Uma frustração
A decisão do juiz Sergio Moro, por sobrecarga de trabalho e falta de conexão imediata do tema com ações da sua vara (Petrobras e Odebrecht e setor de operações estruturadas), de desistir da 48ª etapa da Lava Jato em cima do pedágio, provocou enorme frustração pelo fato de termos enfrentado três eleições com discussões acirradas e que dividiram a sociedade. Recentemente, ainda a questão de um acerto entre Beto Richa e a Odebrecht acabou provocando, por força de uma gravação, a demissão do mais importante secretário do sistema de um posto elevado na Copel, Deonilson Roldo.
Ocorre que a origem da denúncia da área de Jacarezinho é relativa à atuação da Triunfo e que tem a ver com situação específica e que teria dado origem à prisão de Nelson Leal Júnior, ex-diretor do Departamento Estadual de Estradas de Rodagem, beneficiário de delação, cujo teor é ainda desconhecido. Não apenas o magistrado, mas também advogados vinham discutindo o ajuste dos fatos à competência da Lava Jato.
Com o enquadramento, por força dos feitos do fluxo judicial de Curitiba, houve a esperança da desejada devassa policial em cima das concessões por força do seu alto custo, baixo retorno e perspectiva justamente do que se apreciava na possibilidade de atos de corrupção e que emergiram em alguns depoimentos, como aquele em que um agente afirma ter entregue dinheiro ao secretário de Infraestrutura, Pepe Richa, num supermercado, o que foi contestado de forma veemente pelo acusado.
Uma das sequelas dos anéis de integração até hoje pesando nas tarifas foi a manobra de Lerner de cortar linearmente em 50% os preços para vencer a parada com Requião, que prometia no estribilho político o "baixa ou acaba". Essas manobras geraram os degraus tarifários até hoje vigentes. Estamos há anos numa discussão que parecia ter encontrado o melhor dos caminhos ao alinhar-se, entre investigações e processos, da Lava Jato. Por isso é uma senhora e brutal frustração a não ser que a gravidade das delações de Leal Júnior sejam de tal ordem que a questão deva ser aprofundada. O processo, já iniciado e enriquecido com a delação premiada de Nelson Leal Júnior, ficará a cargo da 23ª Vara Criminal Federal.

Ainda pedágio
Até aqui o governo Cida Borghetti só mexeu no lado administrativo do pedágio ao formalizar a demissão de Deonilson Roldo, já que a exoneração do ex-diretor do DER, Nelson Leal Júnior, a quem não se concedeu sequer o benefício da dúvida, se deu logo após sua prisão, como se ela fosse esperada. Agora a governadora entra na questão do pedágio e da formulação dos novos e futuros contratos, pedindo às concessionárias que tratem de finalizá-los, e anuncia modelo capaz de fazer baixar as tarifas em 50%, uma aspiração antiga de toda a sociedade que sai do episódio com a sensação de que foi manipulada, a um só tempo, pela técnica e a política, notadamente depois da atitude do juiz Sergio Moro, que se afirma sobrecarregado, mas não abre mão – e isso em meses – de suas viagens para merecidas homenagens no exterior.

Saneamento
Um dos problemas mais graves na área de saneamento no Brasil é o avanço da rede coletora de esgotos sem a respectiva ligação. Dá-se nacional e regionalmente. Uma das vergonhas aqui em Curitiba está, por exemplo, no fato de que a rede chegou no Centro Cívico e durante muito tempo não se procedeu a ligação e havia o absurdo de os restos de todos os poderes ali acumulados chegarem sem tratamento ao rio Belém. Há um convênio entre Sanepar e prefeitura para evitar que esse colapso facilite crime ambiental que não deixa de ser a remessa de resíduos aos canais pluviais ou diretamente à bacia hidrográfica. Um informe recente da prefeitura de Curitiba sinaliza que ainda há 270 mil ligações não completadas, o que mata qualquer hipótese de restabelecer o mito da cidade ecológica.
Assunto grave demais para ficar escondido. Em termos sanitários, uma prioridade. E não um caso de puxar a descarga.

Restauro
Uma área – a do Armazém Macedo- na cidade de Antonina vai ser alvo de uma operação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional de restauro, no qual serão aplicados R$ 6,4 milhões. A nossa Parati merece.

PMs no rolo
Uma grande operação ontem em Colombo e outros pontos da região metropolitana da capital prendeu 20 envolvidos em narcotráfico, dentre eles seis policiais militares. Volta e meia se dão esses desvios, como ocorreu, há dois anos, com milicianos presos sob a acusação de estarem ligados a gangues na explosão de caixas eletrônicos. Recentemente, dois PMs, sob processo, fugiram da cela especial que ocupavam.

Trabalho infantil
Ontem, além do dia dos namorados, tivemos o da resistência ao trabalho infantil, e a FAS, Fundação de Ação Social, de Curitiba, informou que fez o resgate de 93 crianças com apoio do Ministério Público da área.

Folclore
Novamente flagraram no Porto de Paranaguá um contêiner com apreciável lastro de cocaína. Não é carreira, nem brilho para o terminal, mas nem por isso se pode dizer que o nosso porto é uma droga. O que ele precisa não é de droga, mas de draga.

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