LUIZ GERALDO MAZZA
Pesquisa e fake news
Até agora no Paraná duas decisões judiciais interditaram a divulgação de pesquisas eleitorais, mas muito depois que seus resultados foram divulgados. Como permaneceram no ar tivemos uma espécie de "fake news" tolerada e isso porque o veto se tornou inútil, já que os efeitos da informação foram assimilados, enquanto a proibição não se formalizou. Como é preciso, antes de tudo, preservar a equidade, indispensável se torna um entendimento entre justiça e institutos de pesquisas em torno dos fatores levantados pelas contestações.
Se isso, como preliminar, não for acertado ficaremos sujeitos a uma campanha sem um dos seus atrativos básicos - o da publicação necessária de intenções de votos, direito inegável dos concorrentes como também do público em geral. Ora, o próprio Tribunal Superior Eleitoral posicionou-se formalmente sobre as "fake news" na preocupação de que elas venham a poluir o processo eleitoral e comprometê-lo como se deu nos Estados Unidos. E pesquisa desaprovada não deixa de ser um embuste, que foi tolerado e que favoreceu alguns em detrimento de outros e do público em geral, ainda que por algum tempo.
Como esses vetos se deram com instituições locais, que não têm o renome do Ibope e do Datafolha, pode-se abrir espaço para negar-lhes autenticidade, o que também não é lá muito correto. Se o episódio se desse com organismos de expressão nacional certamente cuidariam de defender-se, conquanto já tenhamos registrado falhas do Ibope como aquela que concedeu numa eleição na capital ao deputado federal Rubens Bueno pouco além de um digito, quando marcou vinte pontos.
Normatizar a área parece indispensável para que não tenhamos o uso da técnica do tapetão em favor de Beto Richa com o impedimento generalizado das sondagens de opinião no processo de reeleição.
FHC pró Lula
Outro dia quem serviu de testemunha de defesa de Sergio Cabral, no caso específico da suposta compra de votos para sediar os Jogos Olímpicos no Brasil, foi Lula. Ontem um outro ex-presidente, Fernando Henrique Cardoso, desempenhou tal papel em favor de Lula no caso do sítio de Atibaia, que especialistas enxergam como mais tecnicamente comprometedor do que o do tríplex de Guarujá. FHC considera Lula não um preso político, mas um político preso, conforme o declarou mais de uma vez, o que não impediu também de afirmar que Luiz Inácio Lula da Silva é um patrimônio do Brasil.
Devagar
Até agora o escrete nacional chega à melhor performance pré-mundial desde 1970: Tite teve 86% de aproveitamento em 21 jogos. Não custa como advertência lembrar que Felipão em 2014 teve um ganho de 78%, mas os 7 a 1 estão aí até hoje para explicar a desolação do povo em relação ao futebol em si (fato também detectado em pesquisa pelo Datafolha) e de forma específica à seleção nacional, antes a pátria em chuteiras, como dizia Nelson Rodrigues. Bandeirolas, camisas, bottons, bonés, artefatos que não foram usados há quatro anos estão aí nos estoques desovados à venda.
Pedágio
Quando anunciaram que Cida Borghetti, em entrevista coletiva, iria falar sobre o pedágio, houve quem temesse pela retomada da ideia do antecessor Beto Richa pela prorrogação dos contratos. Única recomendação foi no sentido de que as concessionárias se preparassem pela ultimação dos acertos e demandas relativas ao tema até o prazo de expiração. Apenas portanto a informação de que como os prazos serão observados indispensável que contratantes se entendam. É que isso se dá num momento em que a Lava Jato chegou no tema e de repente isso pode significar preocupações desde que as investigações venham alcançar outros pontos da concessão.
Há muita expectativa com respeito à delação do ex-diretor do DER, Nelson Leal, cujo chefe imediato era Pepe Richa, irmão mais velho do governador.
Vigília
Há mais de uma vigília em Curitiba: a mais permanente é dos acampados de Lula, que ontem festejaram a visita de um assessor do Papa da área de direitos humanos, Juan Gradois, que visitou o ex-presidente. Outra vigília, essa no Centro Cívico, foi a dos inconformados barnabés estaduais, há quase três anos sem reajuste salarial. Como os acampados de Lula, tiveram uma pequena vitória na decisão do presidente do Legislativo, Ademar Traiano, na retirada da pauta da sessão de ontem do reajuste de 2,76% dos servidores do Legislativo, Judiciário, Tribunal de Contas e órgãos como a Defensoria Pública na esperança de serem beneficiados. O importante, porém, é a continuidade da pressão sobre a Assembleia, como ficou decidido.
Andriely
Apesar de degradado como instituição por falta de pessoal e equipamento, o Instituto Médico Legal concluiu ontem que o corpo da jovem encontrada na estrada da Graciosa era de Andriely, como a família suspeitava.
Folclore
Arregimentar-se por um aumento de 2,73%, como fazem servidores do Executivo, é algo surreal e com uma dificuldade extra: a de que só pode ter reajuste em 2018 a prevalecer a legislação orçamentária.





