Receita em queda
A fragilidade do ajuste fiscal, trombeteado por Richa, ficou exposta nos resultados do atual exercício, em seu primeiro quadrimestre, com queda de 7% na arrecadação. E ela se deu não apenas pela antecipação de recursos, em troca de enormes descontos, em 2017 e 2018, que alcançam R$ 3 bilhões. Há muito tempo quase toda a hierarquia fiscal, em decorrência da "Publicano", é processada judicialmente e temos inclusive penas exacerbadas como as dos inspetores regionais Marcio Albuquerque Lima e Milton Antonio de Oliveira Digiácomo, o primeiro a 97 anos, um mês e 29 dias de reclusão, e o segundo a 44 anos e nove meses de prisão.
Há muitos sentenciados e alguns como Digiácomo, na fase 7 da Publicano, condenado a nove anos e um mês de prisão em regime fechado. Como todos recorrem ao Tribunal de Justiça e permanecem trabalhando, dá para imaginar o desempenho de todo o conjunto, em que pese a eficácia interativa do "Nota Paraná". É parte tudo isso do acervo de feitos do antecessor Beto Richa, ainda ontem em destaque na televisão a crise do setor de polícia científica sob risco de colapso total como se não bastasse a herança do xadrez lotado.
Tais negatividades afetarão obviamente o desempenho eleitoral da governadora Cida Borghetti, mas as relações políticas ainda que estremecidas entre os dois grupos parece inalterada em que pese a demissão de Deonilson Roldo. Manter a contenção entre os dois lados não vai ser tarefa muito fácil, mas esse equilíbrio pode ser rompido, a qualquer momento, pela ação dos líderes mais radicais ante qualquer sinal de retaliação. O problema de Ratinho Júnior é o de buscar autonomia, alvo também visado e com maior dificuldade por Cida.

E Osmar Dias?
Se a relação entre o ex e a governadora atual é tensa, já se pode especular a mesma coisa entre os irmãos Alvaro e Osmar. E deu para percebê-lo no almoço de ontem em favor do presidenciável em Santa Felicidade no qual não figurou nenhum postulante ao governo estadual, até por orientação dos organizadores, entre os quais o Instituto Democracia e Liberdade. Mais de 3 mil presentes, entre os quais centenas de prefeitos, no ato mais enfático até agora da candidatura do senador, depois da entrevista do "Roda Viva" e da sabatina da Folha de S.Paulo.
Acusa-se Alvaro de ter proposto que Osmar disputasse o senado para acerto com Ratinho Junior. Mesmo com o tom especulativo do informe, percebe-se que Osmar precisa ser ágil nos dribles em cima do irmão. Não é a primeira vez que conflitam e não se trata de uma bíblica disputa em torno de um prato de lentilhas entre Esaú e Jacó.
Uma das dificuldades que Osmar vai ter para apoiar o irmão estará na resistência de Ciro Gomes, candidato presidencial do PDT, cujo temperamento lembra o de Requião quanto a concessões e dividir espaços. Alvaro deveria ser um empuxe natural para o irmão, mesmo que ele se abstivesse em função do veto de Ciro.

Contra discriminação
O Ministério Público resolveu agir pesadamente contra shoppings de Curitiba que agiam de forma preconceituosa em relação aos jovens. O risco do bloqueio baseado nas vestes é tortuoso pela massificação da moda e daquilo que aparenta rebeldia. Quanto à interdição em dias de futebol no uso de camisas dos times era razoável ante o clima bélico de torcidas.

Fomento
Há quem veja a Fomento Paraná como o embrião de um novo Badep, mas a instituição está enfrentando problemas graves na resposta às concessões de crédito. Uma das linhas foi a de recursos para a aquisição de táxis quando do aumento da frota na gestão Fruet. É elevado – e não apenas nesse setor - o nível de inadimplência, daí o empenho do governo para acertos.

Concorrente
Um cidadão do bairro Guabirotuba, em Curitiba, perfurou um poço artesiano em sua casa e conta ainda com um laudo da Universidade Federal sobre a qualidade do produto que vende a um real cinco litros. Adeptos da privatização veriam isso como uma tentativa renovadora de concorrência porque não são poucas nem pequenas as queixas contra a Sanepar, a dona do pedaço, e que fatura até ar nos hidrômetros, como já foi denunciado.

Debate
Bom o confronto de ontem no STF em torno da condução coercitiva, que para o relator da matéria Gilmar Mendes é mais um elemento de espetacularização da justiça. Gilmar é o maior polo de resistência, doutrinária e técnica, à Lava Jato, razão pela qual esse confronto é mais do que impositivo. Negar habeas corpus, face ao impacto provocado, não deixa também de ter uma linha espetacularizadora.

Folclore
Aníbal Curi também costumava cultuar desafetos e uma ocasião dedicou-se ao jornalista Caco Lacerda ao ampliar a reprodução de uma crônica em que, nas vestes de guru, era elogiado pelo cronista. Ao saber da atitude do deputado, saiu-se com uma explicação no mínimo maliciosa: "elogio é como bula de remédio e por isso tem prazo de validade."

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