LUIZ GERALDO MAZZA
Uma reviravolta
A Ordem dos Advogados do Brasil, secção estadual, deflagrou, anos passados, batalha pela criação de um Tribunal Regional Federal que abrangesse Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. Em que pese a veemência da campanha, bateu na trave inclusive com recursos contra a lei. Passou o tempo e com ele o calor da batalha até o país ser sacudido pela Lava Jato e a ação de sua força-tarefa de juízes, policiais e procuradores aqui da Capital.
E é claro, se a persistência do sistema como está vem garantindo eficiência no combate à corrupção e à impunidade, argumenta-se que hoje há mais razões para que o Paraná receba e sedie o novo tribunal regional, inclusive a alegação da OAB seccional, que superaríamos o Rio Grande do Sul em número de processos. É verdade que a situação fiscal do país é pior do que a da época da campanha e isso pode pesar. De outro lado o prestígio e eficácia da justiça de primeiro grau acoplada ao desempenho do tribunal revisor em Porto Alegre soam como discretas restrições.
Árvores
A queda de árvores em Curitiba é constante, a despeito da carga de prejuízos materiais. Dias passados uma delas, na esquina da Marechal Deodoro com Barão do Rio Branco, atingiu uma pessoa e imediatamente o tema ganhou força. É verdade que conforme a velocidade dos ventos mesmo árvores saudáveis correm riscos e há na prefeitura uma orientação cautelosa de resistência ao abate a não ser que esteja biologicamente comprometida.
Proprietários seguidamente pedem autorização para o abate, especialmente quando árvores de porte como araucárias ameaçam desabar sobre as casas, mas ainda assim indispensável a razão ficar claramente exposta. Indispensável também uma verificação de rotina sobre a arborização para que tenhamos medidas preventivas.
Descuido
Um grave descuido com a memória histórica levou o sindicato de arquitetos a ir à justiça contra a prefeitura de Curitiba, no caso da ordem para demolição da casa incendiada do escultor Erbo Stenzel, no Parque São Lourenço. Indispensável esse monitoramento sobre edificações históricas que tiveram seu auge nas gestões de Jaime Lerner, quando se adotou um programa ajustado de ocupação e uso dessas unidades ligadas à Fundação Cultural, todas ativas com eventos significativos.
Razões da PM
Aqui no Paraná as organizações de Direitos Humanos seguidamente questionam execuções da Polícia Militar alegando abuso. Agora a PM de São Paulo, a mais arguida do Brasil, possui relatos periciais que desbancam a teoria: só 8% dos policiais atacados saem ilesos na maior cidade do país. Em 491 casos documentados de 2006 a 2013 houve 218 mortos e 232 feridos. Tais apurações são abertas quando a corporação figurada como vítima tenha o crime se consumado ou não. Essa linha de argumentação não convence ONGs dos direitos humanos e olha qualquer tipo de abordagem policial como extravasora de normas de contenção.
Hibernal
A temperatura mais baixa do Paraná foi na Lapa, região metropolitana de Curitiba, com negativa de 2,1 graus. No passado, quando detínhamos a hegemonia da produção cafeeira, detonada em 1975, uma parafernália era convocada para reduzir os seus efeitos como o uso de geradores de neblina. O número de geadas na Região Metropolitana, notadamente Curitiba, caiu como se detecta nos registros do geólogo Reinhard Maack. Edificações como as adensadas da Capital criam microclima, visível em fatos importantes como a existência de cafeeiros ornamentais e em produção. No Centro Cívico, atrás da Assembleia Legislativa, e ao lado de uma das sucursais da "Folha de Londrina", havia um cidadão que sustentava em quintal onze covas de cafeeiros em produção protegidos com lona na baixa temperatura.
Em Urupema, Santa Catarina, ontem houve sensação de 14 graus negativos na madrugada, embora pela manhã o registro fosse de três positivos. Houve previsão de neve.
Calote
O temor de um calote nos bancos da ordem de R$ 41 bilhões da Odebrecht é registrado em jornais de economia. Admite-se nesses meios que há risco de o grupo não pagar parte das suas dívidas. Itaú e Bradesco, que integram o rol de credores, estão na fase final de negociação de um novo empréstimo a ser anunciado nesta semana. Com BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal a conta seria de R$ 90 bi e Itaú, e Bradesco de R$ 9 bi.
Olho no STF
Iniciam-se hoje no STF os julgamentos de políticos como o caso do deputado federal paranaense do PP, Nelson Meurer, e seus dois filhos. Quem está na fila é também a senadora Gleisi Hoffmann, presidente do PT.
Folclore
Está mais do que provado que o PSDB é aliado mais fiel do que o MDB na questão das tais reformas encabeçadas por Michel Temer. E no racha ministerial os tucanos têm participação bem mais discreta.





