O ferrão da vespa
Há muito no Brasil a oligarquia dominante só tem uma preocupação: os avanços da Lava Jato, que botou, pela primeira vez em nossa história, empreiteiros e políticos na cadeia. E isso, desde o início, foi organizando focos de resistência até alcançar os tribunais que, aos poucos, em grupos organizados (é claro que em nome da constitucionalidade), foram paulatinamente atingindo os fundamentos da operação. E na véspera do recesso tivemos a liberação de Zé Dirceu e a anulação de provas contra Paulo Bernardo colhidas no apartamento funcional de sua esposa, a senadora Gleisi Hoffmann.
Nessa causa – a de conter de qualquer modo o fluxo judicial – há uma cruzada de união nacional de interesse de toda a classe política, independente de ideologia, expressa, lá atrás, no apelo do senador Romero Jucá de que era preciso estancar a sangria. Decisões recentes indicaram que se trata de uma tendência, posto que a absolvição de Gleisi tenha ocorrido unânime quanto à corrupção e lavagem de dinheiro, pondo em xeque as delações.
O entrevero intrapoderes é visível e o cerco em cima do presidente Michel Temer na questão portuária e na suspeita de manipulação de propinas é cada vez mais intenso, como também afloram ações contra as estrepolias tucanas do Rodoanel e metrô. Não há como caracterizar as investigações como seletivas, ainda mais depois da condenação e prisão de Azeredo. O pior é que tudo se dá, de lado a lado, com um festival de protagonismo.
Seguir-se-á à fase atual de contestação técnica e doutrinária a de traço político e legislativo, como já se insinuara na degradação da lei de iniciativa popular para ampliar a luta contra a impunidade, transformando-a em um texto reverso contra abuso da autoridade. Seguir-se-á o empenho final de liofilizar a legislação e subtrair o ferrão da vespa.

Cassio-Beto
A mais recente denúncia contra o ex governador Beto Richa e relativa ao tempo (2009) em que era prefeito da capital, quanto à quebra de formalidades na aplicação de recursos de saúde, é assemelhada com processos sofridos por seu antecessor, Cassio Taniguchi, e que redundaram na sua condenação por duas vezes a seis meses de detenção. Cassio foi beneficiado pela idade e salvo pela prescrição. Se um fato ocorrido, como esse em que estaria incorrido o ex-governador, datado de nove anos passados e só agora denunciado, dá uma ideia de quanto esses supostos desvios demoram por tradição. Mesmo quando o alvo é inocente, como se declara Beto Richa, alegando que demitiu a funcionária responsável pela infração, a demora traz ônus políticos, ainda mais em tempo de eleição.

Novelinha
De repente Matinhos, município balneário, sai da sua mansidão e calma como se deu agora com o aumento de 93% aos seus secretários municipais, a despeito de toda a indignação expressa em movimentos de rua de seus moradores.

Mais insegurança
As decisões monocráticas, que predominam em mais de 80% dos casos da instância superior, constituem outro fator de insegurança jurídica, como se vê no problema do auxílio-moradia, há muito tempo prevalecendo a liminar do ministro Luis Fux, não se prevendo quando se dará o exame de mérito da matéria. E assim em tantas outras demandas. O que não impede a ação dos grupos em negociações como se dá nesse momento. A magistratura em maioria quer a incorporação do valor ou a sua substituição. É que visivelmente a saída do auxílio-moradia foi um jeitinho para compensar o fato de que a categoria não tinha aumentos há muito tempo.

Prejuízo nas ações
A promessa do deputado Ratinho Júnior de atuar contra o mais recente aumento das tarifas da Copel teve efeito na bolsa de valores prejudiciais, alcançando ainda a Sanepar. Informes do Jornal Valor Econômico. É a guerra oblíqua da campanha eleitoral.

Forte na crise
Mesmo na emergência da recessão, o Paraná mostrou a força de sua economia ao liderar a geração de empregos com carteira assinada entre 2010 e 2016, auge da crise com saldo positivo de 208,9 mil empregos, o maior do Brasil. Número de assalariados cresceu de 2,6 milhões para 2,8 milhões, incremento de quase 8%. Entre 2015 e 2016, uma retração da ordem de 3,9% nos empregos, enquanto no país a queda era de 4,4%, de 46,5 milhões para 44,5 milhões.
A vitalidade da economia paranaense é sempre assim: se o governo, que tanto se apropria desses indicadores macroeconômicos como feito seu, cumprisse sua parte em estradas, portos, aeroportos e ferrovias, os ganhos seriam maiores.

Privatizações
Decisão do ministro Ricardo Lewandowski, do STF, proíbe privatizações, sem aval do Congresso e licitação,
e corta o embalo do governo federal, que pretendia liquidar alguns dos seus ativos para encarar problemas de caixa. A medida está em vigor, mas precisará ser referendada pelo colegiado. A Advocacia Geral da União promete recorrer.

Folclore
Com um problema na vista, Benedito Valadares é avisado pelo médico que está com tersol. E comunica ao seu chefe de gabinete que está com um "tersol na vista". É corrigido pelo assessor, "tersol na vista é pleonasmo", ao que o governador retruca: "É tersol, nada tem de pleonasmo!" E o pleonasmo prevaleceu.

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