Vacina e mortalidade
O Brasil melhora com suas rotinas profiláticas e avanços no saneamento: em 1940 a taxa de mortalidade infantil era de 146,6 a cada mil nascidos vivos, e em 2016 caiu para 13,3. Aqui no Paraná tivemos uma surpresa com nove das unidades sanitárias registrando queda nesse índice e como se não bastasse tivemos aqui e no Brasil apreciável declínio nas campanhas de vacinação infantil, tanto que um levantamento mostrou que das 5.570 cidades 1.453 ficam abaixo da meta em todas as imunizações obrigatórias para bebês e crianças.
O assunto é tão sensível que levou a autoridade escolar no Paraná, no caso ora revelado na vacina contra o sarampo, de só admitir matrículas com o comprovante da prevenção. Mesmo na recente campanha contra a gripe, em que pese todo o alerta com o número de mortes, não houve resposta adequada, tanto que as doses disponíveis para idosos e integrantes do grupo especial não consumidas foram liberadas à população em Curitiba.
Metas chegam a 95% como exigência para vacinas contra a poliomielite, sarampo e meningite e que abaixo desse patamar há o risco, segundo o Ministério da Saúde, de retomada das velhas patologias e surtos das jamais eliminadas. Lamentável que as nossas rotinas nessa área estejam sob o impacto de uma crise que precisa ser debelada.
O alarme recente da piora nos índices de mortalidade infantil em unidades municipais reclama reagimentação de recursos humanos e materiais para a causa das vacinações.

Sob pressão
Boa parte dos deputados estaduais se constrange e chega ao ponto de esconder-se na hora do pega em sessões com muita gente agitada nas galerias. Se no caso do massacre a própria base do governo, para fugir dos olhos do povo, refugiou-se num camburão, não impressiona que isso esteja se dando agora também no debate interminável em torno do aumento dos barnabés, em que pese seu baixo percentual, mas com força suficiente para abalar um orçamento comprometido e não depurado com todo o sacrifício do ajuste fiscal.
Quem sabe um bom desempenho da seleção brasileira ajude a melhorar o ambiente, como de certo o fará com o momento de fossa da população. O futebol pode não resolver nossos problemas, mas certamente seu bom desempenho melhora o astral geral.
Segunda-feira teremos a continuidade do embate e o fator eleitoral transforma todos os deputados em generosos mesmo que isso represente, de repente, um sinal de que podemos nos aproximar do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul em termos fiscais

CEO preso
O ciclo punitivo persiste em alta em que pese a crise de identidade do Judiciário com suas oscilações: o CEO da General Eletric no Brasil, Daurio Speranzini Júnior, foi preso em operação que investiga fraude na área de saúde no Rio de Janeiro em licitações e isso em fatos ligados ao tempo em que era CEO da Philips Medical no Brasil em 2010. A vida, pelo menos desse CEO, está um inferno. Tudo sequela dos chunchos de Sérgio Cabral. Integra a operação Fatura Exposta, um trocadilho com o fato de nela estar envolvido o Into, Instituto Nacional de Traumatologia, esquema que data de 1996.

Cesta em alta
E a cada momento se acusa um efeito desastroso da greve caminhoneira, como a terceira alta da cesta básica do país, com 4% no Paraná em junho em consequência do trauma de maio que explica ainda, em termos nacionais, a pior das quedas da produção industrial desde 2008, com aquele recuo de 10,9%.

Carandiru na mente
Pouco soubemos da anatomia efetiva da turbulência, só ontem encerrada, da Casa de Custódia da Cidade Industrial. A despeito de seu novelesco enredo, no qual houve uma cota apreciável de censura (o pessoal dos Direitos Humanos foi impedido de intervir), percebe-se o nível de pressão que levou a um diálogo interminável a exigir paciência e concentração de todos nele envolvidos. Faz parte de nossa cultura esse tipo de mediação: radicais não admitem o fechamento de rodovias sem que haja no mínimo a intervenção pela força, porém nossa tradição é pelo papo, o que obriga a Polícia Rodoviária Federal a exercícios diplomáticos, às vezes lembrando a persuação dos educadores de rua diante de moradores de rua que se negam e recusam a ir aos albergues públicos. O exemplo do Carandiru mostra a ineficiência do massacre, que acabou gerando o PCC, Primeiro Comando da Capital, hoje seguramente a maior falange do crime organizado.

Folclore
Nos tempos dos congressos universitários o pega entre esquerda e direita era constante: um dos mais fortes era o integralista Paulo Ildefonso D’Assunção, mais tarde promotor e que atuou muito em Londrina. O Paulinho, como era chamado, sugeriu que se ajudasse o estudante com tarifas mais baixas nos ônibus. Silva Té, estudante de engenharia, esquerdista, apresentou emenda baixando o custo de transporte funerário. Ante a irritação de Paulo, Silva explicou: "eu sou materialista e fico mais perto dois que defendem o primado do espírito, já que você pensa em transporte durante a vida, eu contemplo o que se dá depois da morte."

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