonstrado nas análises do Enem, Exame Nacional do Ensino Médio, que há brutal distância de até 67% entre o desempenho dos alunos das redes estaduais e os da escola privada no ensino da matemática. Falta de professores atualizados seria uma das causas. Escolas públicas abrigam 8 de cada 10 alunos do ensino médio, o que dá a dimensão exata da tragédia. Isso aí jamais foi tema de avaliação em reuniões da APP-Sindicato.

Demagogia
A despeito de saberem que não há como juridicamente estender aos servidores do Executivo os 2,76% das demais instituições, a soma de oposicionistas e bancada independente montou emenda nesse sentido e que contaria com a adesão de 31 parlamentares. É uma pressão que se diluiria com o veto da governadora, ainda que ficasse sujeita, em sua derrubada, a um ato de promulgação que cairia no Judiciário por ferir o fundamento de que a iniciativa é exclusiva do Executivo. Como as galerias estão lotadas e o clima é de comício não vai ser fácil manter o equilíbrio. A Comissão de Constituição e Justiça tinha aprovado o 1% para o pessoal do Executivo e os 2,76% aos demais. Em política a aparência das coisas é que importa, seja no circo das decisões de domingo sobre a liberdade de Lula, seja agora nessa questão do aumento do funcionalismo estadual. Aproveitar o embalo é um impulso eleitoral.

Contundente
Foi contundente o depoimento do ex-ministro do STF, Carlos Velloso, sobre a crise atual do Poder Judiciário, e ele vê na postura de ministros de não respeitarem decisões do plenário da Corte ao votarem nas turmas do tribunal um mau exemplo que pode influenciar juízes nas instâncias inferiores. Para ele não há irregularidade na conduta do juiz Sergio Moro de ter dado um despacho mesmo estando em gozo de férias, já que "um juiz vocacionado é juiz 24 horas por dia". A resistência ao sentido da colegialidade, argumento de Rosa Weber para negar o habeas corpus a Lula, é manifestação dispersiva quando se tratava de jurisprudência recentíssima do STF no caso da prisão pós decisão de segunda instância. A ministra postou-se contrariamente ao entendimento, mas fez reverência à colegialidade.
Outro ponto veemente da fala de Velloso é o da descaracterização do STF: "é uma corte constitucional, mas está parecendo aos olhos da sociedade como um tribunal criminal de segundo grau. É nesse sentido que eu digo que ela passa a ser uma corte de segunda classe".

Bariátrica
Curitiba é um dos grandes centros de cirurgia bariátrica no Brasil. Essa é uma das especialidades, ao lado da plástica, que gera até uma espécie de turismo médico. Em cinco anos, a cirurgia bariátrica cresceu 47% no país. Em 2012 foram feitos 72 mil procedimentos e no último ano chegou a 105,6 mil. No Brasil uma em cada cinco pessoas é obesa, o que dá uma ideia do tamanho do mercado.

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