Manobra de risco
A governadora Cida Borghetti fez algo que caberia ao seu sucessor, tivesse ele porte de estadista: tentar persuadir os demais poderes, em função do ajuste fiscal, a dar parcela de contribuição dos órgãos subordinados ao congelamento salarial. Mas Cida rompeu os rituais ao propor que os demais poderes aceitassem o referencial de 1% que pretendia para o pessoal do Executivo.
Ao esforçar-se para romper o congelamento, que deveria prevalecer até 2019, já tinha avançado o sinal e com isso ofertou para os adversários um tema vibrante para deitar e rolar com a costumeira carga de intolerância que conota. Obviamente, tudo isso tem que ser operado em meio a negociações.
E como o motivo é bom para cenário eleitoral todos querem tirar sua casquinha: Ratinho Júnior promete unir a bancada independente contra a taxa de reajuste, como também já adiantou ir à guerra contra o aumento da Copel, assunto nacional e não de subúrbio. É o populismo em plena apoteose. Hoje dificilmente Cida conseguiria a base parlamentar que Beto Richa obtinha em qualquer tipo de negociação, ainda mais com o frevo eleitoral.

Sai Zé Dirceu
Lula poderia ter sido solto ontem, caso a sua pendência fosse examinada pela segunda turma e isso ficou demonstrado na liberação de Zé Dirceu, condenado em segunda instância, todavia beneficiado pelo fato de que teria direito a recursos no TRF4. Foi 3 a l pela liberação com votos do relator, Dias Toffoli, Levandowski e Gilmar Mendes, e um contrário de Edson Fachin. Fica visível que se o caso de Lula fosse pautado levaria a melhor, mas Fachin decidiu encaminhá-lo ao colegiado, ao pleno, onde há mais equilíbrio nas tendências.
Como se percebe há uma luta entre grupos engajados: uns empenhados na defesa da integridade da Lava Jato, porém admitindo restrições (como se viu na votação unânime em favor da senadora Gleisi Hoffmann) e outros em aberta revisão técnica e doutrinária dos seus efeitos e mormente das delações ora abaladas com o enquadramento por jogo duplo do procurador Marcelo Miller e Joesley Batista.
A carga contra Sergio Moro não ficou apenas nisso, pois na mesma sessão, novamente por 3 a 1, foram anuladas as buscas e apreensões havidas no apartamento funcional da senadora nas investigações contra seu marido, Paulo Bernardo.

Mais ataque
Segundo os seguidores da vigília de Lula, eles teriam sofrido um novo ataque a tiros: resistentes a decisões judiciais e atormentando o cotidiano dos vizinhos, sabem que estão expostos a riscos como o havido a 28 de abril e até hoje sem solução. Intolerância gera intolerância e disso não há saída.

Eduardo sim, Bob não
A Administração do Porto de Paranaguá estaria processando o ex superintendente Eduardo Requião numa ação de R$ 26 milhões em função de prejuízos causados pelo circo das ações contra a soja transgênica. Na verdade, quem comandou a operação foi o governador Roberto Requião e que teria gerado prejuízos superiores a R$ 2 bilhões, conforme o assessor da Faep, Luis Antonio Fayet, deslocando inclusive investimentos ao complexo portuário de Santa Catarina, tanto que Itajaí é o segundo PIB regional, superado apenas por Joinville. Floripa fica em terceiro, medalha de bronze.

Mau momento
Sergio Moro é consciente do mau momento da Lava Jato, razão pela qual ao transferir o processo de Beto Richa para a justiça eleitoral fez questão de mostrar inconformismo na evidência de que os fatos levantados nada têm com caixa dois e configuram crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.
No outro processo, também da Lava Jato, de sua 48ª etapa, que envolvia o governo estadual na questão do pedágio, Moro transferiu a demanda a outro juizado, o que decepcionou procuradores e policiais federais.

Corrida
Prefeitura de Londrina corre atrás de perda de recursos, esgotáveis até o fim do mês, para o Arco Leste na retomada dos trechos da obra ligando a BR- 369 à PR-445. São recursos do PAC 2, Programa de Aceleração do Crescimento, e somam R$ 11,2 milhões, perda sensível para o momento fiscal vivido pelos municípios. A tarefa não é singela, bastando lembrar que o projeto, dividido em cinco lotes, com três deles ainda dependentes de desapropriação. Quase um drama como o da Argentina na Copa no jogo de ontem.

Folclore
Depois da absolvição de Gleisi Hoffmann e seu marido Paulo Bernardo tivemos ontem novas derrotas da Lava Jato: a liberação de Zé Dirceu na segunda turma, que dá ideia de que Lula sairia facilmente da prisão se o processo fosse pautado na instância e não transferido, por determinação do ministro Fachin, relator, para o colegiado. Também a anulação dos atos decorrentes da busca e apreensão no apartamento funcional da senadora Gleisi Hoffmann evidencia que o momento não é nada bom para o fluxo judicial mais relevante da história brasileira. Respostas equivalentes precisam ser dadas e com urgência.

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