LUIZ GERALDO MAZZA
Cida sobe, mas não adeja
Em princípio distanciada dos candidatos Ratinho Júnior e Osmar Dias, que polarizam a disputa, a governadora Cida Borghetti melhora gradativamente nas pesquisas em função de sua atuação com os prefeitos. Uma das áreas em que tanto ela quanto Beto Richa investiram foi nos convênios, justamente na área em que Ratinho Júnior atuava. No primeiro trimestre Beto Richa teria feito 322 convênios contra 869 de Cida no segundo.
Aparenta, nos dados disponíveis, que as perdas eventuais de Ratinho aparecem agora, já não tão discretamente, nos ganhos da governadora. Osmar Dias, empatado tecnicamente com Ratinho, este com viés de pequena vantagem, é prejudicado por indefinições, entre as quais a do irmão presidenciável.
No Senado, Requião está à frente de Beto Richa, mas as aparências indicam que os dois ex-governadores ficam com as duas cadeiras. Enquanto o calor da Copa do Mundo estiver ditando as preocupações da maior parte do público, essa condicionante, ligada também ao ceticismo da maioria da população, toldará qualquer tido de avaliação. Esforços no sentido de reanimar o debate político por iniciativa ontem da Associação Paranaense de Municípios são bem intencionados, mas insuficientes para restabelecer o ânimo que só estará presente depois da campanha formal.
Dificuldades
Hoje na Assembleia Legislativa perceber-se-á a dificuldade de opor ao populismo eleitoral algo, ainda que discretamente, com tonalidades austeras na questão do reajuste de 1% ao funcionalismo. Blocos já se arregimentam para tirar vantagens da operação e no meio, como sempre, o Fórum Sindical dos servidores fazendo o seu esperado papel - o de arrancar algo dessa competição.
Tal questão, sob Beto Richa, era orquestrada pelo seu secretário da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, uma espécie de interventor, a impor seus pontos de vista ante uma bancada para lá de disciplinada e foi graças a essa arregimentação que entre outras coisas catapultou R$ 2 bi anuais arrancados do fundo de pensão, hoje na Unidade de Terapia Intensiva. Tende em função dos interesses contrariados a um confronto dos mais difíceis ante um veto da governadora. Por sinal que juridicamente emendas que saiam da proposta do governo poderão ser tidas como inconstitucionais porque se trata de prerrogativa exclusiva do Executivo a questão dos salários dos servidores.
Corrupção, tema forte?
A corrupção, em função da Lava Jato, se tornou num divisor da opinião nacional e até o maior de todos pelo fato de atingir o ex-presidente Lula, cujos defensores o acham o homem mais honesto da terra e olhado, na perseguição, como um novo Tiradentes, tal qual o próprio sugeriu. O tema é para lá de controverso até porque suas investidas na política brasileira, em passado distante ou recente, foram caricaturais como as da União Democrática Nacional, que geraram o antípoda do adhemarismo no "rouba, mas faz".
Ocorre que a Lava Jato não é um discurso, mas uma realidade que rompe com as tradições de acomodação da nossa elite corsária e obtém o feito excepcional de encurralar a classe política nos seus vínculos sórdidos com a consócia empresarial. Muitas das lideranças políticas, como Eduardo Cunha, Sergio Cabral, Geddel acabaram em cana ao lado de empresários como os da Odebrecht e outras empreiteiras e a JBS.
Entende-se a frente nacional contra o juiz Sergio Moro e a força tarefa de delegados e procuradores da justiça e que une direita e esquerda mais os advogados criminalistas que não sabem mais o que fazer diante de uma delação acompanhada de matéria probatória.
Percebe-se a todo momento, valendo-se de alguma falha operacional, uma tentativa de botar em ação um abafa e isso é visível no dia a dia ante a animação dos focos existentes no Judiciário como no caso clássico da segunda turma do STF.
A forma como se está equipando a Divisão de Combate à Corrupção no governo estadual é indicador que pretende colocar a vertente no processo político, mas tem resistências no próprio federalismo, apesar da exceção representada pelo Gaeco, braço do Ministério Público, que mostrou ao que veio com as operações "Publicano" e "Quadro Negro". Seria comum um juiz estadual ou mesmo um procurador ou delegado provinciais fazerem o que a justiça federal aprontou contra um ex-governador como Sergio Cabral?
Ratos de asas
Volta e meia surgem as cruzadas contra os pombos por sua alegada vinculação a zoonoses. Pois agora o vereador Tito Zeglin, de Curitiba, quer multar cidadãos que alimentam as aves em nossas ruas. A proposta seria inviável em Veneza.
Folclore
Depois de oito meses soltando indiciados da Lava Jato no Rio, o ministro Gilmar Mendes manteve a prisão de 14 acusados da operação Câmbio, Desligo, que investiga rede de doleiros. Doleiros sempre agiram com liberdade no país como se constatou tanto no mensalão como no petrolão. Há sinais de que parte de 33 deles teria revelado a intenção de colaborar com os procuradores e isso preocupa o mercado, especialmente em bancos e casas de câmbio.





