LUIZ GERALDO MAZZA
Ameaça de greve
Há coisas que pela frequência viram chatice: o cerco amoroso em torno de Lula, o nervosismo adolescente de Neymar e as greves de servidor público. O preso, ainda no aguardo de caso mais grave, o do sítio de Atibaia, visto como injustiçado, ainda não perdeu a esperança de ser solto, mas tromba com os advogados ao repelir concessões; quanto a Neymar, espera-se que após o cartão amarelo se reequilibre; já o Fórum dos Servidores não aceitou o 1% de aumento oferecido por Cida Borghetti e quer aquilo que mais gosta: discutir, deblaterar, mostrar-se do contra, seu único e especializado proselitismo.
Não seria de fato um feito excepcional, com ou sem greve, um reajuste de 1%. Teria o governo mais do que oferecer se mesmo com o congelamento salarial despesas não param de crescer? O fato é que se tenta criar um fato artificial para vir a ameaça de sempre, a da greve, apesar de pela lei o governo não poder dar qualquer tipo de aumento no atual exercício. Se o governo está impedido de dar reajuste por limite orçamentário e se o fizesse implicaria em ilegalidade, o mesmo bloqueio impede a ameaça de greve que seria fulminada judicialmente.
Parece simples, mas não é: tal qual os vigilantes de Lula, que contestam uma decisão judicial, o diálogo, aberto pela governadora, vai se transformar num fator de resistência política. É que o seu objetivo maior é puramente simbólico, o de que estaria, depois de longos dois anos, rompendo o congelamento salarial dos barnabés. A proposta oficial estaria autoexplicada, mas isso levou o pessoal do Fórum a sentir-se disposto ao exercício de pressão. A relação governo-funcionário, que parecia redonda, está ficando chata.
Bronca renovada
O Ministério Público já se manifestou formalmente contra qualquer forma de terceirização de serviços municipais de saúde e educação através de organizações civis, afinal restabelecida pela justiça. Pois apesar desse veto anterior a prefeitura da capital está anunciando para 31 de julho a abertura da Unidade de Pronto Atendimento, UPA, da Cidade Industrial, e entregue a um Instituto Nacional de Ciências da Saúde. É a forma que Rafael Greca, o prefeito, encontra de resistir aos pleitos sindicais para tentar baixar o custo operacional dos serviços. O que só consegue por via de Oscips.
Descendo a ladeira
Não apenas as pesquisas revelam o desencanto dos nossos jovens com o futuro do país na disposição para tentar o desafio do exterior. Um dado mais dramático ontem na capa dos jornais: a cada três dias uma mãe entrega o filho para adoção. Ao lado de tudo o humor negro da história da mulher pobre, na miséria, com oito filhos e cuja laqueadura dá margem a debates apaixonadíssimos em torno dos acalentados direitos humanos.
É o Brasil descendo a ladeira, o que se agravará se perder a Copa e não melhorará muito se chegar ao hexa, até aqui apenas um exagero.
O ritual
O juiz federal Sérgio Moro, cumprindo decisão recente do Superior Tribunal de Justiça, encaminhou os autos do processo de Beto Richa à justiça eleitoral. Como no caso de Geraldo Alckmin, isso não refrescou e vieram casos do Rodoanel, o que pode reprisar-se com Beto no desdobramento da "Publicano", a farra dos fiscais, e na "Quadro Negro" a ação dos ex-amigos botando a mão no jarro das construções escolares. De qualquer jeito cardápio de primeira em campanha eleitoral com as imagens de ambos com tanta gente fina, de trato íntimo, na cadeia. Por exemplo: o vídeo automobilístico de Beto Richa com o chefe dos fiscais, Marcio Albuquerque Lima, condenado a mais de 90 anos na primeira instância, teria mais força do que um com o chefe de gabinete que afanava o dinheiro da sogra fantasma.
Caos institucional
Em regime de "urgência urgentíssima" há na Câmara Federal nada mais do que 1.097 projetos, entre os quais um de 1989, sobre cooperativas. O pior é que de repente esse manancial legislativo, considerado morto, pode ser ressuscitado e entrar, a qualquer momento, na pauta do plenário. Para um governo fantasmagórico como o de Michel Temer funcionaria como uma rima em poesia clássica.
Apatia
Mais uma eleição suplementar a de Tocantins, vencida pelo governador interino, Mauro Carlesse, mostrou o nível de apatia do eleitorado: mais de um terço se absteve e 23,46% anularam o voto e 2,59% votaram em branco. Urge melhora extrema no nível da prática política para a mudança do cenário até a eleição presidencial.
Folclore
Gleisi Hoffmann, reenergizada com a sua absolvição, está em plena atividade política na montagem da chapa do PT na questão da vice e se reuniu com Josué Alencar, filho do José que foi o vice na primeira eleição de Lula. Só que há um abacaxi pela frente, a negociação teria que ser feita com o Valdemar Costa Neto, cacique do PR, que cobra alto pela sociedade e está em contatos com todas as siglas, incluindo a do Bolsonaro.





