Olho nas estatais
O exemplo da Petrobras é claro: mais vale a pena ficar de olho na empresa do que fazendo o discurso calhorda de que ela expressa a soberania nacional, enquanto os oradores metem a mão em seus fundos. E assim também, em escala regional, com a Copel e a Sanepar.

Tivéssemos mais vigilância e certamente o caso Copel-Olvepar, só agora, décadas depois, sentenciado exemplarmente e alcançando a figura do presidente, que acumulava, na gestão Lerner, a secretaria da Fazenda, não teria encontrado tanta facilidade. Pois agora tivemos sinais bons como o providenciado pelo deputado Nereu Moura obrigando, via judicial, as duas estatais a relatarem seus dispêndios com propaganda, promoções e convênios. Há ainda outro feito judicial, promovido pelo sindicato dos engenheiros e também dos funcionários, que obriga a Sanepar a exonerar 30 cargos comissionados.

Mecanismos internos são insuficientes para conter abusos de natureza política e tanto que sob Requião a Copel chegou a participar de um consórcio por disputa de vias pedagiadas, que nada tem a ver com os propósitos da empresa, mas serviam às bravatas do "baixa ou acaba". Fica provado que quando não se pode confiar no Legislativo, ainda mais quando a sua bancada de oposição é minimalista, é possível agir indo ao Judiciário.

Não esquecer que a Copel esteve a pique de ser leiloada e só não o foi porque havia uma lei de iniciativa popular tentando impedi-lo – e assim mesmo a maioria governamental derrotou tal dispositivo - e só não se consumou porque houve o ataque às torres gêmeas acoplado ao apagão nacional que inviabilizaram o certame. Percebe-se aí a hipocrisia da classe política em sua subserviência: amam as estatais enquanto servem a seus objetivos mais torpes.

Acampamento
Parte pelo menos do acampamento lulista vai se dissolver em função do frio no bairro de Santa Cândida, e os manifestantes serão abrigados em algumas residências próximas. O juiz da 3ª Vara da Fazenda Pública pediu reforço policial para ver se os acampados estão cumprindo os termos do interdito proibitório.

Cidadania
Eliete Ferraz de Almeida, de 62 anos, é um exemplo de cidadã engajada: em 16 anos, valendo-se do fone 1-5-6, fez uma bateria de reivindicações (397 ao todo) à prefeitura da Capital e diz ter sido atendida em 90% das solicitações.

Liderança e base
A distância entre liderança e base é tema persistente em sindicalismo e muito mais num caso de resistência civil ou de revolução. Se a base não expressar o que a direção sugere temos um grave descompasso. É o que se dá com Gleisi Hoffmann como porta voz do lulopetismo: seu discurso é distante do comportamento da massa porque beligerante, forte demais, enquanto a mobilização não corresponde à palavra de ordem. É verdade que age articulada com Lula, mas não arregimenta o suficiente. Lula como líder sindical estava atento a esse descompasso.

Há quem a veja como a "Passionária", a Dolores Ibarruri, da guerra civil espanhola, só que a contundência se dissolve no discurso. Haja vista para o 1º de Maio que se anunciava um feito internacional e que se perdeu no varejo.

Ela ficou célebre ao afirmar que se houvesse a prisão de Lula iria morrer gente e quem quase morreu foi aquele antilulista temerário que se lançou contra os petistas (hoje presos) que o agrediram, ainda que tentativa de homicídio seja exagero.

Prevenção
Ironicamente, o principal aplicativo, o Uber, acabou punido nos Estados Unidos por não colaborar em apoio à segurança, fator que hoje é a ameaça permanente a seus profissionais. Ontem houve uma reunião entre as empresas e a polícia para fixar normas preventivas diante da escalada de assassinatos em Curitiba.

Tragédia
Uma tragédia cotidiana é a barbárie das cadeias superlotadas. Ontem retiraram 115 presos da Central de Flagrantes (essa abastecida diariamente por 10 a 15 novos inquilinos) e houve a constatação de que havia 140 deles num espaço máximo para oito. O problema está na rotina que pouco é afetada com um aparente deslocamento massivo como o ocorrido. É algo como encaixotar fumaça ou enxugar gelo.

Frio
Mobilização, a um só tempo, da Defesa Civil e de organismos como o Provopar diante da expectativa de queda brusca de temperatura especialmente na Capital. Unidades sociais estão preparadas para operações de resgate nas ruas e as campanhas de agasalho entram em ação.

Folclore
Atender demandas impopulares derruba o Ibope. Isso se deu com Beto Richa, Rafael Greca e com o prefeito de Londrina, Marcelo Belinati, que caiu de 51,55% para 30,5%, todos por causa de ajuste fiscal. A planta de valores de Londrina, como a de Curitiba, estava defasada por mais de dez anos e o ajuste foi uma pancada. Isso é incompatível com o cortejamento do povão, daí o desgaste.

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