O julgamento
Felizmente para a senadora paranaense Gleisi Hoffmann e seu marido Paulo Bernardo o seu julgamento se dá agora quando a Lava Jato já não é mais a unanimidade de tempos atrás como expressão de firmeza judicial e cultuada até com sinais de fundamentalismo. Isso no mínimo garante maior equilíbrio na análise dos fatos e da pertinência das delações premiadas quando escoradas em fundamentos probatórios. Não apenas a interdição das conduções coercitivas revelaram essa degradação como o clima hoje criado, até por via ministerial, pela liberação do ex-presidente Lula. Interessante é que a operação responde às novas circunstâncias com o cerco sobre outros personagens como o sócio do Lulinha investigado por suas relações no Rio com Sergio Cabral e detalhamentos relativos ao sítio de Atibaia em sinais de maior consistência como os recentemente colocados em audiência em Curitiba.

A tese da defesa é genérica e aplicável a todos os casos que nem sempre são parecidos ou iguais: delação, por mais grave e contundente, não é prova.

Próprio das estatais
Apesar das evidências do mau funcionamento do Estado provedor, continuamos morrendo de amores pelas estatais como a maior de todas, a Petrobras, foco de roubalheiras, e cuja ineficiência protegemos como se viu na mais recente crise brasileira e que gerou a greve dos caminhoneiros. A nossa maior estatal, a Copel, também, ainda que exercendo monopólio, nos surpreende com o aumento tarifário nos próximos dias de 15% para domicílios e 17% para indústrias.

Acaba de ser autorizada pela Aneel para essa agressão, em que pese o fato de a inflação até aqui atingir apenas 2,86%. Consumidor eletrocutado. É o capitalismo de estado sem risco.

Sequelas
Uma crise como a dos caminhoneiros sabe-se como começa e nunca seu efeito final. Ainda ontem discutia-se na Câmara Federal o novo marco regulatório do setor, que implicará em forte alta dos custos na obrigatoriedade de dois seguros, hoje opcionais, e na criação de uma empresa para cargas de pequeno porte. Saturaram demais o meio de campo. O consumidor sentiu vários efeitos do locaute, um deles na falta de frangos nas granjas e consequente aumento de 42% no produto congelado. Nem todo o país tem reservas para suportar as consequências de um fato como esse e que o governo irresponsável, avisado do que iria acontecer desde agosto do ano passado, fingiu-se de morto e empurrou tudo com a barriga. Como sempre faz.

A tolice anda
A tal da escola sem partido em trâmite na Câmara Municipal de Curitiba, travada pela justiça, vai ser alvo de recurso da procuradoria legislativa. A tolice anda. Se o judiciário legisla ao mexer nas conduções coercitivas, no código de processo desde os anos quarenta do século passado, por que não reafirmar que a matéria é de competência exclusiva da União?

Meio termo
A vereadora de Foz do Iguaçu Nanci Rafaim Andreola, aquela que se fez de doente para ir ao Rock in Rio, está suspensa das atividades camaristas por um mês pela comissão ética.

Evangélico
A tragédia também anda: o Hospital Evangélico de Curitiba está com o seu processo de leilão formalizado e com o preço mínimo estabelecido em R$ 205 milhões em ato divulgado pelo Tribunal Regional do Trabalho. O pior é que a causa da quebra de um patrimônio de toda a comunidade paranaense acaba não investigada.

Alerta
Um estudo prospectivo do Ipardes mostra que em quatro anos teremos mais idosos no Paraná acima de 60 anos do que jovens até a faixa etária de 14 anos. Consequências dramáticas no mercado para agravar ainda mais nossas vulnerabilidades sociais, especialmente as do setor previdenciário, de cuja questão fugimos como um punk de um desodorante...

Olho na paralela
Se há algo que não se justifica, de forma alguma, em fim de governo, é a tal da ligação com a Ponta do Poço em Pontal do Sul, ainda mais depois que o diretor do DER, Nelson Leal Filho, foi preso na 48ª etapa da Lava Jato e se tem muito a dizer nas delações sobre desvios no pedágio deve saber tudo dessa iniciativa polêmica, ora contestada pelo Ministério Público estadual e ecologistas. Como a Cida Borghetti firmou o princípio de tolerância zero com anomalias deveria investigar a fundo a questão. A vulnerabilidade do setor de infraestrutura ficou mais do que evidenciada nos últimos acontecimentos.

Folclore
Entre Alvaro e Osmar Dias há algo mais do que a disputa bíblica dos irmãos Esaú e Jacó em torno de um prato de lentilhas. Apesar de Osmar ter mais chance do que Alvaro de ganhar, o senador age com o pragmatismo de sempre, o de aumentar suas fileiras, a qualquer custo. Alvaro pode até ganhar a eleição presidencial no Paraná, mas no país todo é complicado, como indicam as pesquisas.

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