LUIZ GERALDO MAZZA
Ufanismo intolerável
Achamos normal a Argentina empatar com a Islândia, um país com a população de Ponta Grossa, e também o México superar a Alemanha, campeã do mundo, mas nos frustramos com o jogo contra a Suíça. E ainda por cima damos o vexame do protesto contra a arbitragem pelo "agarra-agarra" na área que conteve a impulsão de Miranda para evitar a cabeçada do suíço.
Em primeiro lugar, vamos ao retrospecto: oito jogos entre as seleções com três vitórias nossas e duas derrotas. Pessoalmente, vi o jogo no Pacaembu em 1950 em dois a dois no tempo do "ferrolho" e de lá para cá eles melhoraram muito. Um detalhe foi lembrado na semana por Tostão: a Suíça, com boa parte dos jogadores que a integram, foi campeã mundial sub-17 em 2009 e eliminou o Brasil, que tinha Alisson, Casemiro, Coutinho e Neymar.
Nem a sofisticação da vídeoarbitragem resolve o "agarra-agarra", no qual a infração mal captada faz parte das regras do jogo, tal a impossibilidade de termos ali um exemplo de fair play. Ademais, já que Miranda foi empurrado, o que ele deveria fazer era dramatizar e ir ao chão na área. Na verdade não houve infração, mas que seria nítida e redundaria em pênalti se o zagueiro, ao reverso, derrubasse o atacante ou simplesmente o empurrasse.
Começamos mal não pelo resultado, pois, e sim pela manutenção daquilo que se acreditava superado, especialmente depois dos 7 a 1: a retomada do ufanismo, o quanto mais furioso pior.
Todas as gentes
É em eventos como a Copa do Mundo que fica nítida uma das nossas mais fortes características: nossa unidade na diversidade pelo fato de abrigarmos tantas etnias em nosso território. Infelizmente nessa Copa pelo menos três tonalidades fortes não estão representadas como Itália, Holanda e Ucrânia. Uma carência brutal por não termos a italianada presente com sua arte a acompanhar os jogos do time, mas também torcendo pelo Brasil.
Um exemplo marcante veio de São Mateus do Sul, como toda região um enclave eslavo, com um vídeo didático para pronunciar corretamente os nomes dos craques da Polônia. Por sinal que mãe orgulhosa assinalava nas rádios que o jogador Pionek, zagueiro do escrete, é curitiboca da gema.
O afloramento étnico, normal em tantas manifestações, exibe esse Paraná ecumênico, motivo de tanto orgulho na expressão multicultural comemorando gols e fundindo suas bandeiras com a brasileira.
Distorção
Voltou ao legislativo estadual ontem o trâmite das mensagens de aumento de 2,76% aos servidores, que estão fora das amarras que oprimem o pessoal do Executivo há dois anos sem que ninguém questione inclusive casos de isonomia das carreiras, entre elas as jurídicas. Um procurador ou advogado do Legislativo, do Tribunal de Contas, do Judiciário e Legislativo e da Defensoria Pública não sofre qualquer restrição ainda que prevaleça um liame de equiparação de tratamento com o pessoal do Executivo.
Quem estabeleceu essa falta de critérios, em nome do ajuste fiscal, foi o governador Beto Richa e tudo prevaleceu porque o tratoraço legislativo o impôs na regra orçamentária e tanto que a hipótese de reajuste para o pessoal do Executivo é imaginada para 2019 e isso por mediação da atual governadora.
Dois segmentos funcionais podem colocar tudo isso à prova: a APP sindicato e os policiais pelo grau de arregimentação que já revelaram em várias situações. Por sinal que integrantes do Fórum Sindical buscavam ontem novamente adiar a votação da matéria.
Julgamento
O início do julgamento da senadora Gleisi Hoffmann e seu marido ex-deputado e ex ministro Paulo Bernardo está marcado para hoje no STF. Impressionante é que em momento algum a presidente do PT se mostra fragilizada e tanto é que comanda aproximações com blocos de esquerda com restrições à campanha de Lula. Por sinal que um grupo de advogados pretende questionar a Lei da Ficha Limpa, ainda que assinada por Lula, como infratora da Convenção Americana sobre Direitos Humanos, o Pacto de San José da Costa Rica, do qual o Brasil é signatário desde 1992.
Sem partido
A justiça mandou brecar a tramitação do projeto "escola sem partido" na Câmara Municipal de Curitiba, obra da bancada evangélica. O argumento é de inconstitucionalidade, mas no legislativo estadual há iniciativa semelhante também de origem religiosa. Esse tipo de iniciativa prova apenas o seguinte: o de que temos, no Brasil, é partido sem escola, apesar dos institutos doutrinários que lhes dão assessoria.
Folclore
O vereador Goura fez um vídeo com cenas aceleradas do vereador Tico Kusma para ironizar a velocidade dos rituais numa das comissões do legislativo municipal e agora o alvo da crítica quer representar contra a ironia na Comissão de Ética. Como se vê o pessoal anda um tanto quanto intolerante. O caso da vereadora que ficava com parte do salário de assessores, Katia Ditrich, até hoje não caminhou: ela atribuía o fato a um suplente.





