Melhor do que a Copa
A sessão de ontem do colegiado do STF em torno do veto às conduções coercitivas teve pelas mudanças do placar maior interesse do que o jogo inaugural da Copa na perspectiva daqueles que se interessam por rituais judiciários. Só faltou a animação de um "espíquer" narrando os gols marcados pelos pró e contra o dispositivo do Código de Processo Penal que Gilmar Mendes pretendia derrogar. O fato é que o ministro, mesmo que perdesse a batalha, já teria uma vitória, ainda que parcial, no reconhecimento por parte dos que defendiam a condução coercitiva desde que a sua decretação atendesse requisitos ainda a serem fixados,

Tudo é espetáculo, como teorizaram em suas obras Gui Debord em relação à sociedade e Roger Gerard Schwatzemberg ao mecanismo estatal, e não há como ocultá-lo quando no plano das instituições o Judiciário passa a exercer, a pretexto de supri-lo, o poder de legislar como no caso das conduções coercitivas. No primeiro dia estava 4 a 2 a favor da manutenção da medida, desde que atenta a cautelas prévias, e no meio da tarde de ontem o ministro Marco Aurélio, com seu voto, virava o jogo em 5 a 4, restando a expectativa e ansiedade em torno dos pareceres restantes.

Não foi um 5 a 0, como alguns esperavam, e que se deu no Rússia e Arábia Saudita, mas uma competição equilibrada na qual o maior argumento dos que se postavam contra o artigo do direito adjetivo criminal por não ser compatível com a Constituição Cidadã do Dr. Ulysses. E há muito mais para averiguar em torno de incompatibilidades.

Mais herança
Anteontem novas evidências das heranças de Beto Richa na má condição operacional das seccionais do Instituto de Criminalística reclamadas, no caso de Londrina, com veemência pelo Ministério Público estadual. Funcionários do IML há muito reclamam do caráter defasado da instituição, seja na parte humana, quadros técnicos e científicos, e sobretudo na parte relativa a equipamentos. Uma das revelações deles, que chocou, foi a de que o Paraná figura, quanto à relação funcional, em 27º lugar no Brasil. Virão outras como também novas revelações de malfeitos.

Prisões exacerbadas
Abordei, dias passados, uma das consequências do ciclo punitivista, na exacerbação das penas nos casos da "Publicano", e o fenômeno se repete com a sentença contra Bibinho, o diretor geral da Assembleia Legislativa, fixada em 255 anos e que somou a mais de 600 com comparsas e familiares. Incrível que não apareçam nesses procedimentos qualquer integrante da Comissão Executiva, presidente e secretário, como se nada tivessem a ver com o que ocorria, tal qual o Lula a ignorar a trama no gabinete de Zé Dirceu. Pelo menos membros da Executiva deveriam ser cobrados por omissão e desídia, não sendo aceitável que nada soubessem do que ocorria como se fossem dependentes do funcionário ora sentenciado.

Infelizmente, por causa do foro privilegiado, a operação "Gafanhoto", que alcançava cerca de 80 parlamentares de várias legislaturas, foi brecada e parece ter perdido finalidade, ainda que em vários momentos foi ativada tanto pelo Ministério Público estadual quanto pelo Federal. Um dos temas era justamente o da "indústria" de servidores fantasmas suspeitas de adesão geral por suas dimensões desproporcionadas.

Quanto à exacerbação prisional, sujeita à revisão na instância superior, há casos como o do companheiro de aventuras automotivas de Beto Richa, apontado como líder da gangue fiscal, o hierarca fazendário, Marcio Albuquerque Lima, condenado, só num dos processos da "Publicano", a 94 anos de prisão.

Entorno escolar
Escolas no Paraná, municipais e estaduais, são alvo do narcotráfico. E tanto que numa operação, ontem desencadeada, tivemos a prisão de 78 operadores, isso em apenas 20 cidades do Paraná. O episódio é comum e a acomodação das pessoas, da autoridade policial à escolar, é que facilita esse horror como se já não bastassem os seguidos ataques de jovens marginais para roubar e agredir, vandalizar, as unidades.
Para quem vê Curitiba transformar-se em seu centro histórico em um cracódromo, isso já não espanta ninguém.

Gripe
O prefeito de Curitiba decidiu prorrogar a vacinação contra a gripe. No Paraná, até agora já houve 24 mortes, das quais 4 na capital.

Bronca
Morretes quer uma audiência pública para apurar as causas da supressão dos trens de turismo pela Rumo, que substituiu a ALL e que também cuidava mal da área. Alegam os morreteanos que o prejuízo não é pequeno.

Folclore
Há uma sentença sobre os efeitos no Brasil do que se dá nos Estados Unidos da América do Norte: uma endemia lá se faz pandemia por aqui, um espirro vira ciclone. Agora, por exemplo, num momento ruim da economia brasileira, o Banco Central (o Fed dos Esteites) sobe juros e projeta mais duas altas neste ano. O Fed vai feder por aqui e muito.

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